quarta-feira, abril 30, 2014

Programa de Reabilitação - Cachorros.


programa de Reabilitação - Cachorros:  Recentemente, alguns veículos da mídia divulgaram notícias de que o transplante de células cultivadas a partir de amostras da mucosa olfativa de cães na medula espinhal poderia restabelecer a capacidade de deambulação. Depois que se descobriu que existem linhagens de células capazes de se diferenciar em vários tipos de tecidos e algumas capazes de “estimular” a regeneração de outros tecidos, muitos estudos têm sido conduzidos com o intuito de restaurar tecidos danificados.

Isso poderia ser o apanágio para enfermidades e danos em tecidos com pouca capacidade regenerativa como a retina, o tecido neural, coração, rins e outros. Nestes tecidos, os danos geram cicatrizes; e cicatrizes não possuem as mesmas propriedades funcionais do tecido original. Isso resulta em déficit, que não raro, culmina com a morte ou perda daquela função.

Uma grande dificuldade que os pesquisadores enfrentam no uso de células tronco é identificar que estímulo leva aquela célula tronco a se diferenciar em um tecido específico: o que faz com que ela se diferencie em células de miocárdio, de tecido nervoso ou outro qualquer; já que a célula tronco é a base, a precursora de todas as outras….

A reportagem em questão não faz alusão a células tronco, ainda que muitos possam assim pensar. A reportagem se refere à interferência que as células da mucosa olfativa têm sobre a regeneração do tecido nervoso especificamente. Estudos anteriores evidenciaram a influência desta linhagem de células sobre a atividade regenerativa do tecido nervoso.

No presente estudo, publicado na revista Brain, volume de novembro de 2012, realizado pela Universidade de Cambridge, 34 cães com paralisia total dos membros posteriores há mais de três meses foram submetidos a um teste que consistia na injeção de células da mucosa olfativa no foco da lesão medular. Alguns animais foram tratados com as células e outros simplesmente receberam placebo. O estudo foi muito rigoroso e cuidadosamente conduzido para aumentar a confiabilidade dos resultados.

“Os resultados demonstraram grande melhora na capacidade de deambulação nos animais que receberam o ‘enxerto’ de células olfativas no local da lesão da medula.” Isto foi o que se divulgou na mídia.

Para a medicina veterinária isto poderia, por si só, constituir um grande avanço. E o é! Tanto para a veterinária quanto para a medicina humana. Entretanto, alguns pontos não foram divulgados pela mídia: os mecanismos que fazem os cães e os humanos caminharem são um pouco diferentes: os cães necessitam pouco ou nada da atividade cerebral para andar; enquanto que os humanos necessitam de muita atividade e conectividade cérebro-medula para caminhar. Se um cão tiver conectividade medular ele consegue andar, ainda que não perfeitamente, sem precisar de atividade cortical cerebral para isso.

Os resultados do trabalho que desencadearam estas reportagens demonstraram que apesar dos animais terem melhorado muito sua capacidade de locomoção, ou seja, conseguiram “voltar a andar”, não foi possível registrar, nesses animais, melhora na comunicação entre o cérebro e a periferia. Isto significa que, ainda que se tenha observado melhora nesses animais, em humanos talvez não houvesse a capacidade de locomoção. Os autores da pesquisa sugerem que as células transplantadas, mais que regenerar as áreas afetadas da medula tenham propiciado “brotamentos” dos neurônios danificados e que estes possam ter restabelecido alguma atividade medular, mas não a comunicação entre os tratos medulares e o cérebro.

Ainda que os resultados não sejam tão animadores eles o são sim! Os animais voltaram a caminhar. Para que humanos voltem a caminhar, outros estudos e descobertas serão necessários.

Outro ponto que não foi divulgado nas reportagens foi o trabalho e custo do processo. Todo o processo, desde a colheita das células da mucosa olfativa até o enxerto na medula levou aproximadamente 4 semanas. As células foram colhidas da mucosa do seio frontal e depois preparadas e cultivadas por várias semanas até que se multiplicassem e pudessem constituir número suficiente para o enxerto. Foram enxertadas cerca de 5 milhões de células. Os custos e processos envolvidos na cultura dessas células inviabiliza a aplicação desta técnica como rotina na medicina veterinária nos dias de hoje.

Ter um paciente para ou tetraplégico em casa, seja um cão ou uma pessoa é extremamente desgastante. Um ser que antes podia fazer tudo ou quase tudo sozinho agora passa a depender das pessoas para muitas atividades que antes passavam despercebidas. Os gastos com cuidados paralelos por causa do decúbito prolongado ou infecções decorrentes da retenção ou incontinência urinária são muito elevados.

Em cães a principal causa de doenças medulares é a hérnia de disco. Há diversos tipos de hérnia que podem acometer cães e gatos de diferentes portes e idades. O mais comum acomete animais pequenos e médios, com idade entre 4 e 7 anos. O pronto atendimento e tratamento, quase sempre cirúrgico, são essenciais para a reabilitação; ainda que em alguns casos o resultado não seja satisfatório. O animal não volta a caminhar ou permanece com importantes déficits.

As chances de restabelecimento das lesões medulares por hérnia de disco na medula toraco-lombar giram em torno de 80 – 85%.

Passado algum tempo da hérnia a medula se degenera e restabelecer a atividade motora é bem mais difícil. A hérnia de disco pode ter duas manifestações:

- crônica: o animal começa a ficar incoordenado com os membros posteriores. Essa fase inicial às vezes passa despercebida ou só é notada quando o paciente está muito incoordenado. O próximo evento é a perda da atividade motora voluntária (não consegue se locomover); depois vem a retenção urinária e por último, a perda da sensibilidade dolorosa. Este tipo de manifestação pode causar dor na coluna, mas nem sempre isso é identificado pelo tutor.

- aguda: animal apresenta paralisia súbita, retenção urinária com ou sem perda da sensibilidade dolorosa. Nestes casos a dor na coluna é mais notória.

O diagnóstico de hérnia de disco é clínico e obrigatoriamente requer exames complementares: raios x, tomografia ou ressonância. O exame radiográfico e a tomografia geralmente precisam ser contrastados. Nos casos em que há paralisia, obrigatoriamente o tratamento é cirúrgico. Após a cirurgia é essencial que o animal passe por um programa de reabilitação (fisioterapia) que vai enfatizar a recuperação do equilíbrio, restabelecer as vias da medula responsáveis pelos movimentos e coordenação e restaurar a massa muscular.

Atividade Cortical Cerebral - Cachorros.


Atividade Cortical Cerebral - Cachorros:  Recentemente, alguns veículos da mídia divulgaram notícias de que o transplante de células cultivadas a partir de amostras da mucosa olfativa de cães na medula espinhal poderia restabelecer a capacidade de deambulação. Depois que se descobriu que existem linhagens de células capazes de se diferenciar em vários tipos de tecidos e algumas capazes de “estimular” a regeneração de outros tecidos, muitos estudos têm sido conduzidos com o intuito de restaurar tecidos danificados.

Isso poderia ser o apanágio para enfermidades e danos em tecidos com pouca capacidade regenerativa como a retina, o tecido neural, coração, rins e outros. Nestes tecidos, os danos geram cicatrizes; e cicatrizes não possuem as mesmas propriedades funcionais do tecido original. Isso resulta em déficit, que não raro, culmina com a morte ou perda daquela função.

Uma grande dificuldade que os pesquisadores enfrentam no uso de células tronco é identificar que estímulo leva aquela célula tronco a se diferenciar em um tecido específico: o que faz com que ela se diferencie em células de miocárdio, de tecido nervoso ou outro qualquer; já que a célula tronco é a base, a precursora de todas as outras….

A reportagem em questão não faz alusão a células tronco, ainda que muitos possam assim pensar. A reportagem se refere à interferência que as células da mucosa olfativa têm sobre a regeneração do tecido nervoso especificamente. Estudos anteriores evidenciaram a influência desta linhagem de células sobre a atividade regenerativa do tecido nervoso.

No presente estudo, publicado na revista Brain, volume de novembro de 2012, realizado pela Universidade de Cambridge, 34 cães com paralisia total dos membros posteriores há mais de três meses foram submetidos a um teste que consistia na injeção de células da mucosa olfativa no foco da lesão medular. Alguns animais foram tratados com as células e outros simplesmente receberam placebo. O estudo foi muito rigoroso e cuidadosamente conduzido para aumentar a confiabilidade dos resultados.

“Os resultados demonstraram grande melhora na capacidade de deambulação nos animais que receberam o ‘enxerto’ de células olfativas no local da lesão da medula.” Isto foi o que se divulgou na mídia.

Para a medicina veterinária isto poderia, por si só, constituir um grande avanço. E o é! Tanto para a veterinária quanto para a medicina humana. Entretanto, alguns pontos não foram divulgados pela mídia: os mecanismos que fazem os cães e os humanos caminharem são um pouco diferentes: os cães necessitam pouco ou nada da atividade cerebral para andar; enquanto que os humanos necessitam de muita atividade e conectividade cérebro-medula para caminhar. Se um cão tiver conectividade medular ele consegue andar, ainda que não perfeitamente, sem precisar de atividade cortical cerebral para isso.

Os resultados do trabalho que desencadearam estas reportagens demonstraram que apesar dos animais terem melhorado muito sua capacidade de locomoção, ou seja, conseguiram “voltar a andar”, não foi possível registrar, nesses animais, melhora na comunicação entre o cérebro e a periferia. Isto significa que, ainda que se tenha observado melhora nesses animais, em humanos talvez não houvesse a capacidade de locomoção. Os autores da pesquisa sugerem que as células transplantadas, mais que regenerar as áreas afetadas da medula tenham propiciado “brotamentos” dos neurônios danificados e que estes possam ter restabelecido alguma atividade medular, mas não a comunicação entre os tratos medulares e o cérebro.

Ainda que os resultados não sejam tão animadores eles o são sim! Os animais voltaram a caminhar. Para que humanos voltem a caminhar, outros estudos e descobertas serão necessários.

Outro ponto que não foi divulgado nas reportagens foi o trabalho e custo do processo. Todo o processo, desde a colheita das células da mucosa olfativa até o enxerto na medula levou aproximadamente 4 semanas. As células foram colhidas da mucosa do seio frontal e depois preparadas e cultivadas por várias semanas até que se multiplicassem e pudessem constituir número suficiente para o enxerto. Foram enxertadas cerca de 5 milhões de células. Os custos e processos envolvidos na cultura dessas células inviabiliza a aplicação desta técnica como rotina na medicina veterinária nos dias de hoje.

