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sábado, maio 10, 2014

Abatedouro Canino.


Abatedouro Canino:  Andaram passando a faca na goela da cachorrada em São Paulo. Alguns policiais chegaram ao local do holocausto a tempo de tirar da coleira um exemplar canino bem robusto – um rottweiler. Era grande o tal bicho, quase um boi. Uma hipérbole-metáfora bem representativa, se alguém ousasse proferi-la naquele pátio imundo.
É fato que a nossa hodierna e humanista civilização de ascendência tupiniquim já está alegadamente desacostumada com o sacrifício. – Ah, foi-se o tempo em que a cena antropofágica era pop na quase extinta Mata Atlântica! 

Já não temos mais tupinambás nestas zonas e sem nossa velha guerra aborígene paramos de devorar uns aos outros! O tempo passou e nossa pulsão por sangue sacrificial é descontada lá no super (dizem os mais modernos). Ali se compra de tudo: desde o prosaico “coraçãozinho” de galinha, até os tipos mais viscerais: morcela, estômago, fígado. Ou, quem sabe, miolos e línguas. Até imagino a Ana Maria Braga embaixo da mesa, em pleno júbilo.

Foi curioso saber que a cena do abatedouro canino revoltou tanto. Aquelas imagens, de fato, eram lamentáveis. Eu pensei que o alarde fosse por causa da sujeira e do despreparo dos carnífices. Mas não era isso. O fato causal era mesmo a espécie do mamífero imolado: Canis familiaris.
Ora, que diferença faz! Um comensal de paladar menos aguçado nem notaria, já que, depois de morto, ninguém faz au-au. Aliás, mesmo antes do último golpe do verdugo, acredito que ovelhas e cães, para ficar numa só comparação, já estão em pé de igualdade. 

Lembro perfeitamente da cor do sangue que escorria da garganta da ovelha que um dos meus tios matou na minha frente, quando eu era bem jovem.
Com pouco esforço, consigo imaginar na mesma posição um cachorro de médio porte. Um cusco branco, então, fica igualzinho na foto. Os dois mamíferos, olhos expressivos e igual potencial para inspirarem modelos de pelúcia fofinhos, morrendo de cabeça para baixo.

Tomei ciência dos fatos ocorridos em São Paulo sem uma mínima alteração na minha palpitação ou pressão arterial. Muitos, porém, ofegaram e enrubesceram. Pesar, revolta ou vergonha? Será que escondem algum tipo de incompreensão sobre as suas próprias escolhas, debaixo das unhas ou também na goela? O problema é com o cão. Ele, não pode.
Fico com pena do cordeirinho, que até agora não sabe quando vai poder tirar uma folga. A vaquinha, já mais calejada, eu imagino que esteja aproveitando a época de danação dos cães para descansar. 

Para ela, enquanto estiverem confundindo devoção aos cães com devoração canina, está tudo ok. Afinal, a piedade e a adoração nunca chegaram ao seu cercado mesmo!
.Porém, já se antevê o sinal de que tudo não passou de um episódio maluco e logo o terror vai voltar para o curral. É que o tal rottweiler que encontraram no abatedouro, colega da turma nutritiva, não ia acabar na faca do magarefe. Ele era de estimação, ufa!

Intervenção Imediata da Policia - Cachorros.


Intervenção Imediata da Policia - Cachorros:  Quantas vezes já ficamos condoídos ao ouvir o cão do vizinho uivando ou latindo, expressando solidão, dor, angústia e desespero? Estes maus tratos contra animais podem ser solucionados através da intervenção imediata da polícia, sem mandado judicial, tendo em vista que, o pedido de uma liminar para resgate do bicho é o remédio utilizado, mas a espera pelo deferimento da medida, poderia custar a vida do animal.

Por isso, o papel das polícias civil e militar é importantíssimo. Lamentável, todavia, é que prevaleça no entendimento desses órgãos, a orientação ultrapassada de que, sem o mandado judicial, torna-se impossível prestar socorro ao animal. Os casos de insensibilidade se multiplicam e a autoridade policial, ao ser acionada, não se envolve, apesar da Constituição Federal permitir o arrombamento da casa ou do local onde esteja detido o animal quando das hipóte ses de prática de fragrante delito (Art. 5º, XI), que só poderá efetivamente ser averiguadas com a pronta e eficaz intervenção.

Dispõe o Art. 225, § 1º, VII: “Todos tem direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações” e que “Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao poder público: VII – proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais à crueldade”.

O Art. 32 da Lei 9605/1998 prescreve: “Praticar ato de abuso, maus tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos; Pena: detenção de três meses a um ano, e multa. O Decreto Federal 24.645/1934 dispõe no Art. 3º: Cons ideram-se maus tratos: I – praticar ato de abuso ou crueldade em qualquer animal; II – “manter animais em lugares antigiênicos ou que lhes impeçam a respiração, o movimento ou o descanso, ou os privem de ar e luz”.

Ora, para prestar socorro, o ingresso no domicílio é autorizado pela própria Constituição Federal. Para casos de proprietários que deixam seus animais (especialmente cães) expostos ao sol e chuva, em locais insalubres sobre seus próprios dejetos, onde não há luz suficiente e acorrentados provocando dor e angústia, é plausível invocar o dispositivo constitucional que prevê exceções ao princípio da inviolabilidade do lar, “salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro …” (Art. 5º, XI CF).

O socorro a que se refere o dispositivo constitucional não pode se restringir ao homem, mas estendido também aos animais que se achem em estado de perigo de vida e sofrimento. Desse modo, conclui-se que, dian te de tais casos de impossibilidade de comunicação com o proprietário do imóvel a tempo de poupar o animal do sofrimento e/ou da morte, deve ser cumprido o dispositivo constitucional, para abrir a porta da casa em que estiver o animal, adotando providências acautelatórias como: abrir a porta da casa com um chaveiro para depois fechá-la, fazê-lo na presença de três testemunhas, lavrar um termo no local retratando as condições em que se encontrava o animal, comunicar à circunscrição policial e levar o bicho a uma clínica veterinária, evitando-se assim, a configuração da violação de domicílio (Art. 150, CPB).



Prestar Socorro ao Animal - Cachorros.


Prestar Socorro ao Animal - Cachorros:  Quantas vezes já ficamos condoídos ao ouvir o cão do vizinho uivando ou latindo, expressando solidão, dor, angústia e desespero? Estes maus tratos contra animais podem ser solucionados através da intervenção imediata da polícia, sem mandado judicial, tendo em vista que, o pedido de uma liminar para resgate do bicho é o remédio utilizado, mas a espera pelo deferimento da medida, poderia custar a vida do animal.

Por isso, o papel das polícias civil e militar é importantíssimo. Lamentável, todavia, é que prevaleça no entendimento desses órgãos, a orientação ultrapassada de que, sem o mandado judicial, torna-se impossível prestar socorro ao animal. Os casos de insensibilidade se multiplicam e a autoridade policial, ao ser acionada, não se envolve, apesar da Constituição Federal permitir o arrombamento da casa ou do local onde esteja detido o animal quando das hipóte ses de prática de fragrante delito (Art. 5º, XI), que só poderá efetivamente ser averiguadas com a pronta e eficaz intervenção.

Dispõe o Art. 225, § 1º, VII: “Todos tem direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações” e que “Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao poder público: VII – proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais à crueldade”.

O Art. 32 da Lei 9605/1998 prescreve: “Praticar ato de abuso, maus tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos; Pena: detenção de três meses a um ano, e multa. O Decreto Federal 24.645/1934 dispõe no Art. 3º: Cons ideram-se maus tratos: I – praticar ato de abuso ou crueldade em qualquer animal; II – “manter animais em lugares antigiênicos ou que lhes impeçam a respiração, o movimento ou o descanso, ou os privem de ar e luz”.

Ora, para prestar socorro, o ingresso no domicílio é autorizado pela própria Constituição Federal. Para casos de proprietários que deixam seus animais (especialmente cães) expostos ao sol e chuva, em locais insalubres sobre seus próprios dejetos, onde não há luz suficiente e acorrentados provocando dor e angústia, é plausível invocar o dispositivo constitucional que prevê exceções ao princípio da inviolabilidade do lar, “salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro …” (Art. 5º, XI CF).

O socorro a que se refere o dispositivo constitucional não pode se restringir ao homem, mas estendido também aos animais que se achem em estado de perigo de vida e sofrimento. Desse modo, conclui-se que, dian te de tais casos de impossibilidade de comunicação com o proprietário do imóvel a tempo de poupar o animal do sofrimento e/ou da morte, deve ser cumprido o dispositivo constitucional, para abrir a porta da casa em que estiver o animal, adotando providências acautelatórias como: abrir a porta da casa com um chaveiro para depois fechá-la, fazê-lo na presença de três testemunhas, lavrar um termo no local retratando as condições em que se encontrava o animal, comunicar à circunscrição policial e levar o bicho a uma clínica veterinária, evitando-se assim, a configuração da violação de domicílio (Art. 150, CPB).



Sofrimento Físico e Mental ao Animal - Cachorros.


Sofrimento Físico e Mental ao Animal - Cachorros:  Experimentação animal é a prática cruenta de utilização de animais vivos ou recém-mortos com propósitos experimentais ou didáticos. Essa prática tornou-se padrão na medicina experimental desde que o fisiologista Claude Bernard assim o estabeleceu, em 1865. Desde então, houve poucos questionamentos quanto à validade desses métodos, os quais seguiram como referência na pesquisa acadêmica.

Tanto é assim que a definição do termo “pesquisa científica”, constante na Lei nº 11.794/2008, envolve o conceito de experimentação animal, supondo não poderem ambos ser dissociados. De acordo com a Lei nº 11.794/2008, Art. 1º, § 2º: “São consideradas como atividades de pesquisa científica todas aquelas relacionadas com ciência básica, ciência aplicada, desenvolvimento tecnológico, produção e controle da qualidade de drogas, medicamentos, alimentos, imunobiológicos, instrumentos, ou quaisquer outros testados em animais, conforme definido em regulamento próprio”.

As leis referentes à experimentação animal são, a saber, a Lei Federal nº 6.638/79, a Lei Federal nº 9.605/98, a Lei Estadual nº 11.977/05 e a já citada, recém-aprovada, Lei Federal nº 11.794/08 (Lei Arouca).

