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quinta-feira, maio 29, 2014

Deixando-os Sofrer Cruelmente - Cachorros.


Deixando-os Sofrer Cruelmente - Cachorros:  A importância que dou ao sofrimento de alguém não depende apenas de sua intensidade e das características físicas dos seres que o sentem. Nesse sentido, considero-me como anti-especista, e é por esta razão que proponho este texto aos Cahiers antispécistes. Estou, porém, em desacordo com as posições expressadas nos CA a respeito da ecologia, assim como com aquelas que associam o anti-especismo à ética.  Web site de Philippe Laporte: http://phi.lap.free.fr/

Em janeiro e fevereiro de 1995, algumas associações mobilizaram-se na Inglaterra e na França para sensibilizar a opinião pública a respeito do destino dos animais de corte durante o transporte e abate. Tal campanha aproveitou as circunstâncias para suscitar uma trabalhosa conscientização com relação ao sofrimento que a humanidade impõe às espécies que ela escraviza para o seu próprio conforto. Este tipo de campanha, desde o final do século XIX, estimula a lenta evolução de uma legislação que imponha, por exemplo, pouco a pouco, as técnicas relativamente indolores de morte.
Nesta ocasião, a difusão de reportagens televisivas revelou a um público surpreso e chocado a crueldade com que são tratados os animais de corte em todos os estágios de sua vida. A idéia passada para o público foi a de que assim que forem regulados os últimos detalhes legislativos, o problema desaparecerá.

Portanto, quem quiser aplicar os conhecimentos de psicologia social na relação entre humanos e animais explorados estará apto a prever que nenhuma legislação será suficiente para acabar com os maus-tratos, salvo se proibir pura e simplesmente toda a exploração.

O sadismo inerente às praticas de exploração de todo animal funda sua causa no fato do criador, do transportador e do açougueiro conhecerem o destino final dos animais criados para o abate: o açougue. Ainda em vida, o animal já é designado como carne. Os vivisseccionistas, por exemplo, têm o hábito de dizer que desde o instante em que utilizar um animal para transformá-lo em carne não choque ninguém, eles também podem ser utilizados para qualquer outra finalidade, ainda que mais cruel. Parece então que a primeira porta que leva ao sadismo é a do açougue.

A esperança das organizações que militam para melhorar o destino dos animais de corte corre o risco de se tornar utópica. Talvez estas organizações duvidem delas próprias, já que a única reforma «aceitável» da exploração seria… sua abolição. Mas talvez estas organizações também acreditem (enganadas ou com razão) que, por enquanto, só uma mensagem atenuada tenha chances de ser ouvida.

A experiência de Zimbardo

A mais notável experiência de psicologia social que tenha simulado uma relação de dominação institucional que possa ser comparável à do humano que educa, transporta e abate o animal, foi provavelmente a de Zimbardo. Em 1971 em Palo Alto, Califórnia, dentro do departamento de psicologia da universidade de Stanford, foi realizada uma experiência sob a direção de Philip Zimbardo para estudar as relações entre guardas e prisioneiros de instituições carcerárias. Dez falsos prisioneiros e onze guardas falsos foram selecionados, dentre setenta e cinco candidatos que responderam aos anúncios. Foram escolhidos os mais sólidos física e moralmente, os mais maduros e mais sociáveis. Participaram igualmente da experiência um supervisor, um diretor, um comitê de libertação sob juramento e um comitê de mediação. Inicialmente prevista para durar quatorze dias, a experiência foi interrompida depois de seis dias por causa do comportamento dos «guardas» que se tornaram sádicos. Mesmo os mais calmos e pacíficos, que se julgavam, talvez, incapazes de maltratar um ser humano, transformaram-se rapidamente em brutos irreconhecíveis. Uma descrição relativamente detalhada desta experiência pode ser encontrada no L’esprit nu.2. A obra expõe, igualmente, certos conhecimentos tirados desta experiência, (contando com aqueles que participaram, sobre o conhecimento de si mesmo) assim como algumas controvérsias que ela suscita. Sem entrar em detalhes, vou me salientar, sobretudo, que mesmo existindo alguns erros de interpretação dos comportamentos observados, esta experiência confirma que tais comportamentos foram induzidos pelo sistema penitenciário, e exclusivamente por este, e não por um sadismo intrínseco dos participantes. Além disso, este comportamento observado tem poucas variações em todas as instituições repreensivas. Que este ponto não cause agora mais dúvidas é certamente o argumento mais importante no debate sobre o sadismo existente no seio da exploração animal.

A explicação psicológica

Quanto à explicação psicológica do fenômeno, se ela não pode beneficiar-se das mesmas certezas e fontes de observação, ela não deixa de ser interessante.