Ter um paciente para ou tetraplégico em casa, seja um cão ou uma pessoa é extremamente desgastante. Um ser que antes podia fazer tudo ou quase tudo sozinho agora passa a depender das pessoas para muitas atividades que antes passavam despercebidas. Os gastos com cuidados paralelos por causa do decúbito prolongado ou infecções decorrentes da retenção ou incontinência urinária são muito elevados.

Em cães a principal causa de doenças medulares é a hérnia de disco. Há diversos tipos de hérnia que podem acometer cães e gatos de diferentes portes e idades. O mais comum acomete animais pequenos e médios, com idade entre 4 e 7 anos. O pronto atendimento e tratamento, quase sempre cirúrgico, são essenciais para a reabilitação; ainda que em alguns casos o resultado não seja satisfatório. O animal não volta a caminhar ou permanece com importantes déficits.

As chances de restabelecimento das lesões medulares por hérnia de disco na medula toraco-lombar giram em torno de 80 – 85%.

Passado algum tempo da hérnia a medula se degenera e restabelecer a atividade motora é bem mais difícil. A hérnia de disco pode ter duas manifestações:

- crônica: o animal começa a ficar incoordenado com os membros posteriores. Essa fase inicial às vezes passa despercebida ou só é notada quando o paciente está muito incoordenado. O próximo evento é a perda da atividade motora voluntária (não consegue se locomover); depois vem a retenção urinária e por último, a perda da sensibilidade dolorosa. Este tipo de manifestação pode causar dor na coluna, mas nem sempre isso é identificado pelo tutor.

- aguda: animal apresenta paralisia súbita, retenção urinária com ou sem perda da sensibilidade dolorosa. Nestes casos a dor na coluna é mais notória.

O diagnóstico de hérnia de disco é clínico e obrigatoriamente requer exames complementares: raios x, tomografia ou ressonância. O exame radiográfico e a tomografia geralmente precisam ser contrastados. Nos casos em que há paralisia, obrigatoriamente o tratamento é cirúrgico. Após a cirurgia é essencial que o animal passe por um programa de reabilitação (fisioterapia) que vai enfatizar a recuperação do equilíbrio, restabelecer as vias da medula responsáveis pelos movimentos e coordenação e restaurar a massa muscular.

No Local da Lesão da Medula - Cachorros.


No Local da Lesão da Medula - Cachorros:  Recentemente, alguns veículos da mídia divulgaram notícias de que o transplante de células cultivadas a partir de amostras da mucosa olfativa de cães na medula espinhal poderia restabelecer a capacidade de deambulação. Depois que se descobriu que existem linhagens de células capazes de se diferenciar em vários tipos de tecidos e algumas capazes de “estimular” a regeneração de outros tecidos, muitos estudos têm sido conduzidos com o intuito de restaurar tecidos danificados.

Isso poderia ser o apanágio para enfermidades e danos em tecidos com pouca capacidade regenerativa como a retina, o tecido neural, coração, rins e outros. Nestes tecidos, os danos geram cicatrizes; e cicatrizes não possuem as mesmas propriedades funcionais do tecido original. Isso resulta em déficit, que não raro, culmina com a morte ou perda daquela função.

Uma grande dificuldade que os pesquisadores enfrentam no uso de células tronco é identificar que estímulo leva aquela célula tronco a se diferenciar em um tecido específico: o que faz com que ela se diferencie em células de miocárdio, de tecido nervoso ou outro qualquer; já que a célula tronco é a base, a precursora de todas as outras….

A reportagem em questão não faz alusão a células tronco, ainda que muitos possam assim pensar. A reportagem se refere à interferência que as células da mucosa olfativa têm sobre a regeneração do tecido nervoso especificamente. Estudos anteriores evidenciaram a influência desta linhagem de células sobre a atividade regenerativa do tecido nervoso.

No presente estudo, publicado na revista Brain, volume de novembro de 2012, realizado pela Universidade de Cambridge, 34 cães com paralisia total dos membros posteriores há mais de três meses foram submetidos a um teste que consistia na injeção de células da mucosa olfativa no foco da lesão medular. Alguns animais foram tratados com as células e outros simplesmente receberam placebo. O estudo foi muito rigoroso e cuidadosamente conduzido para aumentar a confiabilidade dos resultados.

“Os resultados demonstraram grande melhora na capacidade de deambulação nos animais que receberam o ‘enxerto’ de células olfativas no local da lesão da medula.” Isto foi o que se divulgou na mídia.

Para a medicina veterinária isto poderia, por si só, constituir um grande avanço. E o é! Tanto para a veterinária quanto para a medicina humana. Entretanto, alguns pontos não foram divulgados pela mídia: os mecanismos que fazem os cães e os humanos caminharem são um pouco diferentes: os cães necessitam pouco ou nada da atividade cerebral para andar; enquanto que os humanos necessitam de muita atividade e conectividade cérebro-medula para caminhar. Se um cão tiver conectividade medular ele consegue andar, ainda que não perfeitamente, sem precisar de atividade cortical cerebral para isso.

Os resultados do trabalho que desencadearam estas reportagens demonstraram que apesar dos animais terem melhorado muito sua capacidade de locomoção, ou seja, conseguiram “voltar a andar”, não foi possível registrar, nesses animais, melhora na comunicação entre o cérebro e a periferia. Isto significa que, ainda que se tenha observado melhora nesses animais, em humanos talvez não houvesse a capacidade de locomoção. Os autores da pesquisa sugerem que as células transplantadas, mais que regenerar as áreas afetadas da medula tenham propiciado “brotamentos” dos neurônios danificados e que estes possam ter restabelecido alguma atividade medular, mas não a comunicação entre os tratos medulares e o cérebro.

Ainda que os resultados não sejam tão animadores eles o são sim! Os animais voltaram a caminhar. Para que humanos voltem a caminhar, outros estudos e descobertas serão necessários.

Outro ponto que não foi divulgado nas reportagens foi o trabalho e custo do processo. Todo o processo, desde a colheita das células da mucosa olfativa até o enxerto na medula levou aproximadamente 4 semanas. As células foram colhidas da mucosa do seio frontal e depois preparadas e cultivadas por várias semanas até que se multiplicassem e pudessem constituir número suficiente para o enxerto. Foram enxertadas cerca de 5 milhões de células. Os custos e processos envolvidos na cultura dessas células inviabiliza a aplicação desta técnica como rotina na medicina veterinária nos dias de hoje.

Ter um paciente para ou tetraplégico em casa, seja um cão ou uma pessoa é extremamente desgastante. Um ser que antes podia fazer tudo ou quase tudo sozinho agora passa a depender das pessoas para muitas atividades que antes passavam despercebidas. Os gastos com cuidados paralelos por causa do decúbito prolongado ou infecções decorrentes da retenção ou incontinência urinária são muito elevados.

Em cães a principal causa de doenças medulares é a hérnia de disco. Há diversos tipos de hérnia que podem acometer cães e gatos de diferentes portes e idades. O mais comum acomete animais pequenos e médios, com idade entre 4 e 7 anos. O pronto atendimento e tratamento, quase sempre cirúrgico, são essenciais para a reabilitação; ainda que em alguns casos o resultado não seja satisfatório. O animal não volta a caminhar ou permanece com importantes déficits.

As chances de restabelecimento das lesões medulares por hérnia de disco na medula toraco-lombar giram em torno de 80 – 85%.

Passado algum tempo da hérnia a medula se degenera e restabelecer a atividade motora é bem mais difícil. A hérnia de disco pode ter duas manifestações:

- crônica: o animal começa a ficar incoordenado com os membros posteriores. Essa fase inicial às vezes passa despercebida ou só é notada quando o paciente está muito incoordenado. O próximo evento é a perda da atividade motora voluntária (não consegue se locomover); depois vem a retenção urinária e por último, a perda da sensibilidade dolorosa. Este tipo de manifestação pode causar dor na coluna, mas nem sempre isso é identificado pelo tutor.

- aguda: animal apresenta paralisia súbita, retenção urinária com ou sem perda da sensibilidade dolorosa. Nestes casos a dor na coluna é mais notória.

O diagnóstico de hérnia de disco é clínico e obrigatoriamente requer exames complementares: raios x, tomografia ou ressonância. O exame radiográfico e a tomografia geralmente precisam ser contrastados. Nos casos em que há paralisia, obrigatoriamente o tratamento é cirúrgico. Após a cirurgia é essencial que o animal passe por um programa de reabilitação (fisioterapia) que vai enfatizar a recuperação do equilíbrio, restabelecer as vias da medula responsáveis pelos movimentos e coordenação e restaurar a massa muscular.

O Estudo foi muito Rigoroso - Cachorros.


O Estudo foi muito Rigoroso - Cachorros:  Recentemente, alguns veículos da mídia divulgaram notícias de que o transplante de células cultivadas a partir de amostras da mucosa olfativa de cães na medula espinhal poderia restabelecer a capacidade de deambulação. Depois que se descobriu que existem linhagens de células capazes de se diferenciar em vários tipos de tecidos e algumas capazes de “estimular” a regeneração de outros tecidos, muitos estudos têm sido conduzidos com o intuito de restaurar tecidos danificados.

Isso poderia ser o apanágio para enfermidades e danos em tecidos com pouca capacidade regenerativa como a retina, o tecido neural, coração, rins e outros. Nestes tecidos, os danos geram cicatrizes; e cicatrizes não possuem as mesmas propriedades funcionais do tecido original. Isso resulta em déficit, que não raro, culmina com a morte ou perda daquela função.

Uma grande dificuldade que os pesquisadores enfrentam no uso de células tronco é identificar que estímulo leva aquela célula tronco a se diferenciar em um tecido específico: o que faz com que ela se diferencie em células de miocárdio, de tecido nervoso ou outro qualquer; já que a célula tronco é a base, a precursora de todas as outras….

A reportagem em questão não faz alusão a células tronco, ainda que muitos possam assim pensar. A reportagem se refere à interferência que as células da mucosa olfativa têm sobre a regeneração do tecido nervoso especificamente. Estudos anteriores evidenciaram a influência desta linhagem de células sobre a atividade regenerativa do tecido nervoso.

No presente estudo, publicado na revista Brain, volume de novembro de 2012, realizado pela Universidade de Cambridge, 34 cães com paralisia total dos membros posteriores há mais de três meses foram submetidos a um teste que consistia na injeção de células da mucosa olfativa no foco da lesão medular. Alguns animais foram tratados com as células e outros simplesmente receberam placebo. O estudo foi muito rigoroso e cuidadosamente conduzido para aumentar a confiabilidade dos resultados.