Todas essas leis partilham entre si o reconhecimento de que animais não são indivíduos nem sujeitos de direito, posto que autorizam sua utilização sob determinados critérios. Não são, portanto, leis de proteção animal, mas regulamentadoras de seu uso, sendo pouco aplicáveis em seu favor.

A história mostra que leis e ética nem sempre caminham juntas, e nem todas as leis são justas ou visam ao bem comum. Leis podem favorecer determinadas classes, determinadas etnias, determinados grupos econômicos, mas elas em si não expressam o estado de direito natural. As leis reconhecerem ou não direitos individuais não revela o real status do indivíduo.

Nesse sentido, faremos a seguir uma breve revisão sobre as leis relativas à experimentação animal.



Lei Federal nº 6.638/79

A referida lei, revogada pela Lei Federal nº 11.794/08, proibia a vivissecção em animais não devidamente anestesiados, ou que os procedimentos ocorressem em locais não apropriados, sem a supervisão de técnicos especializados, ou em presença de menores de idade. Obrigava também que animais que seriam vitimas de procedimentos permanecessem em biotério pelo tempo mínimo de 15 dias.

Apesar disso, a Lei 6.638 não era uma lei proibitiva, mas permissiva, visto que o texto do Artigo 1º deixava claro: “Fica permitida, em todo o território nacional, a vivissecção de animais, nos termos desta lei”. E se por um lado a lei valorizava a vivissecção, tornando-a “necessária”, por outro a total falta de fiscalização tornava-a ineficaz.

Com efeito, pergunte-se informalmente a qualquer grupo de estudantes universitários se estes presenciaram procedimentos realizados em animais sem anestesia, e a resposta invariavelmente seria positiva (assim como se encontrará grande número de respostas positivas quando se questionar sobre a prática de dissecções no ensino médio, antes de os estudantes completarem a maioridade).

Há, porém, a defesa pouco provável, mas bastante recorrente, de que a utilização de anestesias pode prejudicar a finalidade do experimento, sendo esta, pelo menos nesses casos, dispensável. Embora tal afirmação não encontre respaldo legal (e, na maioria das vezes, tampouco técnico), ela abre precedente para o não-cumprimento da lei. Também quanto às condições em que tais procedimentos ocorrem, ou seja, em ambientes de acesso restrito, estando o pesquisador/professor em condição hierárquica superior, não há significativo registro de denúncias referentes ao não uso de anestésicos, apesar do expressivo histórico informal. De toda maneira, o uso ou não de anestésicos pouco influencia a vivissecção pelo ponto de vista moral.

Por fim, a lei em questão não trazia definição do que seria um “local apropriado” para a realização de vivissecção e qual a formação necessária para o técnico especializado. Portanto, a aplicação também dessas exigências nunca pôde ser realizada.


Lei Federal nº 9.605/98

A Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/98) estabelece no artigo 32 detenção e multa para quem “Praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos” e continua em seu parágrafo primeiro: “Incorre nas mesmas penas quem realiza experiência dolorosa ou cruel em animal vivo, ainda que para fins didáticos ou científicos, quando existirem recursos alternativos”.

Embora esta lei venha sendo interpretada como supostamente proibitiva no que se refere ao uso prejudicial de animais na ciência e no ensino, sendo fato agravante a ocorrência de morte do animal (parágrafo segundo), a lei condiciona a proibição à existência de recursos alternativos, faltando, porém, definir em que circunstâncias determinado método será aceito como um recurso alternativo.

Por convenção internacional, a aceitação de determinado método como recurso alternativo depende da “validação” desse método, ou seja, esse método necessita ser reprodutível e os resultados obtidos devem ser não apenas agrupados, como comparáveis a um método considerado padrão. O método considerado padrão é, por convenção, mas sem nenhuma justificativa técnica, a experimentação animal.

Ou seja, todo método alternativo, para ser considerado válido, deve produzir resultados comparáveis aos que seriam obtidos com animais, mesmo que freqüentemente os resultados obtidos em animais não sejam comparáveis aos que seriam obtidos em seres humanos. Para validar métodos alternativos faz-se necessário equipará-los a métodos que jamais foram validados, condenando-os aos mesmos erros a que está sujeita a experimentação animal.

Por outro lado, um método inegavelmente lógico corre o risco de ser considerado não científico por não fazer seus resultados coincidirem com os obtidos em animais, o que ironicamente também se aplica a dados obtidos diretamente de seres humanos.

Mas, se desvencilhamos o pensamento científico da necessidade de uso de animais, um exercício mais epistemológico do que técnico, vemos que o objetivo da ciência médica é a busca da saúde humana e não a busca de status do cientista/pesquisador, o que pode ser medido pelo maior número de publicações científicas, de títulos acadêmicos, de prêmios da classe, de patentes etc.

De toda maneira, quando a lei proíbe a experimentação animal apenas no contexto da já existência de métodos alternativos, ela desobriga o cientista da necessidade de se empenhar no desenvolvimento de seus próprios métodos alternativos, delegando essa função a terceiros. Ora, o vivissector não pode utilizar a inexistência de recursos alternativos como desculpa, porque o fator limitante para a elaboração de métodos é principalmente o volume e a variedade de linhas de pesquisa existentes e possíveis. Não é possível a nenhum ser humano familiarizar-se com toda a produção científica de determinada instituição, quanto mais elaborar métodos substitutivos para o uso de animais em cada uma delas.

Cabe ao cientista interessado no desenvolvimento de determinada linha de pesquisa desenvolver um método que não utilize animais, e não esperar que outros os descubram. Se animais não fossem vistos como recursos, a ciência certamente não pararia, assim como não parou quando se criaram leis para regulamentar a pesquisa com seres humanos. O desenvolvimento de metodologias que não utilizem animais deve ser parte do trabalho do cientista.



Lei Estadual nº 11.799/05

Essa lei estadual, elaborada pelo deputado Ricardo Tripoli, é intitulada Código de Proteção aos Animais em SP, embora na leitura do legislador “proteger animais” não seja o sentido de proteção que conferimos, por exemplo, às crianças, aos idosos, etc. Animais, sob a “proteção” dessa lei seguem sendo recursos e podem ser explorados, só não podendo ser “abusados”. O código procura estabelecer quais as regras do que seja considerado abuso, por uma perspectiva do legislador e de seu sistema particular de crenças.

Em seu Capítulo IV, o código trata Da Experimentação Animal, estabelecendo na seção II as condições para a criação e uso de animais de laboratório, sendo elas a obrigatoriedade de registro dos estabelecimentos vivisseccionistas em órgão competente e sob supervisão de profissionais de nível superior e a necessidade de constituição de uma Comissão de Ética no Uso de Animais – CEUA, voltada para examinar previamente os procedimentos de pesquisa a serem realizados na instituição.

O código estabelece que animais a serem utilizados nas atividades de pesquisa e ensino devem ser criados em centros de criação ou biotérios, mas cria a brecha para que se utilizem animais não criados dessa forma, dependendo da espécie ou quando o objetivo do estudo assim o exigir. A lei proíbe a utilização de animais oriundos dos centros de controle de zoonoses ou canis municipais.

A lei estabelece, também, em seu artigo 32: “É vedada a realização de procedimento para fins de experimentação animal que possa vir a causar dor, estresse, ou desconforto de média ou alta intensidade sem a adoção de procedimento técnico prévio de anestesia adequada para a espécie animal”. Porém, o código não estabelece critérios que possam ser utilizados para sua aplicação, ou seja, de que forma mensurar os níveis de dor, estresse e desconforto de maneira quantitativa? Que índices adotar?

O código também estabelece, em seu artigo 36, que a experimentação animal “fica condicionada ao compromisso moral do pesquisador ou professor, firmado por escrito, responsabilizando-se por evitar sofrimento físico e mental ao animal, bem como a realização de experimentos cujos resultados já sejam conhecidos e demonstrados cientificamente”, ou seja, cabe ao algoz o “compromisso moral” de evitar o sofrimento excessivo de sua vítima, não havendo forma de fiscalizar ou contestar, por uma perspectiva externa, os procedimentos adotados e o cumprimento da lei.

A lei também cria a possibilidade de o cidadão declarar objeção de consciência referente ao ato da vivissecção, um direito em verdade já exercido com base na Constituição.



Lei Federal nº 11.794/08 (Lei Arouca)

A Lei Federal nº 11.794/08, recentemente sancionada, revoga a Lei nº 6.638/79, agora permitindo a utilização de animais em estabelecimentos de educação profissional técnica de nível médio da área biomédica. A lei também cria o Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (CONCEA), com competências relacionadas à valorização da experimentação animal e não o contrário.

A própria composição do conselho torna clara a posição tendenciosa do CONCEA, fazendo dele parte, entre outros, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, a Federação das Sociedades de Biologia Experimental, o Colégio Brasileiro de Experimentação Animal e a Federação Nacional da Indústria Farmacêutica, ou seja, as entidades que promovem ativamente a propaganda em favor da experimentação animal e que particularmente constituíram lobby para forçar a aprovação da referida lei.

A previsão de participação de dois representantes das sociedades protetoras de animais também se constitui em uma forma de favorecer a experimentação animal, por não terem esses membros número suficiente ou conhecimentos técnicos para argumentar contra os procedimentos propostos. No entanto, sua presença no conselho simboliza aprovação das pesquisas propostas também pela fatia da sociedade que pretensamente essas pessoas representam, o que é lamentável.

A lei também prevê obrigatoriedade de constituição de CEUAs institucionais. CEUAs, ou Comissões de Ética no Uso de Animais, são estruturas criadas dentro das instituições para validar seus procedimentos de modo a torná-los mais aceitáveis perante a sociedade. Trazem o nome da “ética” como mero argumento de retórica, porque, sem dúvida, não é esse o objetivo.

Para efeito de comparação, poder-se-ia crer em um “Comitê de Ética” criado, mantido e composto por policiais da prisão de Abu Ghraib, ou por soldados nazistas em um Campo de Concentrações? Poderia seu testemunho sobre as boas condições de seus prisioneiros valer alguma coisa? E de que forma apropriar-se da “ética” para tornar correta, de alguma forma, crimes completamente injustificáveis?

Parece óbvio dizer que os Comitês de Ética no Uso de Animais não visam ao benefício do animal, mas ao benefício do pesquisador, visto que validam pesquisas e permitem a publicação de dados em revistas de renome, tornando a pesquisa acima de qualquer questionamento.