A experiência de início coloca em evidência o prazer de dominar, mesmo naqueles em que menos se espera.

Mas existe, a meu ver, uma segunda razão confirmada por outras observações3 para o desenvolvimento do sadismo em todas as explorações ou dominações institucionalizadas. Imagine que durante a última guerra mundial você foi um oficial alemão obrigado a servir, contra sua vontade, em um campo de extermínio. Imagine que você não tenha tido a coragem de desertar, e que sua função social tenha sido a de matar judeus/judias, ciganos ou homossexuais. É evidentemente impossível assumir esta função social com indiferença. Como você se justificaria para si próprio? Sou um lixo? Para evitar isso, existe apenas uma saída psicológica: as vítimas são os safados. É a única justificativa possível no meu papel de carrasco. Quanto mais eu for sádico com eles, mais os considerarei como detestáveis e mais eu me justificarei aos meus próprios olhos. Um amigo dentista me contou ter sido levado durante seus estudos a operar mandíbulas de cadáveres. A reação de muitos estudantes foi de manifestar uma crueldade aparentemente gratuita com relação a esses corpos mortos, furando seus olhos, por exemplo. Isto não revelaria também o mesmo fenômeno? Se lhe pedem pra cortar o corpo de alguém que acaba de morrer e contra quem você não tem nenhuma animosidade, você poderia fazê-lo sem o mínimo incômodo? Não teria sido mais fácil se esse corpo fosse de um dejeto? Então já que você está em posição dominante, é o jogo que você vai jogar. Se você está sendo pago para matar cinco porcos por dia, ao invés de lhes colocar no chão sem lhes fazer mal ao retirá-los do caminhão, você vai deixá-los cair de dois metros de altura para que quebrem a coluna vertebral, e como se isso não bastasse, você ainda lhes dará um grande ponta-pé nas costelas.

Não teve opção: senão você se consideraria um monstro. Reprovamos freqüentemente os vivisseccionistas pela crueldade «gratuita» que demonstram. Sem contar os testes efetuados em animais e operações sem anestesia, eles/elas os manipulam sadicamente, deixando-os sofrer cruelmente sobre uma mesa de operação durante a hora do almoço, etc.

Não se encontra explicação para tal crueldade, geralmente subentende-se que todo o indivíduo normalmente constituído evitaria tais torturas inúteis e quem as realiza se transforma em monstro. Não se compreende que para eles/elas esta é a única fonte psicológica da crueldade que implica seu papel social e que cada um de nos será fortemente tentado (a) a adotar o mesmo num contexto similar.

Poderíamos concluir que, na escala da nossa sociedade, é utopia querer colocar um fim a este tipo de sadismo sem renunciar à exploração animal.


Para que Quebrem a Coluna Vertebral - Cachorros.


Para que Quebrem a Coluna Vertebral - Cachorros:  A importância que dou ao sofrimento de alguém não depende apenas de sua intensidade e das características físicas dos seres que o sentem. Nesse sentido, considero-me como anti-especista, e é por esta razão que proponho este texto aos Cahiers antispécistes. Estou, porém, em desacordo com as posições expressadas nos CA a respeito da ecologia, assim como com aquelas que associam o anti-especismo à ética.  Web site de Philippe Laporte: http://phi.lap.free.fr/

Em janeiro e fevereiro de 1995, algumas associações mobilizaram-se na Inglaterra e na França para sensibilizar a opinião pública a respeito do destino dos animais de corte durante o transporte e abate. Tal campanha aproveitou as circunstâncias para suscitar uma trabalhosa conscientização com relação ao sofrimento que a humanidade impõe às espécies que ela escraviza para o seu próprio conforto. Este tipo de campanha, desde o final do século XIX, estimula a lenta evolução de uma legislação que imponha, por exemplo, pouco a pouco, as técnicas relativamente indolores de morte.
Nesta ocasião, a difusão de reportagens televisivas revelou a um público surpreso e chocado a crueldade com que são tratados os animais de corte em todos os estágios de sua vida. A idéia passada para o público foi a de que assim que forem regulados os últimos detalhes legislativos, o problema desaparecerá.

Portanto, quem quiser aplicar os conhecimentos de psicologia social na relação entre humanos e animais explorados estará apto a prever que nenhuma legislação será suficiente para acabar com os maus-tratos, salvo se proibir pura e simplesmente toda a exploração.