“Os resultados demonstraram grande melhora na capacidade de deambulação nos animais que receberam o ‘enxerto’ de células olfativas no local da lesão da medula.” Isto foi o que se divulgou na mídia.

Para a medicina veterinária isto poderia, por si só, constituir um grande avanço. E o é! Tanto para a veterinária quanto para a medicina humana. Entretanto, alguns pontos não foram divulgados pela mídia: os mecanismos que fazem os cães e os humanos caminharem são um pouco diferentes: os cães necessitam pouco ou nada da atividade cerebral para andar; enquanto que os humanos necessitam de muita atividade e conectividade cérebro-medula para caminhar. Se um cão tiver conectividade medular ele consegue andar, ainda que não perfeitamente, sem precisar de atividade cortical cerebral para isso.

Os resultados do trabalho que desencadearam estas reportagens demonstraram que apesar dos animais terem melhorado muito sua capacidade de locomoção, ou seja, conseguiram “voltar a andar”, não foi possível registrar, nesses animais, melhora na comunicação entre o cérebro e a periferia. Isto significa que, ainda que se tenha observado melhora nesses animais, em humanos talvez não houvesse a capacidade de locomoção. Os autores da pesquisa sugerem que as células transplantadas, mais que regenerar as áreas afetadas da medula tenham propiciado “brotamentos” dos neurônios danificados e que estes possam ter restabelecido alguma atividade medular, mas não a comunicação entre os tratos medulares e o cérebro.

Ainda que os resultados não sejam tão animadores eles o são sim! Os animais voltaram a caminhar. Para que humanos voltem a caminhar, outros estudos e descobertas serão necessários.

Outro ponto que não foi divulgado nas reportagens foi o trabalho e custo do processo. Todo o processo, desde a colheita das células da mucosa olfativa até o enxerto na medula levou aproximadamente 4 semanas. As células foram colhidas da mucosa do seio frontal e depois preparadas e cultivadas por várias semanas até que se multiplicassem e pudessem constituir número suficiente para o enxerto. Foram enxertadas cerca de 5 milhões de células. Os custos e processos envolvidos na cultura dessas células inviabiliza a aplicação desta técnica como rotina na medicina veterinária nos dias de hoje.

Ter um paciente para ou tetraplégico em casa, seja um cão ou uma pessoa é extremamente desgastante. Um ser que antes podia fazer tudo ou quase tudo sozinho agora passa a depender das pessoas para muitas atividades que antes passavam despercebidas. Os gastos com cuidados paralelos por causa do decúbito prolongado ou infecções decorrentes da retenção ou incontinência urinária são muito elevados.

Em cães a principal causa de doenças medulares é a hérnia de disco. Há diversos tipos de hérnia que podem acometer cães e gatos de diferentes portes e idades. O mais comum acomete animais pequenos e médios, com idade entre 4 e 7 anos. O pronto atendimento e tratamento, quase sempre cirúrgico, são essenciais para a reabilitação; ainda que em alguns casos o resultado não seja satisfatório. O animal não volta a caminhar ou permanece com importantes déficits.

As chances de restabelecimento das lesões medulares por hérnia de disco na medula toraco-lombar giram em torno de 80 – 85%.

Passado algum tempo da hérnia a medula se degenera e restabelecer a atividade motora é bem mais difícil. A hérnia de disco pode ter duas manifestações:

- crônica: o animal começa a ficar incoordenado com os membros posteriores. Essa fase inicial às vezes passa despercebida ou só é notada quando o paciente está muito incoordenado. O próximo evento é a perda da atividade motora voluntária (não consegue se locomover); depois vem a retenção urinária e por último, a perda da sensibilidade dolorosa. Este tipo de manifestação pode causar dor na coluna, mas nem sempre isso é identificado pelo tutor.

- aguda: animal apresenta paralisia súbita, retenção urinária com ou sem perda da sensibilidade dolorosa. Nestes casos a dor na coluna é mais notória.

O diagnóstico de hérnia de disco é clínico e obrigatoriamente requer exames complementares: raios x, tomografia ou ressonância. O exame radiográfico e a tomografia geralmente precisam ser contrastados. Nos casos em que há paralisia, obrigatoriamente o tratamento é cirúrgico. Após a cirurgia é essencial que o animal passe por um programa de reabilitação (fisioterapia) que vai enfatizar a recuperação do equilíbrio, restabelecer as vias da medula responsáveis pelos movimentos e coordenação e restaurar a massa muscular.

Injeção de Células da Mucosa Olfativa - Cachorros.


Injeção de Células da Mucosa Olfativa - Cachorros:  Recentemente, alguns veículos da mídia divulgaram notícias de que o transplante de células cultivadas a partir de amostras da mucosa olfativa de cães na medula espinhal poderia restabelecer a capacidade de deambulação. Depois que se descobriu que existem linhagens de células capazes de se diferenciar em vários tipos de tecidos e algumas capazes de “estimular” a regeneração de outros tecidos, muitos estudos têm sido conduzidos com o intuito de restaurar tecidos danificados.

Isso poderia ser o apanágio para enfermidades e danos em tecidos com pouca capacidade regenerativa como a retina, o tecido neural, coração, rins e outros. Nestes tecidos, os danos geram cicatrizes; e cicatrizes não possuem as mesmas propriedades funcionais do tecido original. Isso resulta em déficit, que não raro, culmina com a morte ou perda daquela função.

Uma grande dificuldade que os pesquisadores enfrentam no uso de células tronco é identificar que estímulo leva aquela célula tronco a se diferenciar em um tecido específico: o que faz com que ela se diferencie em células de miocárdio, de tecido nervoso ou outro qualquer; já que a célula tronco é a base, a precursora de todas as outras….

A reportagem em questão não faz alusão a células tronco, ainda que muitos possam assim pensar. A reportagem se refere à interferência que as células da mucosa olfativa têm sobre a regeneração do tecido nervoso especificamente. Estudos anteriores evidenciaram a influência desta linhagem de células sobre a atividade regenerativa do tecido nervoso.

No presente estudo, publicado na revista Brain, volume de novembro de 2012, realizado pela Universidade de Cambridge, 34 cães com paralisia total dos membros posteriores há mais de três meses foram submetidos a um teste que consistia na injeção de células da mucosa olfativa no foco da lesão medular. Alguns animais foram tratados com as células e outros simplesmente receberam placebo. O estudo foi muito rigoroso e cuidadosamente conduzido para aumentar a confiabilidade dos resultados.

“Os resultados demonstraram grande melhora na capacidade de deambulação nos animais que receberam o ‘enxerto’ de células olfativas no local da lesão da medula.” Isto foi o que se divulgou na mídia.

Para a medicina veterinária isto poderia, por si só, constituir um grande avanço. E o é! Tanto para a veterinária quanto para a medicina humana. Entretanto, alguns pontos não foram divulgados pela mídia: os mecanismos que fazem os cães e os humanos caminharem são um pouco diferentes: os cães necessitam pouco ou nada da atividade cerebral para andar; enquanto que os humanos necessitam de muita atividade e conectividade cérebro-medula para caminhar. Se um cão tiver conectividade medular ele consegue andar, ainda que não perfeitamente, sem precisar de atividade cortical cerebral para isso.

Os resultados do trabalho que desencadearam estas reportagens demonstraram que apesar dos animais terem melhorado muito sua capacidade de locomoção, ou seja, conseguiram “voltar a andar”, não foi possível registrar, nesses animais, melhora na comunicação entre o cérebro e a periferia. Isto significa que, ainda que se tenha observado melhora nesses animais, em humanos talvez não houvesse a capacidade de locomoção. Os autores da pesquisa sugerem que as células transplantadas, mais que regenerar as áreas afetadas da medula tenham propiciado “brotamentos” dos neurônios danificados e que estes possam ter restabelecido alguma atividade medular, mas não a comunicação entre os tratos medulares e o cérebro.

Ainda que os resultados não sejam tão animadores eles o são sim! Os animais voltaram a caminhar. Para que humanos voltem a caminhar, outros estudos e descobertas serão necessários.

Outro ponto que não foi divulgado nas reportagens foi o trabalho e custo do processo. Todo o processo, desde a colheita das células da mucosa olfativa até o enxerto na medula levou aproximadamente 4 semanas. As células foram colhidas da mucosa do seio frontal e depois preparadas e cultivadas por várias semanas até que se multiplicassem e pudessem constituir número suficiente para o enxerto. Foram enxertadas cerca de 5 milhões de células. Os custos e processos envolvidos na cultura dessas células inviabiliza a aplicação desta técnica como rotina na medicina veterinária nos dias de hoje.

Ter um paciente para ou tetraplégico em casa, seja um cão ou uma pessoa é extremamente desgastante. Um ser que antes podia fazer tudo ou quase tudo sozinho agora passa a depender das pessoas para muitas atividades que antes passavam despercebidas. Os gastos com cuidados paralelos por causa do decúbito prolongado ou infecções decorrentes da retenção ou incontinência urinária são muito elevados.

Em cães a principal causa de doenças medulares é a hérnia de disco. Há diversos tipos de hérnia que podem acometer cães e gatos de diferentes portes e idades. O mais comum acomete animais pequenos e médios, com idade entre 4 e 7 anos. O pronto atendimento e tratamento, quase sempre cirúrgico, são essenciais para a reabilitação; ainda que em alguns casos o resultado não seja satisfatório. O animal não volta a caminhar ou permanece com importantes déficits.

As chances de restabelecimento das lesões medulares por hérnia de disco na medula toraco-lombar giram em torno de 80 – 85%.

Passado algum tempo da hérnia a medula se degenera e restabelecer a atividade motora é bem mais difícil. A hérnia de disco pode ter duas manifestações:

- crônica: o animal começa a ficar incoordenado com os membros posteriores. Essa fase inicial às vezes passa despercebida ou só é notada quando o paciente está muito incoordenado. O próximo evento é a perda da atividade motora voluntária (não consegue se locomover); depois vem a retenção urinária e por último, a perda da sensibilidade dolorosa. Este tipo de manifestação pode causar dor na coluna, mas nem sempre isso é identificado pelo tutor.

- aguda: animal apresenta paralisia súbita, retenção urinária com ou sem perda da sensibilidade dolorosa. Nestes casos a dor na coluna é mais notória.

O diagnóstico de hérnia de disco é clínico e obrigatoriamente requer exames complementares: raios x, tomografia ou ressonância. O exame radiográfico e a tomografia geralmente precisam ser contrastados. Nos casos em que há paralisia, obrigatoriamente o tratamento é cirúrgico. Após a cirurgia é essencial que o animal passe por um programa de reabilitação (fisioterapia) que vai enfatizar a recuperação do equilíbrio, restabelecer as vias da medula responsáveis pelos movimentos e coordenação e restaurar a massa muscular.