Igualmente, essa lei proíbe utilizações sucessivas de um mesmo animal para mais de uma pesquisa, obriga o uso de anestesia e analgesia e proíbe o sofrimento excessivo do animal, sendo todos esses procedimentos, porém, difíceis de se verificar por uma pessoa externa ao contexto do laboratório. É, portanto, letra morta, criada para dar satisfação aos crescentes anseios da sociedade. No interior do laboratório trabalham o pesquisador e o pessoal diretamente relacionado à pesquisa, não há como saber se o que está na lei é cumprido, pois todas as testemunhas têm interesse em resultados de pesquisa e não no bem do animal.


Considerações finais

A promulgação de leis que regulamentam o uso de animais configura, em si, flagrante reconhecimento de que animais não são sujeitos de direito. Caso assim o fossem, seu uso não seria regulamentado, mas proibido. De uma maneira antagônica, leis que sustentam “defender” os animais em verdade servem para demonstrar que animais não possuem, realmente, direitos.

Por outro lado, propor projetos de leis que simplesmente clamem pela abolição da experimentação animal, nesse momento em que o pensamento da população não esta voltado para uma causa abolicionista ou para a compreensão de que a saúde humana não depende da pesquisa realizada com animais, não é uma alternativa viável, visto que as leis devem refletir o pensamento da população. Impor uma lei positiva por meio de negociações e lobbies, mas que esteja em desacordo com o pensamento popular, é fragilizar o conceito, imunizar a sociedade para uma futura ação que em outras condições seria mais efetiva.

O fim da experimentação animal virá com a educação da população. A população precisa ser conscientizada de que não depende da experimentação animal e de que a indústria farmacêutica precisa da população mais do que a população dela. Quando a experimentação animal deixar de ser vista como necessidade, leis realmente abolicionistas serão naturalmente propostas.

Interesses da Industria Farmaceutica - Cachorros.


Interesses da Industria Farmaceutica - Cachorros:  Se um pesquisador propusesse testar um medicamento para idosos utilizando como modelo moças de vinte anos; ou testar os benefícios de determinada droga para minimizar os efeitos da menopausa utilizando como modelo homens, certamente haveria um questionamento quanto à cientificidade de sua metodologia. Isso porque assume-se que moças não sejam modelos representativos da população de idosos e que rapazes não sejam o melhor modelo para o estudo de problemas pertinentes às mulheres. Se isso é lógico, e estamos tratando de uma mesma espécie, por que motivo aceitamos como científico que se teste drogas para idosos ou para mulheres em animais que sequer pertencem à mesma espécie?

Por que aceitar que a cura para a AIDS esteja no teste de medicamentos em animais que sequer desenvolvem essa doença? E mesmo que o fizessem, como dizer que a doença se comporta nesses animais da mesma forma que em humanos? Mesmo livros de bioterismo reconhecem que o modelo animal não é adequado.

Dados experimentais obtidos de uma espécie não podem ser extrapolados para outras espécies. Se queremos saber de que forma determinada espécie reage a determinado estímulo, a única forma de fazê-lo é observando populações dessa espécie naturalmente recebendo esse estímulo ou induzi-lo em certa população.

Induzir o estímulo esbarra no problema da ética e da cientificidade. Primeira pergunta: será que é certo, será que é meu direito pegar indivíduos e induzir neles estímulos que naturalmente não estavam incidindo sobre eles? Segunda pergunta: será que é científico, se o organismo receber um estímulo induzido, de maneira diferente à forma como ele naturalmente se daria, será ele modelo representativo da condição real?

Ratos não são seres humanos em miniatura. Drogas aplicadas em ratos não nos dão indícios do que acontecerá quando seres humanos consumirem essas mesmas drogas. Há algumas semelhanças no funcionamento dos sistemas de ratos e homens, é claro, somos todos mamíferos, mas essas semelhanças são paralelos. Não se pode ignorar as diferenças, as muitas variáveis que tornam cada espécie única. Essas diferenças, por menores que pareçam, são tão significativas que por vezes produzem resultados antagônicos.

Testes realizados em ratos não servem tampouco para avaliar os efeitos de drogas em camundongos. Isso porque apesar de aparente semelhança, ambas as espécies possuem vias metabólicas bastante diferentes. Diferenças metabólicas não são difíceis de encontrar nem mesmo dentro de uma mesma espécie, admite-se que as drogas presentes no mercado são efetivas apenas para 30-50% da população humana.

Na prática o que acontece é que um rato pode receber uma dose de determinada substância e metabolizá-la de maneira que ela se biotransforme em um composto tóxico. A toxicidade mata o rato, mas no ser humano essa droga poderia ser inócua, quem sabe a resposta para uma doença severa. Por outro lado, o teste em ratos pode demonstrar a segurança de uma droga que no ser humano se demonstre tóxica.

Centenas de drogas testadas e aprovadas em animais foram colocadas no mercado para uso por seres humanos e precisaram ser recolhidas poucos meses após, por haverem sido identificados efeitos adversos à população. Se as pesquisas com animais realmente pudessem prever os efeitos de drogas a seres humanos, esses eventos não teriam ocorrido. Dessa forma, pode-se inferir que a pesquisa que utiliza animais como modelo não só não beneficia seres humanos, como também potencialmente os prejudica.

O modelo de saúde que defendemos é aquele que valoriza a vida humana e animal. Os interesses da indústria farmacêutica e das instituições de pesquisa que lucram com a experimentação animal não nos dizem respeito. Buscamos por soluções reais para problemas reais.

Os maiores progressos em saúde coletiva se deram através de sucessivas mudanças no estilo de vida das populações. Há uma forte co-relação entre nossa saúde e o estilo de vida que levamos. Se nosso estilo de vida é dessa ou daquela forma, isso reflete em nossa saúde. Está claro que as doenças sejam reflexo, em grande parte, de nosso estilo de vida e que a cura deva estar em correções nesses hábitos.

Animais que Sequer Desenvolvem está Doença - Cachorros.


Animais que Sequer Desenvolvem está Doença - Cachorros:  Se um pesquisador propusesse testar um medicamento para idosos utilizando como modelo moças de vinte anos; ou testar os benefícios de determinada droga para minimizar os efeitos da menopausa utilizando como modelo homens, certamente haveria um questionamento quanto à cientificidade de sua metodologia. Isso porque assume-se que moças não sejam modelos representativos da população de idosos e que rapazes não sejam o melhor modelo para o estudo de problemas pertinentes às mulheres. Se isso é lógico, e estamos tratando de uma mesma espécie, por que motivo aceitamos como científico que se teste drogas para idosos ou para mulheres em animais que sequer pertencem à mesma espécie?

Por que aceitar que a cura para a AIDS esteja no teste de medicamentos em animais que sequer desenvolvem essa doença? E mesmo que o fizessem, como dizer que a doença se comporta nesses animais da mesma forma que em humanos? Mesmo livros de bioterismo reconhecem que o modelo animal não é adequado.

Dados experimentais obtidos de uma espécie não podem ser extrapolados para outras espécies. Se queremos saber de que forma determinada espécie reage a determinado estímulo, a única forma de fazê-lo é observando populações dessa espécie naturalmente recebendo esse estímulo ou induzi-lo em certa população.

Induzir o estímulo esbarra no problema da ética e da cientificidade. Primeira pergunta: será que é certo, será que é meu direito pegar indivíduos e induzir neles estímulos que naturalmente não estavam incidindo sobre eles? Segunda pergunta: será que é científico, se o organismo receber um estímulo induzido, de maneira diferente à forma como ele naturalmente se daria, será ele modelo representativo da condição real?

Ratos não são seres humanos em miniatura. Drogas aplicadas em ratos não nos dão indícios do que acontecerá quando seres humanos consumirem essas mesmas drogas. Há algumas semelhanças no funcionamento dos sistemas de ratos e homens, é claro, somos todos mamíferos, mas essas semelhanças são paralelos. Não se pode ignorar as diferenças, as muitas variáveis que tornam cada espécie única. Essas diferenças, por menores que pareçam, são tão significativas que por vezes produzem resultados antagônicos.

Testes realizados em ratos não servem tampouco para avaliar os efeitos de drogas em camundongos. Isso porque apesar de aparente semelhança, ambas as espécies possuem vias metabólicas bastante diferentes. Diferenças metabólicas não são difíceis de encontrar nem mesmo dentro de uma mesma espécie, admite-se que as drogas presentes no mercado são efetivas apenas para 30-50% da população humana.

Na prática o que acontece é que um rato pode receber uma dose de determinada substância e metabolizá-la de maneira que ela se biotransforme em um composto tóxico. A toxicidade mata o rato, mas no ser humano essa droga poderia ser inócua, quem sabe a resposta para uma doença severa. Por outro lado, o teste em ratos pode demonstrar a segurança de uma droga que no ser humano se demonstre tóxica.

Centenas de drogas testadas e aprovadas em animais foram colocadas no mercado para uso por seres humanos e precisaram ser recolhidas poucos meses após, por haverem sido identificados efeitos adversos à população. Se as pesquisas com animais realmente pudessem prever os efeitos de drogas a seres humanos, esses eventos não teriam ocorrido. Dessa forma, pode-se inferir que a pesquisa que utiliza animais como modelo não só não beneficia seres humanos, como também potencialmente os prejudica.

O modelo de saúde que defendemos é aquele que valoriza a vida humana e animal. Os interesses da indústria farmacêutica e das instituições de pesquisa que lucram com a experimentação animal não nos dizem respeito. Buscamos por soluções reais para problemas reais.

Os maiores progressos em saúde coletiva se deram através de sucessivas mudanças no estilo de vida das populações. Há uma forte co-relação entre nossa saúde e o estilo de vida que levamos. Se nosso estilo de vida é dessa ou daquela forma, isso reflete em nossa saúde. Está claro que as doenças sejam reflexo, em grande parte, de nosso estilo de vida e que a cura deva estar em correções nesses hábitos.

Desgaste Orgânico das Multiplas Gestações - Cachorros.


Desgaste Orgânico das Múltiplas Gestações - Cachorros:  Apesar do comércio de animais envolve quase todas as espécies que possamos ter em mente, vou me ater àqueles animais domesticados, de pequeno porte, considerados de companhia, de modo específico, os cães e os gatos.
Mas para falarmos sobre comércio de animais, antes de mais nada necessário se faz, começarmos pela definição do que vem a ser comércio. Pelo dicionário, comércio é: Permutação, troca, compra e venda de MERCADORIAS ou PRODUTOS.