O sadismo inerente às praticas de exploração de todo animal funda sua causa no fato do criador, do transportador e do açougueiro conhecerem o destino final dos animais criados para o abate: o açougue. Ainda em vida, o animal já é designado como carne. Os vivisseccionistas, por exemplo, têm o hábito de dizer que desde o instante em que utilizar um animal para transformá-lo em carne não choque ninguém, eles também podem ser utilizados para qualquer outra finalidade, ainda que mais cruel. Parece então que a primeira porta que leva ao sadismo é a do açougue.

A esperança das organizações que militam para melhorar o destino dos animais de corte corre o risco de se tornar utópica. Talvez estas organizações duvidem delas próprias, já que a única reforma «aceitável» da exploração seria… sua abolição. Mas talvez estas organizações também acreditem (enganadas ou com razão) que, por enquanto, só uma mensagem atenuada tenha chances de ser ouvida.

A experiência de Zimbardo

A mais notável experiência de psicologia social que tenha simulado uma relação de dominação institucional que possa ser comparável à do humano que educa, transporta e abate o animal, foi provavelmente a de Zimbardo. Em 1971 em Palo Alto, Califórnia, dentro do departamento de psicologia da universidade de Stanford, foi realizada uma experiência sob a direção de Philip Zimbardo para estudar as relações entre guardas e prisioneiros de instituições carcerárias. Dez falsos prisioneiros e onze guardas falsos foram selecionados, dentre setenta e cinco candidatos que responderam aos anúncios. Foram escolhidos os mais sólidos física e moralmente, os mais maduros e mais sociáveis. Participaram igualmente da experiência um supervisor, um diretor, um comitê de libertação sob juramento e um comitê de mediação. Inicialmente prevista para durar quatorze dias, a experiência foi interrompida depois de seis dias por causa do comportamento dos «guardas» que se tornaram sádicos. Mesmo os mais calmos e pacíficos, que se julgavam, talvez, incapazes de maltratar um ser humano, transformaram-se rapidamente em brutos irreconhecíveis. Uma descrição relativamente detalhada desta experiência pode ser encontrada no L’esprit nu.2. A obra expõe, igualmente, certos conhecimentos tirados desta experiência, (contando com aqueles que participaram, sobre o conhecimento de si mesmo) assim como algumas controvérsias que ela suscita. Sem entrar em detalhes, vou me salientar, sobretudo, que mesmo existindo alguns erros de interpretação dos comportamentos observados, esta experiência confirma que tais comportamentos foram induzidos pelo sistema penitenciário, e exclusivamente por este, e não por um sadismo intrínseco dos participantes. Além disso, este comportamento observado tem poucas variações em todas as instituições repreensivas. Que este ponto não cause agora mais dúvidas é certamente o argumento mais importante no debate sobre o sadismo existente no seio da exploração animal.

A explicação psicológica

Quanto à explicação psicológica do fenômeno, se ela não pode beneficiar-se das mesmas certezas e fontes de observação, ela não deixa de ser interessante.

A experiência de início coloca em evidência o prazer de dominar, mesmo naqueles em que menos se espera.

Mas existe, a meu ver, uma segunda razão confirmada por outras observações3 para o desenvolvimento do sadismo em todas as explorações ou dominações institucionalizadas. Imagine que durante a última guerra mundial você foi um oficial alemão obrigado a servir, contra sua vontade, em um campo de extermínio. Imagine que você não tenha tido a coragem de desertar, e que sua função social tenha sido a de matar judeus/judias, ciganos ou homossexuais. É evidentemente impossível assumir esta função social com indiferença. Como você se justificaria para si próprio? Sou um lixo? Para evitar isso, existe apenas uma saída psicológica: as vítimas são os safados. É a única justificativa possível no meu papel de carrasco. Quanto mais eu for sádico com eles, mais os considerarei como detestáveis e mais eu me justificarei aos meus próprios olhos. Um amigo dentista me contou ter sido levado durante seus estudos a operar mandíbulas de cadáveres. A reação de muitos estudantes foi de manifestar uma crueldade aparentemente gratuita com relação a esses corpos mortos, furando seus olhos, por exemplo. Isto não revelaria também o mesmo fenômeno? Se lhe pedem pra cortar o corpo de alguém que acaba de morrer e contra quem você não tem nenhuma animosidade, você poderia fazê-lo sem o mínimo incômodo? Não teria sido mais fácil se esse corpo fosse de um dejeto? Então já que você está em posição dominante, é o jogo que você vai jogar. Se você está sendo pago para matar cinco porcos por dia, ao invés de lhes colocar no chão sem lhes fazer mal ao retirá-los do caminhão, você vai deixá-los cair de dois metros de altura para que quebrem a coluna vertebral, e como se isso não bastasse, você ainda lhes dará um grande ponta-pé nas costelas.