Regeneração do Tecido Nervoso - Cachorros.


Regeneração do Tecido Nervoso - Cachorros:  Recentemente, alguns veículos da mídia divulgaram notícias de que o transplante de células cultivadas a partir de amostras da mucosa olfativa de cães na medula espinhal poderia restabelecer a capacidade de deambulação. Depois que se descobriu que existem linhagens de células capazes de se diferenciar em vários tipos de tecidos e algumas capazes de “estimular” a regeneração de outros tecidos, muitos estudos têm sido conduzidos com o intuito de restaurar tecidos danificados.

Isso poderia ser o apanágio para enfermidades e danos em tecidos com pouca capacidade regenerativa como a retina, o tecido neural, coração, rins e outros. Nestes tecidos, os danos geram cicatrizes; e cicatrizes não possuem as mesmas propriedades funcionais do tecido original. Isso resulta em déficit, que não raro, culmina com a morte ou perda daquela função.

Uma grande dificuldade que os pesquisadores enfrentam no uso de células tronco é identificar que estímulo leva aquela célula tronco a se diferenciar em um tecido específico: o que faz com que ela se diferencie em células de miocárdio, de tecido nervoso ou outro qualquer; já que a célula tronco é a base, a precursora de todas as outras….

A reportagem em questão não faz alusão a células tronco, ainda que muitos possam assim pensar. A reportagem se refere à interferência que as células da mucosa olfativa têm sobre a regeneração do tecido nervoso especificamente. Estudos anteriores evidenciaram a influência desta linhagem de células sobre a atividade regenerativa do tecido nervoso.

No presente estudo, publicado na revista Brain, volume de novembro de 2012, realizado pela Universidade de Cambridge, 34 cães com paralisia total dos membros posteriores há mais de três meses foram submetidos a um teste que consistia na injeção de células da mucosa olfativa no foco da lesão medular. Alguns animais foram tratados com as células e outros simplesmente receberam placebo. O estudo foi muito rigoroso e cuidadosamente conduzido para aumentar a confiabilidade dos resultados.

“Os resultados demonstraram grande melhora na capacidade de deambulação nos animais que receberam o ‘enxerto’ de células olfativas no local da lesão da medula.” Isto foi o que se divulgou na mídia.

Para a medicina veterinária isto poderia, por si só, constituir um grande avanço. E o é! Tanto para a veterinária quanto para a medicina humana. Entretanto, alguns pontos não foram divulgados pela mídia: os mecanismos que fazem os cães e os humanos caminharem são um pouco diferentes: os cães necessitam pouco ou nada da atividade cerebral para andar; enquanto que os humanos necessitam de muita atividade e conectividade cérebro-medula para caminhar. Se um cão tiver conectividade medular ele consegue andar, ainda que não perfeitamente, sem precisar de atividade cortical cerebral para isso.

Os resultados do trabalho que desencadearam estas reportagens demonstraram que apesar dos animais terem melhorado muito sua capacidade de locomoção, ou seja, conseguiram “voltar a andar”, não foi possível registrar, nesses animais, melhora na comunicação entre o cérebro e a periferia. Isto significa que, ainda que se tenha observado melhora nesses animais, em humanos talvez não houvesse a capacidade de locomoção. Os autores da pesquisa sugerem que as células transplantadas, mais que regenerar as áreas afetadas da medula tenham propiciado “brotamentos” dos neurônios danificados e que estes possam ter restabelecido alguma atividade medular, mas não a comunicação entre os tratos medulares e o cérebro.

Ainda que os resultados não sejam tão animadores eles o são sim! Os animais voltaram a caminhar. Para que humanos voltem a caminhar, outros estudos e descobertas serão necessários.

Outro ponto que não foi divulgado nas reportagens foi o trabalho e custo do processo. Todo o processo, desde a colheita das células da mucosa olfativa até o enxerto na medula levou aproximadamente 4 semanas. As células foram colhidas da mucosa do seio frontal e depois preparadas e cultivadas por várias semanas até que se multiplicassem e pudessem constituir número suficiente para o enxerto. Foram enxertadas cerca de 5 milhões de células. Os custos e processos envolvidos na cultura dessas células inviabiliza a aplicação desta técnica como rotina na medicina veterinária nos dias de hoje.

Ter um paciente para ou tetraplégico em casa, seja um cão ou uma pessoa é extremamente desgastante. Um ser que antes podia fazer tudo ou quase tudo sozinho agora passa a depender das pessoas para muitas atividades que antes passavam despercebidas. Os gastos com cuidados paralelos por causa do decúbito prolongado ou infecções decorrentes da retenção ou incontinência urinária são muito elevados.

Em cães a principal causa de doenças medulares é a hérnia de disco. Há diversos tipos de hérnia que podem acometer cães e gatos de diferentes portes e idades. O mais comum acomete animais pequenos e médios, com idade entre 4 e 7 anos. O pronto atendimento e tratamento, quase sempre cirúrgico, são essenciais para a reabilitação; ainda que em alguns casos o resultado não seja satisfatório. O animal não volta a caminhar ou permanece com importantes déficits.

As chances de restabelecimento das lesões medulares por hérnia de disco na medula toraco-lombar giram em torno de 80 – 85%.

Passado algum tempo da hérnia a medula se degenera e restabelecer a atividade motora é bem mais difícil. A hérnia de disco pode ter duas manifestações:

- crônica: o animal começa a ficar incoordenado com os membros posteriores. Essa fase inicial às vezes passa despercebida ou só é notada quando o paciente está muito incoordenado. O próximo evento é a perda da atividade motora voluntária (não consegue se locomover); depois vem a retenção urinária e por último, a perda da sensibilidade dolorosa. Este tipo de manifestação pode causar dor na coluna, mas nem sempre isso é identificado pelo tutor.

- aguda: animal apresenta paralisia súbita, retenção urinária com ou sem perda da sensibilidade dolorosa. Nestes casos a dor na coluna é mais notória.

O diagnóstico de hérnia de disco é clínico e obrigatoriamente requer exames complementares: raios x, tomografia ou ressonância. O exame radiográfico e a tomografia geralmente precisam ser contrastados. Nos casos em que há paralisia, obrigatoriamente o tratamento é cirúrgico. Após a cirurgia é essencial que o animal passe por um programa de reabilitação (fisioterapia) que vai enfatizar a recuperação do equilíbrio, restabelecer as vias da medula responsáveis pelos movimentos e coordenação e restaurar a massa muscular.

Células Tronco - Cachorros.


Células Tronco - Cachorros:  Recentemente, alguns veículos da mídia divulgaram notícias de que o transplante de células cultivadas a partir de amostras da mucosa olfativa de cães na medula espinhal poderia restabelecer a capacidade de deambulação. Depois que se descobriu que existem linhagens de células capazes de se diferenciar em vários tipos de tecidos e algumas capazes de “estimular” a regeneração de outros tecidos, muitos estudos têm sido conduzidos com o intuito de restaurar tecidos danificados.

Isso poderia ser o apanágio para enfermidades e danos em tecidos com pouca capacidade regenerativa como a retina, o tecido neural, coração, rins e outros. Nestes tecidos, os danos geram cicatrizes; e cicatrizes não possuem as mesmas propriedades funcionais do tecido original. Isso resulta em déficit, que não raro, culmina com a morte ou perda daquela função.

Uma grande dificuldade que os pesquisadores enfrentam no uso de células tronco é identificar que estímulo leva aquela célula tronco a se diferenciar em um tecido específico: o que faz com que ela se diferencie em células de miocárdio, de tecido nervoso ou outro qualquer; já que a célula tronco é a base, a precursora de todas as outras….

A reportagem em questão não faz alusão a células tronco, ainda que muitos possam assim pensar. A reportagem se refere à interferência que as células da mucosa olfativa têm sobre a regeneração do tecido nervoso especificamente. Estudos anteriores evidenciaram a influência desta linhagem de células sobre a atividade regenerativa do tecido nervoso.

No presente estudo, publicado na revista Brain, volume de novembro de 2012, realizado pela Universidade de Cambridge, 34 cães com paralisia total dos membros posteriores há mais de três meses foram submetidos a um teste que consistia na injeção de células da mucosa olfativa no foco da lesão medular. Alguns animais foram tratados com as células e outros simplesmente receberam placebo. O estudo foi muito rigoroso e cuidadosamente conduzido para aumentar a confiabilidade dos resultados.

“Os resultados demonstraram grande melhora na capacidade de deambulação nos animais que receberam o ‘enxerto’ de células olfativas no local da lesão da medula.” Isto foi o que se divulgou na mídia.

Para a medicina veterinária isto poderia, por si só, constituir um grande avanço. E o é! Tanto para a veterinária quanto para a medicina humana. Entretanto, alguns pontos não foram divulgados pela mídia: os mecanismos que fazem os cães e os humanos caminharem são um pouco diferentes: os cães necessitam pouco ou nada da atividade cerebral para andar; enquanto que os humanos necessitam de muita atividade e conectividade cérebro-medula para caminhar. Se um cão tiver conectividade medular ele consegue andar, ainda que não perfeitamente, sem precisar de atividade cortical cerebral para isso.

Os resultados do trabalho que desencadearam estas reportagens demonstraram que apesar dos animais terem melhorado muito sua capacidade de locomoção, ou seja, conseguiram “voltar a andar”, não foi possível registrar, nesses animais, melhora na comunicação entre o cérebro e a periferia. Isto significa que, ainda que se tenha observado melhora nesses animais, em humanos talvez não houvesse a capacidade de locomoção. Os autores da pesquisa sugerem que as células transplantadas, mais que regenerar as áreas afetadas da medula tenham propiciado “brotamentos” dos neurônios danificados e que estes possam ter restabelecido alguma atividade medular, mas não a comunicação entre os tratos medulares e o cérebro.

Ainda que os resultados não sejam tão animadores eles o são sim! Os animais voltaram a caminhar. Para que humanos voltem a caminhar, outros estudos e descobertas serão necessários.

Outro ponto que não foi divulgado nas reportagens foi o trabalho e custo do processo. Todo o processo, desde a colheita das células da mucosa olfativa até o enxerto na medula levou aproximadamente 4 semanas. As células foram colhidas da mucosa do seio frontal e depois preparadas e cultivadas por várias semanas até que se multiplicassem e pudessem constituir número suficiente para o enxerto. Foram enxertadas cerca de 5 milhões de células. Os custos e processos envolvidos na cultura dessas células inviabiliza a aplicação desta técnica como rotina na medicina veterinária nos dias de hoje.