E a história nos relata o quanto é antiga esta atividade. Citando somente um exemplo, na antiguidade, os egípcios a 3.200 AC já praticavam o comércio. E o que eles comercializavam?Um número muito grande de produtos, como especiarias, incenso, papiro, artesanato em cerâmica e, além destes produtos, já comercializavam animais.
As civilizações foram se sucedendo, muitos hábitos, costumes foram se alterando nas mais diferentes partes do mundo, mas o comércio de animais atravessou o tempo e continuou a ser praticado sem qualquer

Questionamento ou pudor até os dias de hoje.
Recebemos esta “herança”, este” legado” e passivamente temos 
perpetuado esta prática aviltante contra os seres vivos. A ciência vasculhou o macro e o micro cosmos.    O nosso calendário gregoriano registrou recentemente a nossa entrada no século XXI, chegamos ao terceiro milênio.
Atingimos a era das sondas espaciais, da robotização, de sofisticadas tecnologias, da física quântica, da nanotecnologia, da codificação do genoma…mas ainda comercializamos seres vivos!

Não é preciso estudar medicina veterinária para aceitarmos a informação de que os animais sofrem.
A anatomia e a fisiologia ( estudo do funcionamento dos órgãos e sistema do corpo de um cão ou de um gato) são de tal forma, semelhantes 
ao nosso, que se olharmos somente as estruturas físicas, sem nos atermos às dimensões, dificilmente identificaremos a quem pertence estas estruturas, tamanha a semelhança entre eles e nós.

De modo particular, o estudo do sistema nervoso periférico e central de um cão ou gato, de igual modo também nos revela essa semelhança.Se eu for queimada, cortada ou sofrer qualquer injúria física, a sensação de dor que vou experimentar é essencialmente a mesma que um animal irá experimentar se ele, de igual modo, for queimado, cortado ou sofrer alguma injúria física.
Os receptores para dor que existem em nosso corpo e que levam as informações ao cérebro trabalham de igual modo em nós, como nos
animais.

Se formos privados de liberdade e de interagir com elementos de nossa espécie, isto com certeza provocará um significativo sofrimento emocional em nós.
De igual modo, se um animal for privado de liberdade, de estabelecer interação com seus pares, de seguir seus impulsos naturais, de viver de modo inerente à sua espécie, isto também lhe causará um sofrimento psicológico, emocional, que se traduzirá na diminuição da competência do seu sistema de defesas orgânico, o chamado sistema imunológico.

Então, levando-se em conta que basta ter uma inteligência razoável e alguma sensibilidade para entender e aceitar estas informações, porque ainda assistimos passivamente os cães e os gatos serem tratados como coisas, como produtos?
Deveria causar-nos estranheza que toda esta tecnologia altamente 
sofisticada que desenvolvemos, que esta alta intelectualidade que presenciamos nos membros de nossa sociedade, possa coexistir, passiva e 
omissa com uma prática degradante que reduz seres vivos que sentem e 
sofrem como nós, à condição de mercadorias.

Se saíssemos daqui agora, deste auditório e, lá fora nos deparássemos próximo ao mercado púbico, com um tablado e em cima dele, homens de diferentes idades, acorrentados pelos tornozelos, com uma tabuleta ao pescoço que especificasse suas características, e próximo a eles, um humano livre, promovendo o comércio destas pessoas, certamente que esta cena nos causaria uma grande indignação, um profundo mal estar.
Muito inclusive tentariam fazer algo para impedir, o que classificariam como uma indignidade, uma violência.

Acontece que esta cena, hoje hipotética há não muito tempo atrás, era uma realidade, bem aqui em nosso país, bem aqui em nosso estado também.
Todos sabem que me refiro ao período da escravatura da raça negra 
no Brasil. Mas um dia, toda aquela arbitrariedade, toda aquela violência teve um fim. E como isso foi possível?
Foi possível porque alguns homens sensíveis, com idéias libertárias, muito lutaram para que isso se tornasse realidade.
Tudo iniciou quando algumas pessoas que se indignavam profundamente com aquela situação de abuso, de exploração, começaram a perceber que não estavam sós. 

Que outras pessoas pensavam como elas e começaram a trocar ideias, a se aglutinarem. A planejarem estratégias para devolver a liberdade àquelas pessoas.
Suas ideias lhes soavam arrojadas e mesmo temerárias porque 
desafiavam um sistema estabelecido de opressão que não tolerava interferência.
Mas, se por um lado havia a ousadia da tirania, por outro havia a ousadia da bondade, da compaixão.
A história é rica em relatos vergonhosos de opressão e de lutas que se travaram para libertarem minorias oprimidas.

Citando Allan Kardec : ” Toda idéia nova encontra forçosamente oposição e não há uma única que tenha se estabelecido sem lutas.”
Então, se nos comportamos assim com seres semelhantes a nós, que 
verbalizam seus temores, seus anseios, suas dores, compreende-se o quão facilmente é, para os seres humanos, subjugarem os animais e colocá-los 
na categoria de ” coisas comercializáveis”.
Todos nós, algum dia já ouviu alguém dizer que ama os animais. Na 
verdade, esta afirmação é bastante corriqueira. Deduz-se que vivemos em 
uma sociedade amigável aos animais !

Não, não somente não vivemos em uma sociedade amigável aos animais, 
como temos transformado a vida deles num verdadeiro pesadelo tamanho o 
desrespeito com que temos tratado suas vidas. A criação de cães e gatos para venda é algo vil, tão indigno de nossa condição de seres pensantes que se não estivéssemos cegos como estamos pela ganância e vaidade, esta prática já teria sido banida de nossa sociedade há muito, mas muito tempo.
Mas não podemos esquecer que em toda atividade que envolve troca, 
permuta, tem que haver dois indivíduos para que tal aconteça. Logo, se numa ponta desta prática está alguém explorando fêmeas a parir em nome do lucro, na outra ponta está o comprador, ou seja, outro  ser humano inconsciente que alimenta a cultura da exploração.

A prática do comércio de animais está tão arraigada em nossa cultura que a maioria das pessoas não percebe suas reais implicações éticas, psicológicas, sociais e legais.
Presenciar um filhote em uma vitrine ou numa gaiola de uma pet shop, oferecido como um produto é algo deplorável. É um atestado de nossa falência moral. Reflete do que somos capazes de fazer em nome do lucro.
Ficamos cegos e surdos à dor, ao sofrimento daquele pequeno ser que foi arrancado da companhia de sua mãe e irmãos de ninhada, privado daquilo que lhe é mais caro: segurança,alimento,calor e interação.

Alguns dirão: mas nem todos os filhotes estão em vitrines ou gaiolas! Sim, onde estão? Nos canis, nos gatis, mas se estão à venda, não importa onde, estão sendo considerados mercadorias.
A sensação que um filhote experimenta ao ser afastado precocemente 
de sua mãe é algo extremamente traumático para ele e isso se refletirá em seu comportamento, com possíveis sequelas comportamentais de difícil
reversão.
Por outro lado as mães, privadas de seus filhotes, exauridas de tanto gestarem, um cio após o outro.

Muitas morrem mais cedo devido ao desgaste orgânico das múltiplas 
gestações, outras adoecem e outras ainda rejeitam as crias por pura incapacidade física e psicológica, oriundas do stress das gestações sucessivas.
Mas, os humanos são tão zelosos com seus próprios filhos, não?Qualquer relato negativo envolvendo um filhote humano, ou seja, uma criança, gera quase sem exceção uma reação imediata de repúdio por parte das pessoas. Mas porque ficamos tão indiferentes ao sofrimento dos demais
filhotes e suas mães? 

Porque não nos indignamos e damos um basta à 
exploração de cadelas e gatas, tratadas como “máquinas de parir”, matéria prima para a “indústria de filhotes”, para atender a ganância e vaidade humana?     Por quê?Porque as pessoas em nossa sociedade compram animais?
Quando me formei na década de 80, comecei a presenciar em minha 
rotina profissional, os reflexos da vaidade humana na vida dos animais. 
Constatei com pesar que muitos buscavam um animal para atenderem sua 
vaidade, submetendo-se a um certo ” modismo”.

Lembro que primeiro vieram os Dobermans, depois os Pastores Alemães, depois os Rottweillers, depois os Pitbulls, depois…depois…     No porte pequeno vieram os Pequineses, os Fox Paulistinhas, os Poodles, os Cockers. Mais recentemente, os ” top de linha”, os Yorkshires, que as enininhas desfilam em suas bolsas como adereços de luxo, simbolizando status econômico.
Outras passeiam com seus Poodles tosados, vestidos e enfeitados, 
compartilhando a calçada com cãezinhos magros, de olhos tristes, farejando migalhas no chão. 

Mas por que as pessoas dão tanta importância à raça de um animal?Por que elas não conseguem sintonizar com a essência dos animais? Por que precisam se ater à forma, à aparência? Por que, ao invés de comprarem, não adotam um animal abandonado?Por quê?
As pessoas dizem que amam os animais. E eu lhes pergunto: quais animais? Para a maioria cabe a resposta: amam seus próprios animais. E olhe lá. Arrisco dizer que a maioria das pessoas não ama os animais, simplesmente pelo fato de que elas não sabem o que é amar um animal.
Amar não é uma experiência sensorial.

Quando uma pessoa olha para um animal e acha ele bonito, ela está tendo uma experiência sensorial, ou seja, ela está vendo algo que agrada seu senso estético. Aquela imagem lhe dá prazer, e ela passa então a querer aquele objeto de prazer, próximo a si. Mas isto não é amor.
Quando uma pessoa acaricia o pêlo de um animal e acha agradável, 
gostoso o toque, esta pessoa está tendo uma experiência sensorial. O tato lhe dá prazer. Mas isto também não é amor.Amar transcende. Quem ama respeita e não pode haver respeito quando se compactua com a exploração. 

Quem ama de verdade os animais, não escolhe porte ou aparência.
Em uma sociedade materialista, com valores distorcidos, com o culto do TER em detrimento do SER, fácil entender alguns fenômenos sociais nos quais os animais são usados, inconscientemente, como símbolos.
Muitas pessoas buscam comprar um animal de raça porque eles simbolizam status econômico. Quem comprou, pagou. Quem pagou, tem dinheiro. E em nossa sociedade, quem tem dinheiro tem algum poder.
Para outras pessoas, o animal de raça supre uma sensação de baixa auto-estima. 