Não teve opção: senão você se consideraria um monstro. Reprovamos freqüentemente os vivisseccionistas pela crueldade «gratuita» que demonstram. Sem contar os testes efetuados em animais e operações sem anestesia, eles/elas os manipulam sadicamente, deixando-os sofrer cruelmente sobre uma mesa de operação durante a hora do almoço, etc.

Não se encontra explicação para tal crueldade, geralmente subentende-se que todo o indivíduo normalmente constituído evitaria tais torturas inúteis e quem as realiza se transforma em monstro. Não se compreende que para eles/elas esta é a única fonte psicológica da crueldade que implica seu papel social e que cada um de nos será fortemente tentado (a) a adotar o mesmo num contexto similar.

Poderíamos concluir que, na escala da nossa sociedade, é utopia querer colocar um fim a este tipo de sadismo sem renunciar à exploração animal.


Sofrimento que a Humanidade Impõe - Cachorros.


Sofrimento que a Humanidade Impõe - Cachorros:  A importância que dou ao sofrimento de alguém não depende apenas de sua intensidade e das características físicas dos seres que o sentem. Nesse sentido, considero-me como anti-especista, e é por esta razão que proponho este texto aos Cahiers antispécistes. Estou, porém, em desacordo com as posições expressadas nos CA a respeito da ecologia, assim como com aquelas que associam o anti-especismo à ética.  Web site de Philippe Laporte: http://phi.lap.free.fr/

Em janeiro e fevereiro de 1995, algumas associações mobilizaram-se na Inglaterra e na França para sensibilizar a opinião pública a respeito do destino dos animais de corte durante o transporte e abate. Tal campanha aproveitou as circunstâncias para suscitar uma trabalhosa conscientização com relação ao sofrimento que a humanidade impõe às espécies que ela escraviza para o seu próprio conforto. Este tipo de campanha, desde o final do século XIX, estimula a lenta evolução de uma legislação que imponha, por exemplo, pouco a pouco, as técnicas relativamente indolores de morte.
Nesta ocasião, a difusão de reportagens televisivas revelou a um público surpreso e chocado a crueldade com que são tratados os animais de corte em todos os estágios de sua vida. A idéia passada para o público foi a de que assim que forem regulados os últimos detalhes legislativos, o problema desaparecerá.

Portanto, quem quiser aplicar os conhecimentos de psicologia social na relação entre humanos e animais explorados estará apto a prever que nenhuma legislação será suficiente para acabar com os maus-tratos, salvo se proibir pura e simplesmente toda a exploração.

O sadismo inerente às praticas de exploração de todo animal funda sua causa no fato do criador, do transportador e do açougueiro conhecerem o destino final dos animais criados para o abate: o açougue. Ainda em vida, o animal já é designado como carne. Os vivisseccionistas, por exemplo, têm o hábito de dizer que desde o instante em que utilizar um animal para transformá-lo em carne não choque ninguém, eles também podem ser utilizados para qualquer outra finalidade, ainda que mais cruel. Parece então que a primeira porta que leva ao sadismo é a do açougue.

A esperança das organizações que militam para melhorar o destino dos animais de corte corre o risco de se tornar utópica. Talvez estas organizações duvidem delas próprias, já que a única reforma «aceitável» da exploração seria… sua abolição. Mas talvez estas organizações também acreditem (enganadas ou com razão) que, por enquanto, só uma mensagem atenuada tenha chances de ser ouvida.

A experiência de Zimbardo

A mais notável experiência de psicologia social que tenha simulado uma relação de dominação institucional que possa ser comparável à do humano que educa, transporta e abate o animal, foi provavelmente a de Zimbardo. Em 1971 em Palo Alto, Califórnia, dentro do departamento de psicologia da universidade de Stanford, foi realizada uma experiência sob a direção de Philip Zimbardo para estudar as relações entre guardas e prisioneiros de instituições carcerárias. Dez falsos prisioneiros e onze guardas falsos foram selecionados, dentre setenta e cinco candidatos que responderam aos anúncios. Foram escolhidos os mais sólidos física e moralmente, os mais maduros e mais sociáveis. Participaram igualmente da experiência um supervisor, um diretor, um comitê de libertação sob juramento e um comitê de mediação. Inicialmente prevista para durar quatorze dias, a experiência foi interrompida depois de seis dias por causa do comportamento dos «guardas» que se tornaram sádicos. Mesmo os mais calmos e pacíficos, que se julgavam, talvez, incapazes de maltratar um ser humano, transformaram-se rapidamente em brutos irreconhecíveis. Uma descrição relativamente detalhada desta experiência pode ser encontrada no L’esprit nu.2. A obra expõe, igualmente, certos conhecimentos tirados desta experiência, (contando com aqueles que participaram, sobre o conhecimento de si mesmo) assim como algumas controvérsias que ela suscita. Sem entrar em detalhes, vou me salientar, sobretudo, que mesmo existindo alguns erros de interpretação dos comportamentos observados, esta experiência confirma que tais comportamentos foram induzidos pelo sistema penitenciário, e exclusivamente por este, e não por um sadismo intrínseco dos participantes. Além disso, este comportamento observado tem poucas variações em todas as instituições repreensivas. Que este ponto não cause agora mais dúvidas é certamente o argumento mais importante no debate sobre o sadismo existente no seio da exploração animal.

