.

segunda-feira, janeiro 06, 2014

Cachorros Usina.


                                                         Cachorros Usina.


Embora, atualmente, o homem não espere do cachorro mais do que amizade e brincadeira, nem sempre foi assim. Na realidade, durante séculos, o cachorro foi utilizado como fonte de energia barata, como o cavalo e o burro. Isto não quer dizer que o cachorro fosse maltratado, mas apenas que tinha uma missão a cumprir. E tinha que ganhar o seu sustento...
Talvez seja necessário retornar aos gauleses para encontrar as origens das rodas de cachorro. Efetivamente, os gauleses colocavam os cachorros numa roda em chamas que descia por uma colina, atravessava o rio onde se apagava e subia pela encosta oposta. 


Este rito cruel simbolizava o mecanismo do raio...
A mais antiga alusão aos cachorros São Bernardo remonta ao ano de 1708, ano em que o eclesiástico Camos, administrador do hospício, fizera construir uma roda em que se colocava um cachorro para fazer girar os fusos. 
Por volta de 1800, o eclesiástico Murith deu-se conta de que alguns destes cachorros estavam suficientemente educados para carregarem uma pequena sela com duas vasilhas fechadas, irem com o empregado até os armazéns de la Pierre, a uma légua de distância, e voltarem com leite e manteiga. 


As rodas de cachorros multiplicaram-se a partir do século XVIII. Assim, entre as gravuras da Enciclopédia de Diderot, encontra-se a representação de uma roda de cachorro acoplada ao fole de uma forja. Deve-se levar em consideração que um cachorro de 30 kg que se desloque a 6 km/h, gera uma potência de 135 Watts... Mas eram principalmente os ferreiros, que fabricavam pregos de ferro forjado, que recorriam à energia canina. Segundo um estudo de Uri Zelbstein sobre os cachorros utilizados para esse fim (Métiers de Chien, de Uri Zelbstein, Historia, nA 467, nov. 1985, pp 70-77), em 1879 trabalhavam quatrocentos cachorros nas fábricas de pregos de Gespunsart, um povoado das Ardenas. 


Podiam ser vistos à entrada das forjas esperando que chegasse o seu "turno da roda". Quando, a cada três ou quatro horas, soava o apito, ocupavam o lugar da outra "equipe" que, então, recebia a sua recompensa em comida. Os cachorros eram, inicialmente, colocados na roda que acionava o fole. Os cães eram utilizados da mesma maneira pelos cuteleiros de Chatellerault e Bassigny (no norte da França): a crônica local conservou a memória dos últimos cães que ainda estavam em atividade nas vésperas da Segunda Guerra Mundial. Um desses animais, o Turco, ficou para a posteridade: em 1919 fazia girar uma roda em Dannemarie.


Os cachorros das oficinas de cutelaria de Thiers não tinham de que se queixar. A sua missão consistia em deitar-se sobre as pernas e as costas dos seus donos,
que trabalhavam deitados de bruços sobre a umidade.  Assim, não só serviam de contrapeso como também de cobertor. Ainda se pode ver um desses cães "aquecedores", Pornponnette, mantendo a tradição na casa dos cuteleiros de Thiers.
As rodas de cachorros também serviram para fazer girar moinhos e manteigueiras. Esta última utilização ocorria, principalmente, em Ternois, na cidadezinha francesa de Pas-de-Calais, bem como nos Países Baixos. As rodas utilizadas podiam medir mais de 2 metros de diâmetro.

COMPARTILHE A POSTAGEM.

.

.
.

Visualizações de página do mês passado