Ter um paciente para ou tetraplégico em casa, seja um cão ou uma pessoa é extremamente desgastante. Um ser que antes podia fazer tudo ou quase tudo sozinho agora passa a depender das pessoas para muitas atividades que antes passavam despercebidas. Os gastos com cuidados paralelos por causa do decúbito prolongado ou infecções decorrentes da retenção ou incontinência urinária são muito elevados.

Em cães a principal causa de doenças medulares é a hérnia de disco. Há diversos tipos de hérnia que podem acometer cães e gatos de diferentes portes e idades. O mais comum acomete animais pequenos e médios, com idade entre 4 e 7 anos. O pronto atendimento e tratamento, quase sempre cirúrgico, são essenciais para a reabilitação; ainda que em alguns casos o resultado não seja satisfatório. O animal não volta a caminhar ou permanece com importantes déficits.

As chances de restabelecimento das lesões medulares por hérnia de disco na medula toraco-lombar giram em torno de 80 – 85%.

Passado algum tempo da hérnia a medula se degenera e restabelecer a atividade motora é bem mais difícil. A hérnia de disco pode ter duas manifestações:

- crônica: o animal começa a ficar incoordenado com os membros posteriores. Essa fase inicial às vezes passa despercebida ou só é notada quando o paciente está muito incoordenado. O próximo evento é a perda da atividade motora voluntária (não consegue se locomover); depois vem a retenção urinária e por último, a perda da sensibilidade dolorosa. Este tipo de manifestação pode causar dor na coluna, mas nem sempre isso é identificado pelo tutor.

- aguda: animal apresenta paralisia súbita, retenção urinária com ou sem perda da sensibilidade dolorosa. Nestes casos a dor na coluna é mais notória.

O diagnóstico de hérnia de disco é clínico e obrigatoriamente requer exames complementares: raios x, tomografia ou ressonância. O exame radiográfico e a tomografia geralmente precisam ser contrastados. Nos casos em que há paralisia, obrigatoriamente o tratamento é cirúrgico. Após a cirurgia é essencial que o animal passe por um programa de reabilitação (fisioterapia) que vai enfatizar a recuperação do equilíbrio, restabelecer as vias da medula responsáveis pelos movimentos e coordenação e restaurar a massa muscular.

Tecidos com Pouca Capacidade Regenerativa - Cachorros.


Tecidos com Pouca Capacidade Regenerativa - Cachorros:  Recentemente, alguns veículos da mídia divulgaram notícias de que o transplante de células cultivadas a partir de amostras da mucosa olfativa de cães na medula espinhal poderia restabelecer a capacidade de deambulação. Depois que se descobriu que existem linhagens de células capazes de se diferenciar em vários tipos de tecidos e algumas capazes de “estimular” a regeneração de outros tecidos, muitos estudos têm sido conduzidos com o intuito de restaurar tecidos danificados.

Isso poderia ser o apanágio para enfermidades e danos em tecidos com pouca capacidade regenerativa como a retina, o tecido neural, coração, rins e outros. Nestes tecidos, os danos geram cicatrizes; e cicatrizes não possuem as mesmas propriedades funcionais do tecido original. Isso resulta em déficit, que não raro, culmina com a morte ou perda daquela função.

Uma grande dificuldade que os pesquisadores enfrentam no uso de células tronco é identificar que estímulo leva aquela célula tronco a se diferenciar em um tecido específico: o que faz com que ela se diferencie em células de miocárdio, de tecido nervoso ou outro qualquer; já que a célula tronco é a base, a precursora de todas as outras….

A reportagem em questão não faz alusão a células tronco, ainda que muitos possam assim pensar. A reportagem se refere à interferência que as células da mucosa olfativa têm sobre a regeneração do tecido nervoso especificamente. Estudos anteriores evidenciaram a influência desta linhagem de células sobre a atividade regenerativa do tecido nervoso.

No presente estudo, publicado na revista Brain, volume de novembro de 2012, realizado pela Universidade de Cambridge, 34 cães com paralisia total dos membros posteriores há mais de três meses foram submetidos a um teste que consistia na injeção de células da mucosa olfativa no foco da lesão medular. Alguns animais foram tratados com as células e outros simplesmente receberam placebo. O estudo foi muito rigoroso e cuidadosamente conduzido para aumentar a confiabilidade dos resultados.

“Os resultados demonstraram grande melhora na capacidade de deambulação nos animais que receberam o ‘enxerto’ de células olfativas no local da lesão da medula.” Isto foi o que se divulgou na mídia.

Para a medicina veterinária isto poderia, por si só, constituir um grande avanço. E o é! Tanto para a veterinária quanto para a medicina humana. Entretanto, alguns pontos não foram divulgados pela mídia: os mecanismos que fazem os cães e os humanos caminharem são um pouco diferentes: os cães necessitam pouco ou nada da atividade cerebral para andar; enquanto que os humanos necessitam de muita atividade e conectividade cérebro-medula para caminhar. Se um cão tiver conectividade medular ele consegue andar, ainda que não perfeitamente, sem precisar de atividade cortical cerebral para isso.

Os resultados do trabalho que desencadearam estas reportagens demonstraram que apesar dos animais terem melhorado muito sua capacidade de locomoção, ou seja, conseguiram “voltar a andar”, não foi possível registrar, nesses animais, melhora na comunicação entre o cérebro e a periferia. Isto significa que, ainda que se tenha observado melhora nesses animais, em humanos talvez não houvesse a capacidade de locomoção. Os autores da pesquisa sugerem que as células transplantadas, mais que regenerar as áreas afetadas da medula tenham propiciado “brotamentos” dos neurônios danificados e que estes possam ter restabelecido alguma atividade medular, mas não a comunicação entre os tratos medulares e o cérebro.

Ainda que os resultados não sejam tão animadores eles o são sim! Os animais voltaram a caminhar. Para que humanos voltem a caminhar, outros estudos e descobertas serão necessários.

Outro ponto que não foi divulgado nas reportagens foi o trabalho e custo do processo. Todo o processo, desde a colheita das células da mucosa olfativa até o enxerto na medula levou aproximadamente 4 semanas. As células foram colhidas da mucosa do seio frontal e depois preparadas e cultivadas por várias semanas até que se multiplicassem e pudessem constituir número suficiente para o enxerto. Foram enxertadas cerca de 5 milhões de células. Os custos e processos envolvidos na cultura dessas células inviabiliza a aplicação desta técnica como rotina na medicina veterinária nos dias de hoje.

Ter um paciente para ou tetraplégico em casa, seja um cão ou uma pessoa é extremamente desgastante. Um ser que antes podia fazer tudo ou quase tudo sozinho agora passa a depender das pessoas para muitas atividades que antes passavam despercebidas. Os gastos com cuidados paralelos por causa do decúbito prolongado ou infecções decorrentes da retenção ou incontinência urinária são muito elevados.

Em cães a principal causa de doenças medulares é a hérnia de disco. Há diversos tipos de hérnia que podem acometer cães e gatos de diferentes portes e idades. O mais comum acomete animais pequenos e médios, com idade entre 4 e 7 anos. O pronto atendimento e tratamento, quase sempre cirúrgico, são essenciais para a reabilitação; ainda que em alguns casos o resultado não seja satisfatório. O animal não volta a caminhar ou permanece com importantes déficits.

As chances de restabelecimento das lesões medulares por hérnia de disco na medula toraco-lombar giram em torno de 80 – 85%.

Passado algum tempo da hérnia a medula se degenera e restabelecer a atividade motora é bem mais difícil. A hérnia de disco pode ter duas manifestações:

- crônica: o animal começa a ficar incoordenado com os membros posteriores. Essa fase inicial às vezes passa despercebida ou só é notada quando o paciente está muito incoordenado. O próximo evento é a perda da atividade motora voluntária (não consegue se locomover); depois vem a retenção urinária e por último, a perda da sensibilidade dolorosa. Este tipo de manifestação pode causar dor na coluna, mas nem sempre isso é identificado pelo tutor.

- aguda: animal apresenta paralisia súbita, retenção urinária com ou sem perda da sensibilidade dolorosa. Nestes casos a dor na coluna é mais notória.

O diagnóstico de hérnia de disco é clínico e obrigatoriamente requer exames complementares: raios x, tomografia ou ressonância. O exame radiográfico e a tomografia geralmente precisam ser contrastados. Nos casos em que há paralisia, obrigatoriamente o tratamento é cirúrgico. Após a cirurgia é essencial que o animal passe por um programa de reabilitação (fisioterapia) que vai enfatizar a recuperação do equilíbrio, restabelecer as vias da medula responsáveis pelos movimentos e coordenação e restaurar a massa muscular.

Restaurar Tecidos Danificados - Cachorros.


Restaurar Tecidos Danificados - Cachorros:  Recentemente, alguns veículos da mídia divulgaram notícias de que o transplante de células cultivadas a partir de amostras da mucosa olfativa de cães na medula espinhal poderia restabelecer a capacidade de deambulação. Depois que se descobriu que existem linhagens de células capazes de se diferenciar em vários tipos de tecidos e algumas capazes de “estimular” a regeneração de outros tecidos, muitos estudos têm sido conduzidos com o intuito de restaurar tecidos danificados.

Isso poderia ser o apanágio para enfermidades e danos em tecidos com pouca capacidade regenerativa como a retina, o tecido neural, coração, rins e outros. Nestes tecidos, os danos geram cicatrizes; e cicatrizes não possuem as mesmas propriedades funcionais do tecido original. Isso resulta em déficit, que não raro, culmina com a morte ou perda daquela função.

Uma grande dificuldade que os pesquisadores enfrentam no uso de células tronco é identificar que estímulo leva aquela célula tronco a se diferenciar em um tecido específico: o que faz com que ela se diferencie em células de miocárdio, de tecido nervoso ou outro qualquer; já que a célula tronco é a base, a precursora de todas as outras….

A reportagem em questão não faz alusão a células tronco, ainda que muitos possam assim pensar. A reportagem se refere à interferência que as células da mucosa olfativa têm sobre a regeneração do tecido nervoso especificamente. Estudos anteriores evidenciaram a influência desta linhagem de células sobre a atividade regenerativa do tecido nervoso.

No presente estudo, publicado na revista Brain, volume de novembro de 2012, realizado pela Universidade de Cambridge, 34 cães com paralisia total dos membros posteriores há mais de três meses foram submetidos a um teste que consistia na injeção de células da mucosa olfativa no foco da lesão medular. Alguns animais foram tratados com as células e outros simplesmente receberam placebo. O estudo foi muito rigoroso e cuidadosamente conduzido para aumentar a confiabilidade dos resultados.