A explicação psicológica

Quanto à explicação psicológica do fenômeno, se ela não pode beneficiar-se das mesmas certezas e fontes de observação, ela não deixa de ser interessante.

A experiência de início coloca em evidência o prazer de dominar, mesmo naqueles em que menos se espera.

Mas existe, a meu ver, uma segunda razão confirmada por outras observações3 para o desenvolvimento do sadismo em todas as explorações ou dominações institucionalizadas. Imagine que durante a última guerra mundial você foi um oficial alemão obrigado a servir, contra sua vontade, em um campo de extermínio. Imagine que você não tenha tido a coragem de desertar, e que sua função social tenha sido a de matar judeus/judias, ciganos ou homossexuais. É evidentemente impossível assumir esta função social com indiferença. Como você se justificaria para si próprio? Sou um lixo? Para evitar isso, existe apenas uma saída psicológica: as vítimas são os safados. É a única justificativa possível no meu papel de carrasco. Quanto mais eu for sádico com eles, mais os considerarei como detestáveis e mais eu me justificarei aos meus próprios olhos. Um amigo dentista me contou ter sido levado durante seus estudos a operar mandíbulas de cadáveres. A reação de muitos estudantes foi de manifestar uma crueldade aparentemente gratuita com relação a esses corpos mortos, furando seus olhos, por exemplo. Isto não revelaria também o mesmo fenômeno? Se lhe pedem pra cortar o corpo de alguém que acaba de morrer e contra quem você não tem nenhuma animosidade, você poderia fazê-lo sem o mínimo incômodo? Não teria sido mais fácil se esse corpo fosse de um dejeto? Então já que você está em posição dominante, é o jogo que você vai jogar. Se você está sendo pago para matar cinco porcos por dia, ao invés de lhes colocar no chão sem lhes fazer mal ao retirá-los do caminhão, você vai deixá-los cair de dois metros de altura para que quebrem a coluna vertebral, e como se isso não bastasse, você ainda lhes dará um grande ponta-pé nas costelas.

Não teve opção: senão você se consideraria um monstro. Reprovamos freqüentemente os vivisseccionistas pela crueldade «gratuita» que demonstram. Sem contar os testes efetuados em animais e operações sem anestesia, eles/elas os manipulam sadicamente, deixando-os sofrer cruelmente sobre uma mesa de operação durante a hora do almoço, etc.

Não se encontra explicação para tal crueldade, geralmente subentende-se que todo o indivíduo normalmente constituído evitaria tais torturas inúteis e quem as realiza se transforma em monstro. Não se compreende que para eles/elas esta é a única fonte psicológica da crueldade que implica seu papel social e que cada um de nos será fortemente tentado (a) a adotar o mesmo num contexto similar.

Poderíamos concluir que, na escala da nossa sociedade, é utopia querer colocar um fim a este tipo de sadismo sem renunciar à exploração animal.


Destino dos Animais - Cachorros.


Destino dos Animais - Cachorros:  A importância que dou ao sofrimento de alguém não depende apenas de sua intensidade e das características físicas dos seres que o sentem. Nesse sentido, considero-me como anti-especista, e é por esta razão que proponho este texto aos Cahiers antispécistes. Estou, porém, em desacordo com as posições expressadas nos CA a respeito da ecologia, assim como com aquelas que associam o anti-especismo à ética.  Web site de Philippe Laporte: http://phi.lap.free.fr/

Em janeiro e fevereiro de 1995, algumas associações mobilizaram-se na Inglaterra e na França para sensibilizar a opinião pública a respeito do destino dos animais de corte durante o transporte e abate. Tal campanha aproveitou as circunstâncias para suscitar uma trabalhosa conscientização com relação ao sofrimento que a humanidade impõe às espécies que ela escraviza para o seu próprio conforto. Este tipo de campanha, desde o final do século XIX, estimula a lenta evolução de uma legislação que imponha, por exemplo, pouco a pouco, as técnicas relativamente indolores de morte.
Nesta ocasião, a difusão de reportagens televisivas revelou a um público surpreso e chocado a crueldade com que são tratados os animais de corte em todos os estágios de sua vida. A idéia passada para o público foi a de que assim que forem regulados os últimos detalhes legislativos, o problema desaparecerá.