Ao passear com um animal de raça definida, a pessoa sente-se mais valorizada. Ao contrário, desfilar com um ” vira-lata” pode ser muito desafiador para um ego pouco desenvolvido.
O temor inconsciente de ser classificado de igual forma ao animal sem raça, ou seja, como ” sem valor”, faz com que elas repudiem a idéia de adotarem o sem raça definida.
Temos ainda os pitboys. Jovens com baixa escolaridade, de classe
social menos favorecida, mergulhados numa cultura violenta, buscam um cão de raça vigoroso, que simbolize força e cause temor e ” respeito” entre seus companheiros. 

Estes jovens não têm consciência de que precisam de um cão para serem aceitos e ” respeitados” em suas tribos.
E são estes jovens que têm feito da vida de centenas de cães da raça Pitbull um verdadeiro inferno, pobres animais estimulados à agressividade, vítimas da estupidez humana e omissão das autoridades constituídas, que na maioria das vezes nada faz para coibir este estímulo à violência.
E assim, os animais de raça definida vão servindo aos propósitos de uma espécie psicologicamente desequilibrada, empobrecida de valores mais nobres, que os usa como muletas para suprir suas deficiências psicológicas. 

E agindo assim, temos perpetuado o holocausto daqueles que não conseguem um lar e a exploração daqueles a quem dizemos amar.
Milhões de animais, cães e gatos sadios são mortos por ano em abrigos públicos, os chamados CCZs – Centro de Controle de Zoonoses- a maioria, rejeitados, abandonados, por não se enquadrarem num padrão estético, outros, por cruel ironia, são igualmente eliminados mesmo possuindo uma definição racial que os tornou vítimas de sua própria aparência, na medida em que foram criados em série, vendidos e depois abandonados.
Muitos crêem equivocadamente que animais de raça definida sempre terão quem os queira. 

Mas ter quem os queira, não significa em absoluto que serão cuidados, que se responsabilizarão por eles. Nossa rotina veterinária mostra isso com dolorosa clareza.
Acredito que todo colega veterinário que trabalhe com clínica de pequenos animais, vivencia a desagradável situação de atender filhotes recém adquiridos das feiras de filhotes. Eles chegam trêmulos, nos braços de seus tutores, com olhar sem brilho, assustados, inseguros pelo afastamento de suas mães.

Um número imenso deles apresenta problemas físicos diversos desde tenra idade como verminose, parasitas externos, desnutrição e infecções virais.    Freqüentemente estes filhotes vão a óbito. Seus novos tutores mostram-se nesta ocasião profundamente irritados pelo fato de terem gasto dinheiro e perderem o animal. Tentam contato com os vendedores não raro, não os encontrando. Os que conseguem o contato, após alguns telefonemas, estabelecem que receberão outro filhote.Afinal, tudo não passa de uma transação comercial!    

Produtos com defeitos são trocados, substituídos. Para filhotes mortos, filhotes repostos.
Para algumas pessoas mais sensíveis, a experiência dolorosa de perder o filhote provoca uma reflexão e percebem o quão cruel é o sistema que fomentaram ao comprar o animal. Mas estes infelizmente são a minoria, diria mesmo, uma raridade.  A maioria continuará a buscar um cão ou gato na próxima feira ou pet shop.Há muitos anos, os militantes da defesa dos animais lutam com tenacidade para pôr um fim a uma das maiores atrocidades cometidas contra os animais, que vem a ser o extermínio em massa praticado em cães e gatos sadios pelos órgãos públicos, numa tentativa equivocada, anti-ética, ultrapassada e ineficaz de controle populacional.

E, enquanto uns buscam incessantemente o controle populacional ético, estimulando esterilizações, adoções, promovendo palestras educativas, outros estimulam nascimentos, produzem ” fábrica de filhotes”, exploram fêmeas a parir, tudo em nome do lucro, da ganância, da vaidade humana.
Vão à contramão da solução viável, acentuando o desequilíbrio nestas populações, indiferentes à sorte destes animais, cegos a uma realidade grotesca que vitimiza os inocentes, os indefesos e se omite frente aos exploradores.

Os cães e os gatos vivem um verdadeiro drama nestas selvas de concreto, as denominamos cidades modernas.Nascem em grande número e são abandonados à própria má sorte por pessoas egoístas, inconseqüentes que cultuando a ” síndrome de Pilatos” lavam as próprias mãos e viram as costas para o trágico destino destas sensíveis e vulneráveis criaturas.
O poder público por sua vez, promove seu extermínio biocida tratando-os como pragas urbanas, não percebendo ou não querendo perceber as verdadeiras causas envolvidas nesta questão. 

O comércio de animais é um dos grandes agravantes do drama da superpopulação de cães e gatos.E o que o poder público faz para coibir esta prática? Os animais têm nos dado muito. Acrescentam muito às nossas vidas, mas nós não temos retribuído da mesma maneira a eles. Mahatma Gandhi dizia: ” A grandeza de uma nação pode ser julgada pelo modo como seus animais são tratados.”    Mas os canis públicos e particulares estão lotados neste exato momento, povoados por latidos e miados lastimosos que clamam liberdade e carinho. Estão lotados pelas vítimas da nossa vaidade, da nossa insensatez, da nossa inferioridade.

Sabemos que o preconceito, que se constitui  uma das maiores manifestações de violência, tingiu a história da humanidade de sangue e horror. O nazismo exemplifica com clareza onde podemos chegar a nome do 
preconceito racial.Temos nos outorgado o direito de tiranizar a todos aqueles seres vivos, independentemente da espécie a qual pertençam, quando os consideramos de menor valor.O novo milênio chegou trazendo um desafio a todos nós: mudarmos os paradigmas vigentes e colocarmos outros em seu lugar. Mas como se faz isso?

Quinto Horácio Flaco, poeta latino que viveu entre 65 a 8 AC, 
dizia: ” Ousa saber. Começa.”, Comecemos nos conhecendo.
Comecemos tendo a coragem de nos olharmos com realismo e encararmos de frente o grande inimigo que ainda habita dentro de nós mesmos e nos faz cometer toda sorte de crueldades e desrespeito contra a vida.
Porque enquanto insistirmos em nos vermos com olhos benevolentes, sob uma ótica ingênua, não conseguiremos operar as mudanças necessárias para tornarmos este mundo um lugar ecologicamente equilibrado para as futuras gerações de todas as espécies.

O homem é somente mais uma espécie. Não é, nem nunca foi o centro da criação.    Precisamos ajudar os homens a libertarem-se de sua condição de algozes, de exploradores. Precisamos auxiliar os homens a abandonarem o comodismo e ajudá-los a perceber que são capazes de fazer diferente e melhor. A fazerem algo mais nobre pela vida como viver e deixar viver.
Porque errar é humano, persistir no erro, é maldade.    Acordemos.

Sofrimento Psicológico e Emocional - Cachorros.


Sofrimento Psicológico e Emocional - Cachorros:  Apesar do comércio de animais envolve quase todas as espécies que possamos ter em mente, vou me ater àqueles animais domesticados, de pequeno porte, considerados de companhia, de modo específico, os cães e os gatos.
Mas para falarmos sobre comércio de animais, antes de mais nada necessário se faz, começarmos pela definição do que vem a ser comércio. Pelo dicionário, comércio é: Permutação, troca, compra e venda de MERCADORIAS ou PRODUTOS.

E a história nos relata o quanto é antiga esta atividade. Citando somente um exemplo, na antiguidade, os egípcios a 3.200 AC já praticavam o comércio. E o que eles comercializavam?Um número muito grande de produtos, como especiarias, incenso, papiro, artesanato em cerâmica e, além destes produtos, já comercializavam animais.
As civilizações foram se sucedendo, muitos hábitos, costumes foram se alterando nas mais diferentes partes do mundo, mas o comércio de animais atravessou o tempo e continuou a ser praticado sem qualquer

Questionamento ou pudor até os dias de hoje.
Recebemos esta “herança”, este” legado” e passivamente temos 
perpetuado esta prática aviltante contra os seres vivos. A ciência vasculhou o macro e o micro cosmos.    O nosso calendário gregoriano registrou recentemente a nossa entrada no século XXI, chegamos ao terceiro milênio.
Atingimos a era das sondas espaciais, da robotização, de sofisticadas tecnologias, da física quântica, da nanotecnologia, da codificação do genoma…mas ainda comercializamos seres vivos!

Não é preciso estudar medicina veterinária para aceitarmos a informação de que os animais sofrem.
A anatomia e a fisiologia ( estudo do funcionamento dos órgãos e sistema do corpo de um cão ou de um gato) são de tal forma, semelhantes 
ao nosso, que se olharmos somente as estruturas físicas, sem nos atermos às dimensões, dificilmente identificaremos a quem pertence estas estruturas, tamanha a semelhança entre eles e nós.

De modo particular, o estudo do sistema nervoso periférico e central de um cão ou gato, de igual modo também nos revela essa semelhança.Se eu for queimada, cortada ou sofrer qualquer injúria física, a sensação de dor que vou experimentar é essencialmente a mesma que um animal irá experimentar se ele, de igual modo, for queimado, cortado ou sofrer alguma injúria física.
Os receptores para dor que existem em nosso corpo e que levam as informações ao cérebro trabalham de igual modo em nós, como nos
animais.

Se formos privados de liberdade e de interagir com elementos de nossa espécie, isto com certeza provocará um significativo sofrimento emocional em nós.
De igual modo, se um animal for privado de liberdade, de estabelecer interação com seus pares, de seguir seus impulsos naturais, de viver de modo inerente à sua espécie, isto também lhe causará um sofrimento psicológico, emocional, que se traduzirá na diminuição da competência do seu sistema de defesas orgânico, o chamado sistema imunológico.

Então, levando-se em conta que basta ter uma inteligência razoável e alguma sensibilidade para entender e aceitar estas informações, porque ainda assistimos passivamente os cães e os gatos serem tratados como coisas, como produtos?
Deveria causar-nos estranheza que toda esta tecnologia altamente 
sofisticada que desenvolvemos, que esta alta intelectualidade que presenciamos nos membros de nossa sociedade, possa coexistir, passiva e 
omissa com uma prática degradante que reduz seres vivos que sentem e 
sofrem como nós, à condição de mercadorias.

Se saíssemos daqui agora, deste auditório e, lá fora nos deparássemos próximo ao mercado púbico, com um tablado e em cima dele, homens de diferentes idades, acorrentados pelos tornozelos, com uma tabuleta ao pescoço que especificasse suas características, e próximo a eles, um humano livre, promovendo o comércio destas pessoas, certamente que esta cena nos causaria uma grande indignação, um profundo mal estar.
Muito inclusive tentariam fazer algo para impedir, o que classificariam como uma indignidade, uma violência.