“Os resultados demonstraram grande melhora na capacidade de deambulação nos animais que receberam o ‘enxerto’ de células olfativas no local da lesão da medula.” Isto foi o que se divulgou na mídia.

Para a medicina veterinária isto poderia, por si só, constituir um grande avanço. E o é! Tanto para a veterinária quanto para a medicina humana. Entretanto, alguns pontos não foram divulgados pela mídia: os mecanismos que fazem os cães e os humanos caminharem são um pouco diferentes: os cães necessitam pouco ou nada da atividade cerebral para andar; enquanto que os humanos necessitam de muita atividade e conectividade cérebro-medula para caminhar. Se um cão tiver conectividade medular ele consegue andar, ainda que não perfeitamente, sem precisar de atividade cortical cerebral para isso.

Os resultados do trabalho que desencadearam estas reportagens demonstraram que apesar dos animais terem melhorado muito sua capacidade de locomoção, ou seja, conseguiram “voltar a andar”, não foi possível registrar, nesses animais, melhora na comunicação entre o cérebro e a periferia. Isto significa que, ainda que se tenha observado melhora nesses animais, em humanos talvez não houvesse a capacidade de locomoção. Os autores da pesquisa sugerem que as células transplantadas, mais que regenerar as áreas afetadas da medula tenham propiciado “brotamentos” dos neurônios danificados e que estes possam ter restabelecido alguma atividade medular, mas não a comunicação entre os tratos medulares e o cérebro.

Ainda que os resultados não sejam tão animadores eles o são sim! Os animais voltaram a caminhar. Para que humanos voltem a caminhar, outros estudos e descobertas serão necessários.

Outro ponto que não foi divulgado nas reportagens foi o trabalho e custo do processo. Todo o processo, desde a colheita das células da mucosa olfativa até o enxerto na medula levou aproximadamente 4 semanas. As células foram colhidas da mucosa do seio frontal e depois preparadas e cultivadas por várias semanas até que se multiplicassem e pudessem constituir número suficiente para o enxerto. Foram enxertadas cerca de 5 milhões de células. Os custos e processos envolvidos na cultura dessas células inviabiliza a aplicação desta técnica como rotina na medicina veterinária nos dias de hoje.

Ter um paciente para ou tetraplégico em casa, seja um cão ou uma pessoa é extremamente desgastante. Um ser que antes podia fazer tudo ou quase tudo sozinho agora passa a depender das pessoas para muitas atividades que antes passavam despercebidas. Os gastos com cuidados paralelos por causa do decúbito prolongado ou infecções decorrentes da retenção ou incontinência urinária são muito elevados.

Em cães a principal causa de doenças medulares é a hérnia de disco. Há diversos tipos de hérnia que podem acometer cães e gatos de diferentes portes e idades. O mais comum acomete animais pequenos e médios, com idade entre 4 e 7 anos. O pronto atendimento e tratamento, quase sempre cirúrgico, são essenciais para a reabilitação; ainda que em alguns casos o resultado não seja satisfatório. O animal não volta a caminhar ou permanece com importantes déficits.

As chances de restabelecimento das lesões medulares por hérnia de disco na medula toraco-lombar giram em torno de 80 – 85%.

Passado algum tempo da hérnia a medula se degenera e restabelecer a atividade motora é bem mais difícil. A hérnia de disco pode ter duas manifestações:

- crônica: o animal começa a ficar incoordenado com os membros posteriores. Essa fase inicial às vezes passa despercebida ou só é notada quando o paciente está muito incoordenado. O próximo evento é a perda da atividade motora voluntária (não consegue se locomover); depois vem a retenção urinária e por último, a perda da sensibilidade dolorosa. Este tipo de manifestação pode causar dor na coluna, mas nem sempre isso é identificado pelo tutor.

- aguda: animal apresenta paralisia súbita, retenção urinária com ou sem perda da sensibilidade dolorosa. Nestes casos a dor na coluna é mais notória.

O diagnóstico de hérnia de disco é clínico e obrigatoriamente requer exames complementares: raios x, tomografia ou ressonância. O exame radiográfico e a tomografia geralmente precisam ser contrastados. Nos casos em que há paralisia, obrigatoriamente o tratamento é cirúrgico. Após a cirurgia é essencial que o animal passe por um programa de reabilitação (fisioterapia) que vai enfatizar a recuperação do equilíbrio, restabelecer as vias da medula responsáveis pelos movimentos e coordenação e restaurar a massa muscular.

Transplante de Células Cultivadas - Cachorros.


Transplante de Células Cultivadas - Cachorros:  Recentemente, alguns veículos da mídia divulgaram notícias de que o transplante de células cultivadas a partir de amostras da mucosa olfativa de cães na medula espinhal poderia restabelecer a capacidade de deambulação. Depois que se descobriu que existem linhagens de células capazes de se diferenciar em vários tipos de tecidos e algumas capazes de “estimular” a regeneração de outros tecidos, muitos estudos têm sido conduzidos com o intuito de restaurar tecidos danificados.

Isso poderia ser o apanágio para enfermidades e danos em tecidos com pouca capacidade regenerativa como a retina, o tecido neural, coração, rins e outros. Nestes tecidos, os danos geram cicatrizes; e cicatrizes não possuem as mesmas propriedades funcionais do tecido original. Isso resulta em déficit, que não raro, culmina com a morte ou perda daquela função.

Uma grande dificuldade que os pesquisadores enfrentam no uso de células tronco é identificar que estímulo leva aquela célula tronco a se diferenciar em um tecido específico: o que faz com que ela se diferencie em células de miocárdio, de tecido nervoso ou outro qualquer; já que a célula tronco é a base, a precursora de todas as outras….

A reportagem em questão não faz alusão a células tronco, ainda que muitos possam assim pensar. A reportagem se refere à interferência que as células da mucosa olfativa têm sobre a regeneração do tecido nervoso especificamente. Estudos anteriores evidenciaram a influência desta linhagem de células sobre a atividade regenerativa do tecido nervoso.

No presente estudo, publicado na revista Brain, volume de novembro de 2012, realizado pela Universidade de Cambridge, 34 cães com paralisia total dos membros posteriores há mais de três meses foram submetidos a um teste que consistia na injeção de células da mucosa olfativa no foco da lesão medular. Alguns animais foram tratados com as células e outros simplesmente receberam placebo. O estudo foi muito rigoroso e cuidadosamente conduzido para aumentar a confiabilidade dos resultados.

“Os resultados demonstraram grande melhora na capacidade de deambulação nos animais que receberam o ‘enxerto’ de células olfativas no local da lesão da medula.” Isto foi o que se divulgou na mídia.

Para a medicina veterinária isto poderia, por si só, constituir um grande avanço. E o é! Tanto para a veterinária quanto para a medicina humana. Entretanto, alguns pontos não foram divulgados pela mídia: os mecanismos que fazem os cães e os humanos caminharem são um pouco diferentes: os cães necessitam pouco ou nada da atividade cerebral para andar; enquanto que os humanos necessitam de muita atividade e conectividade cérebro-medula para caminhar. Se um cão tiver conectividade medular ele consegue andar, ainda que não perfeitamente, sem precisar de atividade cortical cerebral para isso.

Os resultados do trabalho que desencadearam estas reportagens demonstraram que apesar dos animais terem melhorado muito sua capacidade de locomoção, ou seja, conseguiram “voltar a andar”, não foi possível registrar, nesses animais, melhora na comunicação entre o cérebro e a periferia. Isto significa que, ainda que se tenha observado melhora nesses animais, em humanos talvez não houvesse a capacidade de locomoção. Os autores da pesquisa sugerem que as células transplantadas, mais que regenerar as áreas afetadas da medula tenham propiciado “brotamentos” dos neurônios danificados e que estes possam ter restabelecido alguma atividade medular, mas não a comunicação entre os tratos medulares e o cérebro.

Ainda que os resultados não sejam tão animadores eles o são sim! Os animais voltaram a caminhar. Para que humanos voltem a caminhar, outros estudos e descobertas serão necessários.

Outro ponto que não foi divulgado nas reportagens foi o trabalho e custo do processo. Todo o processo, desde a colheita das células da mucosa olfativa até o enxerto na medula levou aproximadamente 4 semanas. As células foram colhidas da mucosa do seio frontal e depois preparadas e cultivadas por várias semanas até que se multiplicassem e pudessem constituir número suficiente para o enxerto. Foram enxertadas cerca de 5 milhões de células. Os custos e processos envolvidos na cultura dessas células inviabiliza a aplicação desta técnica como rotina na medicina veterinária nos dias de hoje.

Ter um paciente para ou tetraplégico em casa, seja um cão ou uma pessoa é extremamente desgastante. Um ser que antes podia fazer tudo ou quase tudo sozinho agora passa a depender das pessoas para muitas atividades que antes passavam despercebidas. Os gastos com cuidados paralelos por causa do decúbito prolongado ou infecções decorrentes da retenção ou incontinência urinária são muito elevados.

Em cães a principal causa de doenças medulares é a hérnia de disco. Há diversos tipos de hérnia que podem acometer cães e gatos de diferentes portes e idades. O mais comum acomete animais pequenos e médios, com idade entre 4 e 7 anos. O pronto atendimento e tratamento, quase sempre cirúrgico, são essenciais para a reabilitação; ainda que em alguns casos o resultado não seja satisfatório. O animal não volta a caminhar ou permanece com importantes déficits.

As chances de restabelecimento das lesões medulares por hérnia de disco na medula toraco-lombar giram em torno de 80 – 85%.

Passado algum tempo da hérnia a medula se degenera e restabelecer a atividade motora é bem mais difícil. A hérnia de disco pode ter duas manifestações:

- crônica: o animal começa a ficar incoordenado com os membros posteriores. Essa fase inicial às vezes passa despercebida ou só é notada quando o paciente está muito incoordenado. O próximo evento é a perda da atividade motora voluntária (não consegue se locomover); depois vem a retenção urinária e por último, a perda da sensibilidade dolorosa. Este tipo de manifestação pode causar dor na coluna, mas nem sempre isso é identificado pelo tutor.

- aguda: animal apresenta paralisia súbita, retenção urinária com ou sem perda da sensibilidade dolorosa. Nestes casos a dor na coluna é mais notória.