Portanto, quem quiser aplicar os conhecimentos de psicologia social na relação entre humanos e animais explorados estará apto a prever que nenhuma legislação será suficiente para acabar com os maus-tratos, salvo se proibir pura e simplesmente toda a exploração.

O sadismo inerente às praticas de exploração de todo animal funda sua causa no fato do criador, do transportador e do açougueiro conhecerem o destino final dos animais criados para o abate: o açougue. Ainda em vida, o animal já é designado como carne. Os vivisseccionistas, por exemplo, têm o hábito de dizer que desde o instante em que utilizar um animal para transformá-lo em carne não choque ninguém, eles também podem ser utilizados para qualquer outra finalidade, ainda que mais cruel. Parece então que a primeira porta que leva ao sadismo é a do açougue.

A esperança das organizações que militam para melhorar o destino dos animais de corte corre o risco de se tornar utópica. Talvez estas organizações duvidem delas próprias, já que a única reforma «aceitável» da exploração seria… sua abolição. Mas talvez estas organizações também acreditem (enganadas ou com razão) que, por enquanto, só uma mensagem atenuada tenha chances de ser ouvida.

A experiência de Zimbardo

A mais notável experiência de psicologia social que tenha simulado uma relação de dominação institucional que possa ser comparável à do humano que educa, transporta e abate o animal, foi provavelmente a de Zimbardo. Em 1971 em Palo Alto, Califórnia, dentro do departamento de psicologia da universidade de Stanford, foi realizada uma experiência sob a direção de Philip Zimbardo para estudar as relações entre guardas e prisioneiros de instituições carcerárias. Dez falsos prisioneiros e onze guardas falsos foram selecionados, dentre setenta e cinco candidatos que responderam aos anúncios. Foram escolhidos os mais sólidos física e moralmente, os mais maduros e mais sociáveis. Participaram igualmente da experiência um supervisor, um diretor, um comitê de libertação sob juramento e um comitê de mediação. Inicialmente prevista para durar quatorze dias, a experiência foi interrompida depois de seis dias por causa do comportamento dos «guardas» que se tornaram sádicos. Mesmo os mais calmos e pacíficos, que se julgavam, talvez, incapazes de maltratar um ser humano, transformaram-se rapidamente em brutos irreconhecíveis. Uma descrição relativamente detalhada desta experiência pode ser encontrada no L’esprit nu.2. A obra expõe, igualmente, certos conhecimentos tirados desta experiência, (contando com aqueles que participaram, sobre o conhecimento de si mesmo) assim como algumas controvérsias que ela suscita. Sem entrar em detalhes, vou me salientar, sobretudo, que mesmo existindo alguns erros de interpretação dos comportamentos observados, esta experiência confirma que tais comportamentos foram induzidos pelo sistema penitenciário, e exclusivamente por este, e não por um sadismo intrínseco dos participantes. Além disso, este comportamento observado tem poucas variações em todas as instituições repreensivas. Que este ponto não cause agora mais dúvidas é certamente o argumento mais importante no debate sobre o sadismo existente no seio da exploração animal.

A explicação psicológica

Quanto à explicação psicológica do fenômeno, se ela não pode beneficiar-se das mesmas certezas e fontes de observação, ela não deixa de ser interessante.

A experiência de início coloca em evidência o prazer de dominar, mesmo naqueles em que menos se espera.

Mas existe, a meu ver, uma segunda razão confirmada por outras observações3 para o desenvolvimento do sadismo em todas as explorações ou dominações institucionalizadas. Imagine que durante a última guerra mundial você foi um oficial alemão obrigado a servir, contra sua vontade, em um campo de extermínio. Imagine que você não tenha tido a coragem de desertar, e que sua função social tenha sido a de matar judeus/judias, ciganos ou homossexuais. É evidentemente impossível assumir esta função social com indiferença. Como você se justificaria para si próprio? Sou um lixo? Para evitar isso, existe apenas uma saída psicológica: as vítimas são os safados. É a única justificativa possível no meu papel de carrasco. Quanto mais eu for sádico com eles, mais os considerarei como detestáveis e mais eu me justificarei aos meus próprios olhos. Um amigo dentista me contou ter sido levado durante seus estudos a operar mandíbulas de cadáveres. A reação de muitos estudantes foi de manifestar uma crueldade aparentemente gratuita com relação a esses corpos mortos, furando seus olhos, por exemplo. Isto não revelaria também o mesmo fenômeno? Se lhe pedem pra cortar o corpo de alguém que acaba de morrer e contra quem você não tem nenhuma animosidade, você poderia fazê-lo sem o mínimo incômodo? Não teria sido mais fácil se esse corpo fosse de um dejeto? Então já que você está em posição dominante, é o jogo que você vai jogar. Se você está sendo pago para matar cinco porcos por dia, ao invés de lhes colocar no chão sem lhes fazer mal ao retirá-los do caminhão, você vai deixá-los cair de dois metros de altura para que quebrem a coluna vertebral, e como se isso não bastasse, você ainda lhes dará um grande ponta-pé nas costelas.

