sábado, maio 19, 2012

Problemas/Doenças Oculares/Ulcera de Córnea - Cachorros.



Problemas/Doenças Oculares/Ulcera de Córnea - Cachorros: A córnea dos cachorros é formada basicamente por 4 camadas, que são o epitélio, o estroma, a membrana de descemet e o endotélio,  e as úlceras corneais são soluções de continuidade de uma ou mais camadas da córnea, ocasionadas por traumas físicos, substancias químicos, ou por infecções entre outros. E podemos classificar as úlceras pela profundidade da lesão, pois são as ulceras superficiais quando vemos envolvido somente o epitélio corneal, e úlceras profundas quando ocorre o envolvimento da camada estromal, e a descemetocele quando chega à membrana de descemet, ruptura ou perfuração corneal. Ao chegarmos à fase de ruptura em seguida teremos prolapso da íris pela ferida, vemos ainda outras estruturas intra-oculares se apresentando e subsequente desenvolvimento de endoftalmite.

E todo o tratamento de qualquer tipo de ulceração corneal, começa a partir de sua provável etiologia, temos nas causas mecânicas as abrasões, os corpos estranhos, queratites de exposição, os entrópios, as alterações de cílios como as triquíases, as distiquíases e os cílios ectópicos. Nas causas infecciosas temos as infecções bacterianas, micóticas e virais, temos ainda queratoconjuntivites secas, queratopatias bolhosas, queratopatias neurotróficas ( paralisia de um ramo do nervo trigeminal). Praticamente todo cachorro com úlcera corneal sofre com dores cronicas, blefaroespasmos, epífora, descarga ocular purulenta, fotofobia, miose, edema corneal, e perda da transparência da córnea.

E toda vez que houver algumas das condições acima, é inprescindível se colorir os olhos do cachorro com tintura de fluoresceína, a fluoresceína possui solubilidade aquosa e se difunde e se fixa em meio aquoso, e após o diagnóstico diferencial, é necessário fazer-se um transplante corneal penetrante a fim de curar o problema. Entretanto alguns transplantes sofrem rejeição, mesmo sob a ação da ciclosporina tópica, acarretando perda da transparência no local do transplante, porém o cachorro permanece sem dor, o que por si só já é o sufiênte para se tentar a cirurgia. As queratites fúngicas tem que sofrer tratamento com drogas tópicas antifúngicas, como a Pimaricina ou Miconazole, e culturas para identificação de microorganismos são por vezes necessárias.

Da-se sempre preferência a utilização de antibióticos aminoglicosídeos pois por vezes (a maioria ) temos envolvimento de Pseudomonas aeruginosa, e esta bactéria associada à normal cicatrização produz ambas substâncias químicas conhecidas como proteases e também colagenases. Enzimas estas que digerem os tecidos e criam a figura comum em oftalmologia veterinária conhecida como melting córnea, que quer dizer derretimento, pois o que ocorre é a liquefação dos tecidos. Os corticosteróides tópicos potencializam enormemente essas substâncias, diminuem a força da cicatrização, da regeneração epitelial, endotelial e atividade fibroblástica.

As úlceras corneais devem ser tratadas conforme sua severidade, e os meios de tratamento cirúrgicos incluem uma variada gama de procedimentos que incluem, tarssorrafia, cobertura com retalhos de membrana nictante, transposições corneoesclerais e cobertura com retalhos de conjuntiva. Nunca deixe de usar fluoresceína em olhos doloridos e reacionais, e trate as úlceras conforme sua gravidade, sempre lançando mão caso necessário de recursos cirúrgicos que podem salvar o olho acometido pela ulcera do cachorro. Para maiores informações e esclarecimentos, consulte um veterinário.



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