Acontece que esta cena, hoje hipotética há não muito tempo atrás, era uma realidade, bem aqui em nosso país, bem aqui em nosso estado também.
Todos sabem que me refiro ao período da escravatura da raça negra 
no Brasil. Mas um dia, toda aquela arbitrariedade, toda aquela violência teve um fim. E como isso foi possível?
Foi possível porque alguns homens sensíveis, com idéias libertárias, muito lutaram para que isso se tornasse realidade.
Tudo iniciou quando algumas pessoas que se indignavam profundamente com aquela situação de abuso, de exploração, começaram a perceber que não estavam sós. 

Que outras pessoas pensavam como elas e começaram a trocar ideias, a se aglutinarem. A planejarem estratégias para devolver a liberdade àquelas pessoas.
Suas ideias lhes soavam arrojadas e mesmo temerárias porque 
desafiavam um sistema estabelecido de opressão que não tolerava interferência.
Mas, se por um lado havia a ousadia da tirania, por outro havia a ousadia da bondade, da compaixão.
A história é rica em relatos vergonhosos de opressão e de lutas que se travaram para libertarem minorias oprimidas.

Citando Allan Kardec : ” Toda idéia nova encontra forçosamente oposição e não há uma única que tenha se estabelecido sem lutas.”
Então, se nos comportamos assim com seres semelhantes a nós, que 
verbalizam seus temores, seus anseios, suas dores, compreende-se o quão facilmente é, para os seres humanos, subjugarem os animais e colocá-los 
na categoria de ” coisas comercializáveis”.
Todos nós, algum dia já ouviu alguém dizer que ama os animais. Na 
verdade, esta afirmação é bastante corriqueira. Deduz-se que vivemos em 
uma sociedade amigável aos animais !

Não, não somente não vivemos em uma sociedade amigável aos animais, 
como temos transformado a vida deles num verdadeiro pesadelo tamanho o 
desrespeito com que temos tratado suas vidas. A criação de cães e gatos para venda é algo vil, tão indigno de nossa condição de seres pensantes que se não estivéssemos cegos como estamos pela ganância e vaidade, esta prática já teria sido banida de nossa sociedade há muito, mas muito tempo.
Mas não podemos esquecer que em toda atividade que envolve troca, 
permuta, tem que haver dois indivíduos para que tal aconteça. Logo, se numa ponta desta prática está alguém explorando fêmeas a parir em nome do lucro, na outra ponta está o comprador, ou seja, outro  ser humano inconsciente que alimenta a cultura da exploração.

A prática do comércio de animais está tão arraigada em nossa cultura que a maioria das pessoas não percebe suas reais implicações éticas, psicológicas, sociais e legais.
Presenciar um filhote em uma vitrine ou numa gaiola de uma pet shop, oferecido como um produto é algo deplorável. É um atestado de nossa falência moral. Reflete do que somos capazes de fazer em nome do lucro.
Ficamos cegos e surdos à dor, ao sofrimento daquele pequeno ser que foi arrancado da companhia de sua mãe e irmãos de ninhada, privado daquilo que lhe é mais caro: segurança,alimento,calor e interação.

Alguns dirão: mas nem todos os filhotes estão em vitrines ou gaiolas! Sim, onde estão? Nos canis, nos gatis, mas se estão à venda, não importa onde, estão sendo considerados mercadorias.
A sensação que um filhote experimenta ao ser afastado precocemente 
de sua mãe é algo extremamente traumático para ele e isso se refletirá em seu comportamento, com possíveis sequelas comportamentais de difícil
reversão.
Por outro lado as mães, privadas de seus filhotes, exauridas de tanto gestarem, um cio após o outro.

Muitas morrem mais cedo devido ao desgaste orgânico das múltiplas 
gestações, outras adoecem e outras ainda rejeitam as crias por pura incapacidade física e psicológica, oriundas do stress das gestações sucessivas.
Mas, os humanos são tão zelosos com seus próprios filhos, não?Qualquer relato negativo envolvendo um filhote humano, ou seja, uma criança, gera quase sem exceção uma reação imediata de repúdio por parte das pessoas. Mas porque ficamos tão indiferentes ao sofrimento dos demais
filhotes e suas mães? 

Porque não nos indignamos e damos um basta à 
exploração de cadelas e gatas, tratadas como “máquinas de parir”, matéria prima para a “indústria de filhotes”, para atender a ganância e vaidade humana?     Por quê?Porque as pessoas em nossa sociedade compram animais?
Quando me formei na década de 80, comecei a presenciar em minha 
rotina profissional, os reflexos da vaidade humana na vida dos animais. 
Constatei com pesar que muitos buscavam um animal para atenderem sua 
vaidade, submetendo-se a um certo ” modismo”.

Lembro que primeiro vieram os Dobermans, depois os Pastores Alemães, depois os Rottweillers, depois os Pitbulls, depois…depois…     No porte pequeno vieram os Pequineses, os Fox Paulistinhas, os Poodles, os Cockers. Mais recentemente, os ” top de linha”, os Yorkshires, que as enininhas desfilam em suas bolsas como adereços de luxo, simbolizando status econômico.
Outras passeiam com seus Poodles tosados, vestidos e enfeitados, 
compartilhando a calçada com cãezinhos magros, de olhos tristes, farejando migalhas no chão. 

Mas por que as pessoas dão tanta importância à raça de um animal?Por que elas não conseguem sintonizar com a essência dos animais? Por que precisam se ater à forma, à aparência? Por que, ao invés de comprarem, não adotam um animal abandonado?Por quê?
As pessoas dizem que amam os animais. E eu lhes pergunto: quais animais? Para a maioria cabe a resposta: amam seus próprios animais. E olhe lá. Arrisco dizer que a maioria das pessoas não ama os animais, simplesmente pelo fato de que elas não sabem o que é amar um animal.
Amar não é uma experiência sensorial.

Quando uma pessoa olha para um animal e acha ele bonito, ela está tendo uma experiência sensorial, ou seja, ela está vendo algo que agrada seu senso estético. Aquela imagem lhe dá prazer, e ela passa então a querer aquele objeto de prazer, próximo a si. Mas isto não é amor.
Quando uma pessoa acaricia o pêlo de um animal e acha agradável, 
gostoso o toque, esta pessoa está tendo uma experiência sensorial. O tato lhe dá prazer. Mas isto também não é amor.Amar transcende. Quem ama respeita e não pode haver respeito quando se compactua com a exploração. 

Quem ama de verdade os animais, não escolhe porte ou aparência.
Em uma sociedade materialista, com valores distorcidos, com o culto do TER em detrimento do SER, fácil entender alguns fenômenos sociais nos quais os animais são usados, inconscientemente, como símbolos.
Muitas pessoas buscam comprar um animal de raça porque eles simbolizam status econômico. Quem comprou, pagou. Quem pagou, tem dinheiro. E em nossa sociedade, quem tem dinheiro tem algum poder.
Para outras pessoas, o animal de raça supre uma sensação de baixa auto-estima. 

Ao passear com um animal de raça definida, a pessoa sente-se mais valorizada. Ao contrário, desfilar com um ” vira-lata” pode ser muito desafiador para um ego pouco desenvolvido.
O temor inconsciente de ser classificado de igual forma ao animal sem raça, ou seja, como ” sem valor”, faz com que elas repudiem a idéia de adotarem o sem raça definida.
Temos ainda os pitboys. Jovens com baixa escolaridade, de classe
social menos favorecida, mergulhados numa cultura violenta, buscam um cão de raça vigoroso, que simbolize força e cause temor e ” respeito” entre seus companheiros. 

Estes jovens não têm consciência de que precisam de um cão para serem aceitos e ” respeitados” em suas tribos.
E são estes jovens que têm feito da vida de centenas de cães da raça Pitbull um verdadeiro inferno, pobres animais estimulados à agressividade, vítimas da estupidez humana e omissão das autoridades constituídas, que na maioria das vezes nada faz para coibir este estímulo à violência.
E assim, os animais de raça definida vão servindo aos propósitos de uma espécie psicologicamente desequilibrada, empobrecida de valores mais nobres, que os usa como muletas para suprir suas deficiências psicológicas. 

E agindo assim, temos perpetuado o holocausto daqueles que não conseguem um lar e a exploração daqueles a quem dizemos amar.
Milhões de animais, cães e gatos sadios são mortos por ano em abrigos públicos, os chamados CCZs – Centro de Controle de Zoonoses- a maioria, rejeitados, abandonados, por não se enquadrarem num padrão estético, outros, por cruel ironia, são igualmente eliminados mesmo possuindo uma definição racial que os tornou vítimas de sua própria aparência, na medida em que foram criados em série, vendidos e depois abandonados.
Muitos crêem equivocadamente que animais de raça definida sempre terão quem os queira. 

Mas ter quem os queira, não significa em absoluto que serão cuidados, que se responsabilizarão por eles. Nossa rotina veterinária mostra isso com dolorosa clareza.
Acredito que todo colega veterinário que trabalhe com clínica de pequenos animais, vivencia a desagradável situação de atender filhotes recém adquiridos das feiras de filhotes. Eles chegam trêmulos, nos braços de seus tutores, com olhar sem brilho, assustados, inseguros pelo afastamento de suas mães.

Um número imenso deles apresenta problemas físicos diversos desde tenra idade como verminose, parasitas externos, desnutrição e infecções virais.    Freqüentemente estes filhotes vão a óbito. Seus novos tutores mostram-se nesta ocasião profundamente irritados pelo fato de terem gasto dinheiro e perderem o animal. Tentam contato com os vendedores não raro, não os encontrando. Os que conseguem o contato, após alguns telefonemas, estabelecem que receberão outro filhote.Afinal, tudo não passa de uma transação comercial!    

Produtos com defeitos são trocados, substituídos. Para filhotes mortos, filhotes repostos.
Para algumas pessoas mais sensíveis, a experiência dolorosa de perder o filhote provoca uma reflexão e percebem o quão cruel é o sistema que fomentaram ao comprar o animal. Mas estes infelizmente são a minoria, diria mesmo, uma raridade.  A maioria continuará a buscar um cão ou gato na próxima feira ou pet shop.Há muitos anos, os militantes da defesa dos animais lutam com tenacidade para pôr um fim a uma das maiores atrocidades cometidas contra os animais, que vem a ser o extermínio em massa praticado em cães e gatos sadios pelos órgãos públicos, numa tentativa equivocada, anti-ética, ultrapassada e ineficaz de controle populacional.