O diagnóstico de hérnia de disco é clínico e obrigatoriamente requer exames complementares: raios x, tomografia ou ressonância. O exame radiográfico e a tomografia geralmente precisam ser contrastados. Nos casos em que há paralisia, obrigatoriamente o tratamento é cirúrgico. Após a cirurgia é essencial que o animal passe por um programa de reabilitação (fisioterapia) que vai enfatizar a recuperação do equilíbrio, restabelecer as vias da medula responsáveis pelos movimentos e coordenação e restaurar a massa muscular.

terça-feira, abril 29, 2014

Compra-los em uma Loja, como se Fosse uma Coisa - Cachorros.


Compra-los em uma Loja, como se Fosse uma Coisa - Cachorros:  Vejo feirinhas de adoção por toda a cidade. Os cães em suas gaiolinhas esperando que pessoas com alma gentil se comovam com seus olhos pidões: “me ame!”. Vejo feirinhas ousadas: passarelas, música, “festa!” e animais vestidos com fantasias para atrair as pessoas para a nobre causa da adoção, principalmente as crianças. Nesse ponto me pergunto: os fins justificam os meios?

Não questiono a utilidade e necessidade das feiras de adoção. Tais feiras são ordem do dia em um mundo em que abandonar seres vivos – humanos ou não – é algo trivial para certo número de pessoas, e não choca ao outro número que está insensibilizado por ler e ver repetidas vezes tal tipo de acontecimento. O que estou questionando é: existe algum limite ético até para as ações que visam como fim o bem estar animal?

A resposta me parece clara: sim, existe. Os animais existem por seus próprios propósitos, isto é, eles são fins e não meios. Não cabe aos não-humanos agradar aos humanos, mas, se eles o fazem, é porque sua natureza – simplesmente – nos comove. Mas a comoção está em nós, não é a intenção deles. Não é o cão com o olhar pidão que busca comover o humano, mas é o humano que se apieda do cão. Os animais não nos
devem nada: entreter-nos, fazer-nos companhia, nem sequer conviver conosco; agora, nós humanos lhes devemos muito.

Desde que o humano convive com não-humanos regularmente faz uso compulsório de suas capacidades: do burro que ajuda arar a terra ao cão que faz companhia. Na maioria das situações, forçamos esse convívio; em outras, ele parece ser razoável para ambas as partes envolvidas. O fato é: nós devemos aos animais. Nós devemos moralmente aos animais. Hoje gozamos o fruto do desenvolvimento da nossa
espécie graças à colaboração não raramente forçada das outras espécies, e já passou o tempo de reconhecer nossos abusos. Reconhecer não basta, precisamos aceitar o seguinte: os animais são como são, ajudaram-nos como espécie e como indivíduos: precisamos ser gratos.

Gratidão. O mínimo de gratidão que podemos oferecer aos animais é tratá-los com igualdade. A que se resume essa igualdade? Possibilitar ao máximo que cada espécie desfrute de sua especidade. Ao cão, que lhe seja possível a cachorridade, ao gato, sua gatidade, ao cavalo e ao burro, sua equinidade. Reconheçamos para as outras espécies o similar que lhes cabe do que a nós é conhecido como humanidade. Não precisamos de longos tratados filosóficos – como os sobre a tal humanidade – para procurar entender o que é a gatidade ou a cachorridade. Para isto, basta observar os animais fazerem aquilo que todos de sua espécie costumam fazer, e parecem gostar de fazer: a galinha que choca o ovo, o cão que fuça a terra, o gato com sua curiosidade, etc. Observar e deixar aos animais que sejam tais como são, que façam o que sempre foi de sua espécie fazer.

Vestir os animais com roupinhas de super-heróis, fazer desfiles, mimá-los com versões caninas e felinas de quitutes requisitados por nós humanos é especista. O pet-shop é especista. Há gente que chega ao cúmulo de tingir os pelos de seus pets (é assim que se refere a indústria”), submetê-los a perfumes, cosméticos e badulaques presos ao pelo. Antropomorfizar o animal é negá-lo de ser aquilo que ele é: não-humano.

É muito triste pensar que para um humano adotar um não-humano em condição precária, que necessita de cuidados individuais – pois qualquer não-humano também é um indivíduo, porque tem interesses – seja preciso forçar uma aproximação entre espécies que não existe. Ressaltar a inteligência dos cães, a personalidade dos gatos, etc. é um recurso desesperado.

Como disse Jeremy Bentham, filósofo: “Não importa se os animais são capazes de pensar, importa se são capazes de sofrer”. O que quero defender é: não se deve adotar um animal porque ele se parece com um humano em diversos pontos, e que aparentemente possui características humanas sem pecado, como quando dizem: “o cão é o mais fiel amigo”, como se no animal houvesse um depósito de moralidade ao qual devemos nos espelhar. Não há. Mesmo que façamos pelo bem, a antropomorfização do animal é especista.

Cada espécie é única e aquilo que nos aproxima como humanos de outras espécies não deve ser argumento para justificar um cuidado “especial” com elas. É justamente esse o tipo de argumento que leva as pessoas a amarem cães e gatos e continuarem a comer bacon. É pensar que algumas espécies de animais (mamíferos, principalmente) são tão parecidas conosco que devemos respeitá-las, quiçá aprender
com elas coisas do nosso passado animalesco, que a civilização nos fez esquecer, enquanto continuamos a fazer churrasco após churrasco. E quanto ao sofrimento, não há muita metafísica: todo ser com algum tipo de sistema nervoso é capaz de sofrer, não importa de quantas diferentes formas, intensidades e graus, esse sofrimento possa acontecer. Sofrer menos não justifica o sofrer, e ademais, como se pode medir a dor?

Não. Não é da natureza dos animais não-humanos se vestir para festas. Não. Não é da natureza dos animais não-humanos se perfumar. Não. Não é da natureza dos animais não-humanos desfilar em passarelas.

Adotar um animal só é justificável se for um ato para resgatar a ele sua condição animal, dotá-lo de sua dignidade enquanto espécie própria, com interesses específicos e com personalidade distinta. Adotar um animal é se comprometer a dotá-lo do máximo possível de sua integridade não-humana. Adotar um animal não é adquirir um objeto, não é adquirir uma coisa. Os pet-shops satisfazem muito mais a uma necessidade emocional dos tutores (que esfacelam suas intenções quando se dizem “donos” de algum ser não-humano) do que do animal. O animal precisa de comida, abrigo e proteção, e são ciosos de carinho – a carinho estou me referindo todo tipo de atenção, sentimental ou não, a esse ser -, não de chocolates caninos, perfumes para cães, e coleiras com guizos para gatos. Alguns precisam entender que animais não são coisas, não são acessórios como as top-models costumam carregar seus geneticamente modificados toy dogs em suas bolsas.

Qualquer pessoa que conceda dignidade e afeto verdadeiro aos animais terá uma opinião ruim sobre pet-shops. De forma alguma uma pessoa esclarecida sobre os aspectos éticos das relações entre humanos e não-humanos, que “ama” e respeita os animais, irá comprá-los em uma loja, como se fossem uma coisa. Tampouco irá se dirigir a uma feira de adoção pelo simples fato de talvez ser divertido levar o filho menor para ver o cachorrinho vestido de Batman. Uma pessoa ciosa dos seus deveres e dívida com as outras espécies animais do planeta dirigir-se-á à feira de adoção com a boa vontade de um libertador: uma alforria consciente e responsável a um ser historicamente oprimido e desconsiderado pelo simples fato de não ter nascido humano.

Não é Adquirir um Objeto, Não é Adquirir uma Coisa - Cachorros.


Não é Adquirir um Objeto, não é Adquirir uma Coisa - Cachorros:  Vejo feirinhas de adoção por toda a cidade. Os cães em suas gaiolinhas esperando que pessoas com alma gentil se comovam com seus olhos pidões: “me ame!”. Vejo feirinhas ousadas: passarelas, música, “festa!” e animais vestidos com fantasias para atrair as pessoas para a nobre causa da adoção, principalmente as crianças. Nesse ponto me pergunto: os fins justificam os meios?

Não questiono a utilidade e necessidade das feiras de adoção. Tais feiras são ordem do dia em um mundo em que abandonar seres vivos – humanos ou não – é algo trivial para certo número de pessoas, e não choca ao outro número que está insensibilizado por ler e ver repetidas vezes tal tipo de acontecimento. O que estou questionando é: existe algum limite ético até para as ações que visam como fim o bem estar animal?

A resposta me parece clara: sim, existe. Os animais existem por seus próprios propósitos, isto é, eles são fins e não meios. Não cabe aos não-humanos agradar aos humanos, mas, se eles o fazem, é porque sua natureza – simplesmente – nos comove. Mas a comoção está em nós, não é a intenção deles. Não é o cão com o olhar pidão que busca comover o humano, mas é o humano que se apieda do cão. Os animais não nos
devem nada: entreter-nos, fazer-nos companhia, nem sequer conviver conosco; agora, nós humanos lhes devemos muito.

Desde que o humano convive com não-humanos regularmente faz uso compulsório de suas capacidades: do burro que ajuda arar a terra ao cão que faz companhia. Na maioria das situações, forçamos esse convívio; em outras, ele parece ser razoável para ambas as partes envolvidas. O fato é: nós devemos aos animais. Nós devemos moralmente aos animais. Hoje gozamos o fruto do desenvolvimento da nossa
espécie graças à colaboração não raramente forçada das outras espécies, e já passou o tempo de reconhecer nossos abusos. Reconhecer não basta, precisamos aceitar o seguinte: os animais são como são, ajudaram-nos como espécie e como indivíduos: precisamos ser gratos.

Gratidão. O mínimo de gratidão que podemos oferecer aos animais é tratá-los com igualdade. A que se resume essa igualdade? Possibilitar ao máximo que cada espécie desfrute de sua especidade. Ao cão, que lhe seja possível a cachorridade, ao gato, sua gatidade, ao cavalo e ao burro, sua equinidade. Reconheçamos para as outras espécies o similar que lhes cabe do que a nós é conhecido como humanidade. Não precisamos de longos tratados filosóficos – como os sobre a tal humanidade – para procurar entender o que é a gatidade ou a cachorridade. Para isto, basta observar os animais fazerem aquilo que todos de sua espécie costumam fazer, e parecem gostar de fazer: a galinha que choca o ovo, o cão que fuça a terra, o gato com sua curiosidade, etc. Observar e deixar aos animais que sejam tais como são, que façam o que sempre foi de sua espécie fazer.