Não teve opção: senão você se consideraria um monstro. Reprovamos freqüentemente os vivisseccionistas pela crueldade «gratuita» que demonstram. Sem contar os testes efetuados em animais e operações sem anestesia, eles/elas os manipulam sadicamente, deixando-os sofrer cruelmente sobre uma mesa de operação durante a hora do almoço, etc.

Não se encontra explicação para tal crueldade, geralmente subentende-se que todo o indivíduo normalmente constituído evitaria tais torturas inúteis e quem as realiza se transforma em monstro. Não se compreende que para eles/elas esta é a única fonte psicológica da crueldade que implica seu papel social e que cada um de nos será fortemente tentado (a) a adotar o mesmo num contexto similar.

Poderíamos concluir que, na escala da nossa sociedade, é utopia querer colocar um fim a este tipo de sadismo sem renunciar à exploração animal.


"Alternativas ao uso de Animais Vivos na Educação" - Cachorros.


"Alternativas ao uso de Animais Vivos na Educação" - Cachorros:  De acordo com ele, o artigo 32 do diploma jurídico ambiental incrimina “quem realiza experiência dolorosa ou cruel em animal vivo, ainda que para fins didáticos ou científicos, quando existirem recursos alternativos” – Lei dos Crimes Ambientais nº 9.605/98 – . Portanto, cabe aos alunos e a comunidade científica e civil em geral, fazer valer os termos da lei, buscando métodos alternativos para a vivissecção. Já existem, inclusive, diversos trabalhos acadêmicos a respeito, um exemplo é o livro do  biólogo Sérgio Greif,  “Alternativas ao uso de animais vivos na educação”.

Como não participar dessa insanidade?

Os alunos podem recorrer à cláusula de objeção de consciência a experimentação animal, uma forma legal de desafiar a ordem cultural vigente. “Trata-se de um legítimo direito do estudante, que, de modo pacifico, o invoca não apenas para resguardar as suas convicções íntimas garantidas pela Carta Política, mas sobretudo, para salvar a vida e poupar os animais de sofrimentos”, explica Levai.

De acordo com o promotor, “o fundamento jurídico para invocar a resistência passiva encontra-se principalmente no capítulo dos Direitos e Garantias Individuais da Constituição Federal – artigo 5º, incisos VIII, conjugado com incisos II e VI (parte inicial) e no artigo 225 par. 1º, inciso VII (parte final) da Carta da República, podendo ser exercido mediante o exercício do direito de petição no âmbito administrativo (art. 5º, inciso XXXIV), sem prejuízo de o interessado – se necessário – ingressar em juízo com Mandado de Segurança (artigo 5º, LXIX, da CF)”.

E a Lei Arouca?

A Lei Arouca, agora conhecida como 11.794/08, foi aprovada apesar de todos os esforços dos ativistas pelos direitos dos animais. Ela vai à contramão do movimento, pois regulamenta os experimentos científicos com uso de animais, atendendo ao forte lobby das indústrias farmacêuticas. Mas, apesar desse retrocesso, a Lei nada diz sobre a objeção de consciência. Sendo assim, este recurso continua válido.

A aprovação da lei, sem prévia discussão com as entidades civis acontece, não por acaso, no momento em que muitos países da União Européia estão proibindo testes em animais, por isso a forte pressão das indústrias para continuar suas práticas em países como o Brasil, onde a legislação está sempre um passo atrás.


Lobby das Industrias Farmacêuticas - Cachorros.