E, enquanto uns buscam incessantemente o controle populacional ético, estimulando esterilizações, adoções, promovendo palestras educativas, outros estimulam nascimentos, produzem ” fábrica de filhotes”, exploram fêmeas a parir, tudo em nome do lucro, da ganância, da vaidade humana.
Vão à contramão da solução viável, acentuando o desequilíbrio nestas populações, indiferentes à sorte destes animais, cegos a uma realidade grotesca que vitimiza os inocentes, os indefesos e se omite frente aos exploradores.

Os cães e os gatos vivem um verdadeiro drama nestas selvas de concreto, as denominamos cidades modernas.Nascem em grande número e são abandonados à própria má sorte por pessoas egoístas, inconseqüentes que cultuando a ” síndrome de Pilatos” lavam as próprias mãos e viram as costas para o trágico destino destas sensíveis e vulneráveis criaturas.
O poder público por sua vez, promove seu extermínio biocida tratando-os como pragas urbanas, não percebendo ou não querendo perceber as verdadeiras causas envolvidas nesta questão. 

O comércio de animais é um dos grandes agravantes do drama da superpopulação de cães e gatos.E o que o poder público faz para coibir esta prática? Os animais têm nos dado muito. Acrescentam muito às nossas vidas, mas nós não temos retribuído da mesma maneira a eles. Mahatma Gandhi dizia: ” A grandeza de uma nação pode ser julgada pelo modo como seus animais são tratados.”    Mas os canis públicos e particulares estão lotados neste exato momento, povoados por latidos e miados lastimosos que clamam liberdade e carinho. Estão lotados pelas vítimas da nossa vaidade, da nossa insensatez, da nossa inferioridade.

Sabemos que o preconceito, que se constitui  uma das maiores manifestações de violência, tingiu a história da humanidade de sangue e horror. O nazismo exemplifica com clareza onde podemos chegar a nome do 
preconceito racial.Temos nos outorgado o direito de tiranizar a todos aqueles seres vivos, independentemente da espécie a qual pertençam, quando os consideramos de menor valor.O novo milênio chegou trazendo um desafio a todos nós: mudarmos os paradigmas vigentes e colocarmos outros em seu lugar. Mas como se faz isso?

Quinto Horácio Flaco, poeta latino que viveu entre 65 a 8 AC, 
dizia: ” Ousa saber. Começa.”, Comecemos nos conhecendo.
Comecemos tendo a coragem de nos olharmos com realismo e encararmos de frente o grande inimigo que ainda habita dentro de nós mesmos e nos faz cometer toda sorte de crueldades e desrespeito contra a vida.
Porque enquanto insistirmos em nos vermos com olhos benevolentes, sob uma ótica ingênua, não conseguiremos operar as mudanças necessárias para tornarmos este mundo um lugar ecologicamente equilibrado para as futuras gerações de todas as espécies.

O homem é somente mais uma espécie. Não é, nem nunca foi o centro da criação.    Precisamos ajudar os homens a libertarem-se de sua condição de algozes, de exploradores. Precisamos auxiliar os homens a abandonarem o comodismo e ajudá-los a perceber que são capazes de fazer diferente e melhor. A fazerem algo mais nobre pela vida como viver e deixar viver.
Porque errar é humano, persistir no erro, é maldade.    Acordemos.

Persistir no Erro, é Maldade - Cachorros.


Persistir no Erro, é Maldade - Cachorros:  Apesar do comércio de animais envolve quase todas as espécies que possamos ter em mente, vou me ater àqueles animais domesticados, de pequeno porte, considerados de companhia, de modo específico, os cães e os gatos.
Mas para falarmos sobre comércio de animais, antes de mais nada necessário se faz, começarmos pela definição do que vem a ser comércio. Pelo dicionário, comércio é: Permutação, troca, compra e venda de MERCADORIAS ou PRODUTOS.

E a história nos relata o quanto é antiga esta atividade. Citando somente um exemplo, na antiguidade, os egípcios a 3.200 AC já praticavam o comércio. E o que eles comercializavam?Um número muito grande de produtos, como especiarias, incenso, papiro, artesanato em cerâmica e, além destes produtos, já comercializavam animais.
As civilizações foram se sucedendo, muitos hábitos, costumes foram se alterando nas mais diferentes partes do mundo, mas o comércio de animais atravessou o tempo e continuou a ser praticado sem qualquer

Questionamento ou pudor até os dias de hoje.
Recebemos esta “herança”, este” legado” e passivamente temos 
perpetuado esta prática aviltante contra os seres vivos. A ciência vasculhou o macro e o micro cosmos.    O nosso calendário gregoriano registrou recentemente a nossa entrada no século XXI, chegamos ao terceiro milênio.
Atingimos a era das sondas espaciais, da robotização, de sofisticadas tecnologias, da física quântica, da nanotecnologia, da codificação do genoma…mas ainda comercializamos seres vivos!

Não é preciso estudar medicina veterinária para aceitarmos a informação de que os animais sofrem.
A anatomia e a fisiologia ( estudo do funcionamento dos órgãos e sistema do corpo de um cão ou de um gato) são de tal forma, semelhantes 
ao nosso, que se olharmos somente as estruturas físicas, sem nos atermos às dimensões, dificilmente identificaremos a quem pertence estas estruturas, tamanha a semelhança entre eles e nós.

De modo particular, o estudo do sistema nervoso periférico e central de um cão ou gato, de igual modo também nos revela essa semelhança.Se eu for queimada, cortada ou sofrer qualquer injúria física, a sensação de dor que vou experimentar é essencialmente a mesma que um animal irá experimentar se ele, de igual modo, for queimado, cortado ou sofrer alguma injúria física.
Os receptores para dor que existem em nosso corpo e que levam as informações ao cérebro trabalham de igual modo em nós, como nos
animais.

Se formos privados de liberdade e de interagir com elementos de nossa espécie, isto com certeza provocará um significativo sofrimento emocional em nós.
De igual modo, se um animal for privado de liberdade, de estabelecer interação com seus pares, de seguir seus impulsos naturais, de viver de modo inerente à sua espécie, isto também lhe causará um sofrimento psicológico, emocional, que se traduzirá na diminuição da competência do seu sistema de defesas orgânico, o chamado sistema imunológico.

Então, levando-se em conta que basta ter uma inteligência razoável e alguma sensibilidade para entender e aceitar estas informações, porque ainda assistimos passivamente os cães e os gatos serem tratados como coisas, como produtos?
Deveria causar-nos estranheza que toda esta tecnologia altamente 
sofisticada que desenvolvemos, que esta alta intelectualidade que presenciamos nos membros de nossa sociedade, possa coexistir, passiva e 
omissa com uma prática degradante que reduz seres vivos que sentem e 
sofrem como nós, à condição de mercadorias.

Se saíssemos daqui agora, deste auditório e, lá fora nos deparássemos próximo ao mercado púbico, com um tablado e em cima dele, homens de diferentes idades, acorrentados pelos tornozelos, com uma tabuleta ao pescoço que especificasse suas características, e próximo a eles, um humano livre, promovendo o comércio destas pessoas, certamente que esta cena nos causaria uma grande indignação, um profundo mal estar.
Muito inclusive tentariam fazer algo para impedir, o que classificariam como uma indignidade, uma violência.

Acontece que esta cena, hoje hipotética há não muito tempo atrás, era uma realidade, bem aqui em nosso país, bem aqui em nosso estado também.
Todos sabem que me refiro ao período da escravatura da raça negra 
no Brasil. Mas um dia, toda aquela arbitrariedade, toda aquela violência teve um fim. E como isso foi possível?
Foi possível porque alguns homens sensíveis, com idéias libertárias, muito lutaram para que isso se tornasse realidade.
Tudo iniciou quando algumas pessoas que se indignavam profundamente com aquela situação de abuso, de exploração, começaram a perceber que não estavam sós. 

Que outras pessoas pensavam como elas e começaram a trocar ideias, a se aglutinarem. A planejarem estratégias para devolver a liberdade àquelas pessoas.
Suas ideias lhes soavam arrojadas e mesmo temerárias porque 
desafiavam um sistema estabelecido de opressão que não tolerava interferência.
Mas, se por um lado havia a ousadia da tirania, por outro havia a ousadia da bondade, da compaixão.
A história é rica em relatos vergonhosos de opressão e de lutas que se travaram para libertarem minorias oprimidas.

Citando Allan Kardec : ” Toda idéia nova encontra forçosamente oposição e não há uma única que tenha se estabelecido sem lutas.”
Então, se nos comportamos assim com seres semelhantes a nós, que 
verbalizam seus temores, seus anseios, suas dores, compreende-se o quão facilmente é, para os seres humanos, subjugarem os animais e colocá-los 
na categoria de ” coisas comercializáveis”.
Todos nós, algum dia já ouviu alguém dizer que ama os animais. Na 
verdade, esta afirmação é bastante corriqueira. Deduz-se que vivemos em 
uma sociedade amigável aos animais !

Não, não somente não vivemos em uma sociedade amigável aos animais, 
como temos transformado a vida deles num verdadeiro pesadelo tamanho o 
desrespeito com que temos tratado suas vidas. A criação de cães e gatos para venda é algo vil, tão indigno de nossa condição de seres pensantes que se não estivéssemos cegos como estamos pela ganância e vaidade, esta prática já teria sido banida de nossa sociedade há muito, mas muito tempo.
Mas não podemos esquecer que em toda atividade que envolve troca, 
permuta, tem que haver dois indivíduos para que tal aconteça. Logo, se numa ponta desta prática está alguém explorando fêmeas a parir em nome do lucro, na outra ponta está o comprador, ou seja, outro  ser humano inconsciente que alimenta a cultura da exploração.

A prática do comércio de animais está tão arraigada em nossa cultura que a maioria das pessoas não percebe suas reais implicações éticas, psicológicas, sociais e legais.
Presenciar um filhote em uma vitrine ou numa gaiola de uma pet shop, oferecido como um produto é algo deplorável. É um atestado de nossa falência moral. Reflete do que somos capazes de fazer em nome do lucro.
Ficamos cegos e surdos à dor, ao sofrimento daquele pequeno ser que foi arrancado da companhia de sua mãe e irmãos de ninhada, privado daquilo que lhe é mais caro: segurança,alimento,calor e interação.