Vestir os animais com roupinhas de super-heróis, fazer desfiles, mimá-los com versões caninas e felinas de quitutes requisitados por nós humanos é especista. O pet-shop é especista. Há gente que chega ao cúmulo de tingir os pelos de seus pets (é assim que se refere a indústria”), submetê-los a perfumes, cosméticos e badulaques presos ao pelo. Antropomorfizar o animal é negá-lo de ser aquilo que ele é: não-humano.

É muito triste pensar que para um humano adotar um não-humano em condição precária, que necessita de cuidados individuais – pois qualquer não-humano também é um indivíduo, porque tem interesses – seja preciso forçar uma aproximação entre espécies que não existe. Ressaltar a inteligência dos cães, a personalidade dos gatos, etc. é um recurso desesperado.

Como disse Jeremy Bentham, filósofo: “Não importa se os animais são capazes de pensar, importa se são capazes de sofrer”. O que quero defender é: não se deve adotar um animal porque ele se parece com um humano em diversos pontos, e que aparentemente possui características humanas sem pecado, como quando dizem: “o cão é o mais fiel amigo”, como se no animal houvesse um depósito de moralidade ao qual devemos nos espelhar. Não há. Mesmo que façamos pelo bem, a antropomorfização do animal é especista.

Cada espécie é única e aquilo que nos aproxima como humanos de outras espécies não deve ser argumento para justificar um cuidado “especial” com elas. É justamente esse o tipo de argumento que leva as pessoas a amarem cães e gatos e continuarem a comer bacon. É pensar que algumas espécies de animais (mamíferos, principalmente) são tão parecidas conosco que devemos respeitá-las, quiçá aprender
com elas coisas do nosso passado animalesco, que a civilização nos fez esquecer, enquanto continuamos a fazer churrasco após churrasco. E quanto ao sofrimento, não há muita metafísica: todo ser com algum tipo de sistema nervoso é capaz de sofrer, não importa de quantas diferentes formas, intensidades e graus, esse sofrimento possa acontecer. Sofrer menos não justifica o sofrer, e ademais, como se pode medir a dor?

Não. Não é da natureza dos animais não-humanos se vestir para festas. Não. Não é da natureza dos animais não-humanos se perfumar. Não. Não é da natureza dos animais não-humanos desfilar em passarelas.

Adotar um animal só é justificável se for um ato para resgatar a ele sua condição animal, dotá-lo de sua dignidade enquanto espécie própria, com interesses específicos e com personalidade distinta. Adotar um animal é se comprometer a dotá-lo do máximo possível de sua integridade não-humana. Adotar um animal não é adquirir um objeto, não é adquirir uma coisa. Os pet-shops satisfazem muito mais a uma necessidade emocional dos tutores (que esfacelam suas intenções quando se dizem “donos” de algum ser não-humano) do que do animal. O animal precisa de comida, abrigo e proteção, e são ciosos de carinho – a carinho estou me referindo todo tipo de atenção, sentimental ou não, a esse ser -, não de chocolates caninos, perfumes para cães, e coleiras com guizos para gatos. Alguns precisam entender que animais não são coisas, não são acessórios como as top-models costumam carregar seus geneticamente modificados toy dogs em suas bolsas.

Qualquer pessoa que conceda dignidade e afeto verdadeiro aos animais terá uma opinião ruim sobre pet-shops. De forma alguma uma pessoa esclarecida sobre os aspectos éticos das relações entre humanos e não-humanos, que “ama” e respeita os animais, irá comprá-los em uma loja, como se fossem uma coisa. Tampouco irá se dirigir a uma feira de adoção pelo simples fato de talvez ser divertido levar o filho menor para ver o cachorrinho vestido de Batman. Uma pessoa ciosa dos seus deveres e dívida com as outras espécies animais do planeta dirigir-se-á à feira de adoção com a boa vontade de um libertador: uma alforria consciente e responsável a um ser historicamente oprimido e desconsiderado pelo simples fato de não ter nascido humano.

"O Cão é o Mais Fiel Amigo".


"O Cão é o Mais Fiel Amigo": Vejo feirinhas de adoção por toda a cidade. Os cães em suas gaiolinhas esperando que pessoas com alma gentil se comovam com seus olhos pidões: “me ame!”. Vejo feirinhas ousadas: passarelas, música, “festa!” e animais vestidos com fantasias para atrair as pessoas para a nobre causa da adoção, principalmente as crianças. Nesse ponto me pergunto: os fins justificam os meios?

Não questiono a utilidade e necessidade das feiras de adoção. Tais feiras são ordem do dia em um mundo em que abandonar seres vivos – humanos ou não – é algo trivial para certo número de pessoas, e não choca ao outro número que está insensibilizado por ler e ver repetidas vezes tal tipo de acontecimento. O que estou questionando é: existe algum limite ético até para as ações que visam como fim o bem estar animal?

A resposta me parece clara: sim, existe. Os animais existem por seus próprios propósitos, isto é, eles são fins e não meios. Não cabe aos não-humanos agradar aos humanos, mas, se eles o fazem, é porque sua natureza – simplesmente – nos comove. Mas a comoção está em nós, não é a intenção deles. Não é o cão com o olhar pidão que busca comover o humano, mas é o humano que se apieda do cão. Os animais não nos
devem nada: entreter-nos, fazer-nos companhia, nem sequer conviver conosco; agora, nós humanos lhes devemos muito.

Desde que o humano convive com não-humanos regularmente faz uso compulsório de suas capacidades: do burro que ajuda arar a terra ao cão que faz companhia. Na maioria das situações, forçamos esse convívio; em outras, ele parece ser razoável para ambas as partes envolvidas. O fato é: nós devemos aos animais. Nós devemos moralmente aos animais. Hoje gozamos o fruto do desenvolvimento da nossa
espécie graças à colaboração não raramente forçada das outras espécies, e já passou o tempo de reconhecer nossos abusos. Reconhecer não basta, precisamos aceitar o seguinte: os animais são como são, ajudaram-nos como espécie e como indivíduos: precisamos ser gratos.

Gratidão. O mínimo de gratidão que podemos oferecer aos animais é tratá-los com igualdade. A que se resume essa igualdade? Possibilitar ao máximo que cada espécie desfrute de sua especidade. Ao cão, que lhe seja possível a cachorridade, ao gato, sua gatidade, ao cavalo e ao burro, sua equinidade. Reconheçamos para as outras espécies o similar que lhes cabe do que a nós é conhecido como humanidade. Não precisamos de longos tratados filosóficos – como os sobre a tal humanidade – para procurar entender o que é a gatidade ou a cachorridade. Para isto, basta observar os animais fazerem aquilo que todos de sua espécie costumam fazer, e parecem gostar de fazer: a galinha que choca o ovo, o cão que fuça a terra, o gato com sua curiosidade, etc. Observar e deixar aos animais que sejam tais como são, que façam o que sempre foi de sua espécie fazer.

Vestir os animais com roupinhas de super-heróis, fazer desfiles, mimá-los com versões caninas e felinas de quitutes requisitados por nós humanos é especista. O pet-shop é especista. Há gente que chega ao cúmulo de tingir os pelos de seus pets (é assim que se refere a indústria”), submetê-los a perfumes, cosméticos e badulaques presos ao pelo. Antropomorfizar o animal é negá-lo de ser aquilo que ele é: não-humano.

É muito triste pensar que para um humano adotar um não-humano em condição precária, que necessita de cuidados individuais – pois qualquer não-humano também é um indivíduo, porque tem interesses – seja preciso forçar uma aproximação entre espécies que não existe. Ressaltar a inteligência dos cães, a personalidade dos gatos, etc. é um recurso desesperado.

Como disse Jeremy Bentham, filósofo: “Não importa se os animais são capazes de pensar, importa se são capazes de sofrer”. O que quero defender é: não se deve adotar um animal porque ele se parece com um humano em diversos pontos, e que aparentemente possui características humanas sem pecado, como quando dizem: “o cão é o mais fiel amigo”, como se no animal houvesse um depósito de moralidade ao qual devemos nos espelhar. Não há. Mesmo que façamos pelo bem, a antropomorfização do animal é especista.

Cada espécie é única e aquilo que nos aproxima como humanos de outras espécies não deve ser argumento para justificar um cuidado “especial” com elas. É justamente esse o tipo de argumento que leva as pessoas a amarem cães e gatos e continuarem a comer bacon. É pensar que algumas espécies de animais (mamíferos, principalmente) são tão parecidas conosco que devemos respeitá-las, quiçá aprender
com elas coisas do nosso passado animalesco, que a civilização nos fez esquecer, enquanto continuamos a fazer churrasco após churrasco. E quanto ao sofrimento, não há muita metafísica: todo ser com algum tipo de sistema nervoso é capaz de sofrer, não importa de quantas diferentes formas, intensidades e graus, esse sofrimento possa acontecer. Sofrer menos não justifica o sofrer, e ademais, como se pode medir a dor?

Não. Não é da natureza dos animais não-humanos se vestir para festas. Não. Não é da natureza dos animais não-humanos se perfumar. Não. Não é da natureza dos animais não-humanos desfilar em passarelas.

Adotar um animal só é justificável se for um ato para resgatar a ele sua condição animal, dotá-lo de sua dignidade enquanto espécie própria, com interesses específicos e com personalidade distinta. Adotar um animal é se comprometer a dotá-lo do máximo possível de sua integridade não-humana. Adotar um animal não é adquirir um objeto, não é adquirir uma coisa. Os pet-shops satisfazem muito mais a uma necessidade emocional dos tutores (que esfacelam suas intenções quando se dizem “donos” de algum ser não-humano) do que do animal. O animal precisa de comida, abrigo e proteção, e são ciosos de carinho – a carinho estou me referindo todo tipo de atenção, sentimental ou não, a esse ser -, não de chocolates caninos, perfumes para cães, e coleiras com guizos para gatos. Alguns precisam entender que animais não são coisas, não são acessórios como as top-models costumam carregar seus geneticamente modificados toy dogs em suas bolsas.

Qualquer pessoa que conceda dignidade e afeto verdadeiro aos animais terá uma opinião ruim sobre pet-shops. De forma alguma uma pessoa esclarecida sobre os aspectos éticos das relações entre humanos e não-humanos, que “ama” e respeita os animais, irá comprá-los em uma loja, como se fossem uma coisa. Tampouco irá se dirigir a uma feira de adoção pelo simples fato de talvez ser divertido levar o filho menor para ver o cachorrinho vestido de Batman. Uma pessoa ciosa dos seus deveres e dívida com as outras espécies animais do planeta dirigir-se-á à feira de adoção com a boa vontade de um libertador: uma alforria consciente e responsável a um ser historicamente oprimido e desconsiderado pelo simples fato de não ter nascido humano.

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