Lobby das Industrias Farmacêuticas - Cachorros:  De acordo com ele, o artigo 32 do diploma jurídico ambiental incrimina “quem realiza experiência dolorosa ou cruel em animal vivo, ainda que para fins didáticos ou científicos, quando existirem recursos alternativos” – Lei dos Crimes Ambientais nº 9.605/98 – . Portanto, cabe aos alunos e a comunidade científica e civil em geral, fazer valer os termos da lei, buscando métodos alternativos para a vivissecção. Já existem, inclusive, diversos trabalhos acadêmicos a respeito, um exemplo é o livro do  biólogo Sérgio Greif,  “Alternativas ao uso de animais vivos na educação”.

Como não participar dessa insanidade?

Os alunos podem recorrer à cláusula de objeção de consciência a experimentação animal, uma forma legal de desafiar a ordem cultural vigente. “Trata-se de um legítimo direito do estudante, que, de modo pacifico, o invoca não apenas para resguardar as suas convicções íntimas garantidas pela Carta Política, mas sobretudo, para salvar a vida e poupar os animais de sofrimentos”, explica Levai.

De acordo com o promotor, “o fundamento jurídico para invocar a resistência passiva encontra-se principalmente no capítulo dos Direitos e Garantias Individuais da Constituição Federal – artigo 5º, incisos VIII, conjugado com incisos II e VI (parte inicial) e no artigo 225 par. 1º, inciso VII (parte final) da Carta da República, podendo ser exercido mediante o exercício do direito de petição no âmbito administrativo (art. 5º, inciso XXXIV), sem prejuízo de o interessado – se necessário – ingressar em juízo com Mandado de Segurança (artigo 5º, LXIX, da CF)”.

E a Lei Arouca?

A Lei Arouca, agora conhecida como 11.794/08, foi aprovada apesar de todos os esforços dos ativistas pelos direitos dos animais. Ela vai à contramão do movimento, pois regulamenta os experimentos científicos com uso de animais, atendendo ao forte lobby das indústrias farmacêuticas. Mas, apesar desse retrocesso, a Lei nada diz sobre a objeção de consciência. Sendo assim, este recurso continua válido.

A aprovação da lei, sem prévia discussão com as entidades civis acontece, não por acaso, no momento em que muitos países da União Européia estão proibindo testes em animais, por isso a forte pressão das indústrias para continuar suas práticas em países como o Brasil, onde a legislação está sempre um passo atrás.


Poupar os Animais de Sofrimento - Cachorros.


Poupar os Animais de Sofrimento - Cachorros:  De acordo com ele, o artigo 32 do diploma jurídico ambiental incrimina “quem realiza experiência dolorosa ou cruel em animal vivo, ainda que para fins didáticos ou científicos, quando existirem recursos alternativos” – Lei dos Crimes Ambientais nº 9.605/98 – . Portanto, cabe aos alunos e a comunidade científica e civil em geral, fazer valer os termos da lei, buscando métodos alternativos para a vivissecção. Já existem, inclusive, diversos trabalhos acadêmicos a respeito, um exemplo é o livro do  biólogo Sérgio Greif,  “Alternativas ao uso de animais vivos na educação”.

Como não participar dessa insanidade?

Os alunos podem recorrer à cláusula de objeção de consciência a experimentação animal, uma forma legal de desafiar a ordem cultural vigente. “Trata-se de um legítimo direito do estudante, que, de modo pacifico, o invoca não apenas para resguardar as suas convicções íntimas garantidas pela Carta Política, mas sobretudo, para salvar a vida e poupar os animais de sofrimentos”, explica Levai.

De acordo com o promotor, “o fundamento jurídico para invocar a resistência passiva encontra-se principalmente no capítulo dos Direitos e Garantias Individuais da Constituição Federal – artigo 5º, incisos VIII, conjugado com incisos II e VI (parte inicial) e no artigo 225 par. 1º, inciso VII (parte final) da Carta da República, podendo ser exercido mediante o exercício do direito de petição no âmbito administrativo (art. 5º, inciso XXXIV), sem prejuízo de o interessado – se necessário – ingressar em juízo com Mandado de Segurança (artigo 5º, LXIX, da CF)”.

E a Lei Arouca?

A Lei Arouca, agora conhecida como 11.794/08, foi aprovada apesar de todos os esforços dos ativistas pelos direitos dos animais. Ela vai à contramão do movimento, pois regulamenta os experimentos científicos com uso de animais, atendendo ao forte lobby das indústrias farmacêuticas. Mas, apesar desse retrocesso, a Lei nada diz sobre a objeção de consciência. Sendo assim, este recurso continua válido.

A aprovação da lei, sem prévia discussão com as entidades civis acontece, não por acaso, no momento em que muitos países da União Européia estão proibindo testes em animais, por isso a forte pressão das indústrias para continuar suas práticas em países como o Brasil, onde a legislação está sempre um passo atrás.


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