Alguns dirão: mas nem todos os filhotes estão em vitrines ou gaiolas! Sim, onde estão? Nos canis, nos gatis, mas se estão à venda, não importa onde, estão sendo considerados mercadorias.
A sensação que um filhote experimenta ao ser afastado precocemente 
de sua mãe é algo extremamente traumático para ele e isso se refletirá em seu comportamento, com possíveis sequelas comportamentais de difícil
reversão.
Por outro lado as mães, privadas de seus filhotes, exauridas de tanto gestarem, um cio após o outro.

Muitas morrem mais cedo devido ao desgaste orgânico das múltiplas 
gestações, outras adoecem e outras ainda rejeitam as crias por pura incapacidade física e psicológica, oriundas do stress das gestações sucessivas.
Mas, os humanos são tão zelosos com seus próprios filhos, não?Qualquer relato negativo envolvendo um filhote humano, ou seja, uma criança, gera quase sem exceção uma reação imediata de repúdio por parte das pessoas. Mas porque ficamos tão indiferentes ao sofrimento dos demais
filhotes e suas mães? 

Porque não nos indignamos e damos um basta à 
exploração de cadelas e gatas, tratadas como “máquinas de parir”, matéria prima para a “indústria de filhotes”, para atender a ganância e vaidade humana?     Por quê?Porque as pessoas em nossa sociedade compram animais?
Quando me formei na década de 80, comecei a presenciar em minha 
rotina profissional, os reflexos da vaidade humana na vida dos animais. 
Constatei com pesar que muitos buscavam um animal para atenderem sua 
vaidade, submetendo-se a um certo ” modismo”.

Lembro que primeiro vieram os Dobermans, depois os Pastores Alemães, depois os Rottweillers, depois os Pitbulls, depois…depois…     No porte pequeno vieram os Pequineses, os Fox Paulistinhas, os Poodles, os Cockers. Mais recentemente, os ” top de linha”, os Yorkshires, que as enininhas desfilam em suas bolsas como adereços de luxo, simbolizando status econômico.
Outras passeiam com seus Poodles tosados, vestidos e enfeitados, 
compartilhando a calçada com cãezinhos magros, de olhos tristes, farejando migalhas no chão. 

Mas por que as pessoas dão tanta importância à raça de um animal?Por que elas não conseguem sintonizar com a essência dos animais? Por que precisam se ater à forma, à aparência? Por que, ao invés de comprarem, não adotam um animal abandonado?Por quê?
As pessoas dizem que amam os animais. E eu lhes pergunto: quais animais? Para a maioria cabe a resposta: amam seus próprios animais. E olhe lá. Arrisco dizer que a maioria das pessoas não ama os animais, simplesmente pelo fato de que elas não sabem o que é amar um animal.
Amar não é uma experiência sensorial.

Quando uma pessoa olha para um animal e acha ele bonito, ela está tendo uma experiência sensorial, ou seja, ela está vendo algo que agrada seu senso estético. Aquela imagem lhe dá prazer, e ela passa então a querer aquele objeto de prazer, próximo a si. Mas isto não é amor.
Quando uma pessoa acaricia o pêlo de um animal e acha agradável, 
gostoso o toque, esta pessoa está tendo uma experiência sensorial. O tato lhe dá prazer. Mas isto também não é amor.Amar transcende. Quem ama respeita e não pode haver respeito quando se compactua com a exploração. 

Quem ama de verdade os animais, não escolhe porte ou aparência.
Em uma sociedade materialista, com valores distorcidos, com o culto do TER em detrimento do SER, fácil entender alguns fenômenos sociais nos quais os animais são usados, inconscientemente, como símbolos.
Muitas pessoas buscam comprar um animal de raça porque eles simbolizam status econômico. Quem comprou, pagou. Quem pagou, tem dinheiro. E em nossa sociedade, quem tem dinheiro tem algum poder.
Para outras pessoas, o animal de raça supre uma sensação de baixa auto-estima. 

Ao passear com um animal de raça definida, a pessoa sente-se mais valorizada. Ao contrário, desfilar com um ” vira-lata” pode ser muito desafiador para um ego pouco desenvolvido.
O temor inconsciente de ser classificado de igual forma ao animal sem raça, ou seja, como ” sem valor”, faz com que elas repudiem a idéia de adotarem o sem raça definida.
Temos ainda os pitboys. Jovens com baixa escolaridade, de classe
social menos favorecida, mergulhados numa cultura violenta, buscam um cão de raça vigoroso, que simbolize força e cause temor e ” respeito” entre seus companheiros. 

Estes jovens não têm consciência de que precisam de um cão para serem aceitos e ” respeitados” em suas tribos.
E são estes jovens que têm feito da vida de centenas de cães da raça Pitbull um verdadeiro inferno, pobres animais estimulados à agressividade, vítimas da estupidez humana e omissão das autoridades constituídas, que na maioria das vezes nada faz para coibir este estímulo à violência.
E assim, os animais de raça definida vão servindo aos propósitos de uma espécie psicologicamente desequilibrada, empobrecida de valores mais nobres, que os usa como muletas para suprir suas deficiências psicológicas. 

E agindo assim, temos perpetuado o holocausto daqueles que não conseguem um lar e a exploração daqueles a quem dizemos amar.
Milhões de animais, cães e gatos sadios são mortos por ano em abrigos públicos, os chamados CCZs – Centro de Controle de Zoonoses- a maioria, rejeitados, abandonados, por não se enquadrarem num padrão estético, outros, por cruel ironia, são igualmente eliminados mesmo possuindo uma definição racial que os tornou vítimas de sua própria aparência, na medida em que foram criados em série, vendidos e depois abandonados.
Muitos crêem equivocadamente que animais de raça definida sempre terão quem os queira. 

Mas ter quem os queira, não significa em absoluto que serão cuidados, que se responsabilizarão por eles. Nossa rotina veterinária mostra isso com dolorosa clareza.
Acredito que todo colega veterinário que trabalhe com clínica de pequenos animais, vivencia a desagradável situação de atender filhotes recém adquiridos das feiras de filhotes. Eles chegam trêmulos, nos braços de seus tutores, com olhar sem brilho, assustados, inseguros pelo afastamento de suas mães.

Um número imenso deles apresenta problemas físicos diversos desde tenra idade como verminose, parasitas externos, desnutrição e infecções virais.    Freqüentemente estes filhotes vão a óbito. Seus novos tutores mostram-se nesta ocasião profundamente irritados pelo fato de terem gasto dinheiro e perderem o animal. Tentam contato com os vendedores não raro, não os encontrando. Os que conseguem o contato, após alguns telefonemas, estabelecem que receberão outro filhote.Afinal, tudo não passa de uma transação comercial!    

Produtos com defeitos são trocados, substituídos. Para filhotes mortos, filhotes repostos.
Para algumas pessoas mais sensíveis, a experiência dolorosa de perder o filhote provoca uma reflexão e percebem o quão cruel é o sistema que fomentaram ao comprar o animal. Mas estes infelizmente são a minoria, diria mesmo, uma raridade.  A maioria continuará a buscar um cão ou gato na próxima feira ou pet shop.Há muitos anos, os militantes da defesa dos animais lutam com tenacidade para pôr um fim a uma das maiores atrocidades cometidas contra os animais, que vem a ser o extermínio em massa praticado em cães e gatos sadios pelos órgãos públicos, numa tentativa equivocada, anti-ética, ultrapassada e ineficaz de controle populacional.

E, enquanto uns buscam incessantemente o controle populacional ético, estimulando esterilizações, adoções, promovendo palestras educativas, outros estimulam nascimentos, produzem ” fábrica de filhotes”, exploram fêmeas a parir, tudo em nome do lucro, da ganância, da vaidade humana.
Vão à contramão da solução viável, acentuando o desequilíbrio nestas populações, indiferentes à sorte destes animais, cegos a uma realidade grotesca que vitimiza os inocentes, os indefesos e se omite frente aos exploradores.

Os cães e os gatos vivem um verdadeiro drama nestas selvas de concreto, as denominamos cidades modernas.Nascem em grande número e são abandonados à própria má sorte por pessoas egoístas, inconseqüentes que cultuando a ” síndrome de Pilatos” lavam as próprias mãos e viram as costas para o trágico destino destas sensíveis e vulneráveis criaturas.
O poder público por sua vez, promove seu extermínio biocida tratando-os como pragas urbanas, não percebendo ou não querendo perceber as verdadeiras causas envolvidas nesta questão. 

O comércio de animais é um dos grandes agravantes do drama da superpopulação de cães e gatos.E o que o poder público faz para coibir esta prática? Os animais têm nos dado muito. Acrescentam muito às nossas vidas, mas nós não temos retribuído da mesma maneira a eles. Mahatma Gandhi dizia: ” A grandeza de uma nação pode ser julgada pelo modo como seus animais são tratados.”    Mas os canis públicos e particulares estão lotados neste exato momento, povoados por latidos e miados lastimosos que clamam liberdade e carinho. Estão lotados pelas vítimas da nossa vaidade, da nossa insensatez, da nossa inferioridade.

Sabemos que o preconceito, que se constitui  uma das maiores manifestações de violência, tingiu a história da humanidade de sangue e horror. O nazismo exemplifica com clareza onde podemos chegar a nome do 
preconceito racial.Temos nos outorgado o direito de tiranizar a todos aqueles seres vivos, independentemente da espécie a qual pertençam, quando os consideramos de menor valor.O novo milênio chegou trazendo um desafio a todos nós: mudarmos os paradigmas vigentes e colocarmos outros em seu lugar. Mas como se faz isso?

Quinto Horácio Flaco, poeta latino que viveu entre 65 a 8 AC, 
dizia: ” Ousa saber. Começa.”, Comecemos nos conhecendo.
Comecemos tendo a coragem de nos olharmos com realismo e encararmos de frente o grande inimigo que ainda habita dentro de nós mesmos e nos faz cometer toda sorte de crueldades e desrespeito contra a vida.
Porque enquanto insistirmos em nos vermos com olhos benevolentes, sob uma ótica ingênua, não conseguiremos operar as mudanças necessárias para tornarmos este mundo um lugar ecologicamente equilibrado para as futuras gerações de todas as espécies.

O homem é somente mais uma espécie. Não é, nem nunca foi o centro da criação.    Precisamos ajudar os homens a libertarem-se de sua condição de algozes, de exploradores. Precisamos auxiliar os homens a abandonarem o comodismo e ajudá-los a perceber que são capazes de fazer diferente e melhor. A fazerem algo mais nobre pela vida como viver e deixar viver.
Porque errar é humano, persistir no erro, é maldade.    Acordemos.

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