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quinta-feira, junho 12, 2014

Abuso e Assassinato de Animais - Cachorros.


Abuso e Assassinato de Animais - Cachorros:  De onde vêm toda a guerra, racismo, terrorismo, violência e crueldade que é tão endêmica à civilização humana? Por que os humanos exploram e massacram uns aos outros tão regularmente? Por que nossa espécie é tão inclinada à violência? Para responder a essas questões, precisaríamos pensar sobre nossa exploração e massacre de animais e seus efeitos na civilização humana. É possível que oprimamos e matemos uns aos outros tão prontamente porque nosso abuso e assassinato de animais nos insensibilizou para o sofrimento e morte dos outros?

A “domesticação” de animais – a exploração de cabras, ovelhas, gado e outros animais por sua carne, leite, peles e trabalho, que começa no Oriente próximo por volta de 11 mil anos atrás – mudou a história humana. Nas últimas sociedades de caçadores-coletores havia algum senso de parentesco entre humanos e animais, refletido no totemismo e mitos que retratavam os animais, ou criaturas parte animais parte humanas, como criadores e progenitores da raça humana. Contudo, a humanidade atravessou o Rubicão quando os pastores e agricultores do Oriente próximo começaram a castrar, mutilar e marcar animais cativos para controlar sua mobilidade, dieta, desenvolvimento e vida reprodutiva. Para se distanciarem emocionalmente da crueldade que eles infligiam, eles adotaram mecanismos de desprendimento, racionalização, negação e eufemismo, e o processo se tornou muito mais duro e cruel.

Em 1917, Sigmund Freud pôs a questão em perspectiva quando escreveu: “No curso do desenvolvimento para a cultura, o homem adquiriu uma posição dominante sobre seus semelhantes no reino animal. Não contente com essa supremacia, no entanto, ele começou a criar um abismo entre sua natureza e a daqueles. Ele negou a posse de razão a eles, e para si mesmo atribuiu uma alma imortal e reivindicou para si uma descendência divina que permitiu-lhe aniquilar o laço de comunidade entre ele e o reino animal.”

A dominação, controle e manipulação que caracterizam a forma com que os humanos tratam animais que estão sob seu controle deu o tom e serviu de modelo para a forma com que os humanos tratam uns aos outros. A escravização/domesticação de animais pavimentou o caminho para a escravidão humana. Como Karl Jacoby escreveu, a escravidão foi “pouco mais que a extensão da domesticação para os humanos”.

Nas primeiras civilizações que emergiram nos vales dos rios do Antigo Egito, Mesopotâmia, Índia e China, a exploração de animais para comida, leite, couro e trabalho era tão firmemente estabelecida que essas civilizações santificaram a noção de que os animais existiam unicamente para seu benefício. Isso permitiu aos humanos usar, abusar e matá-los com total impunidade. Isso também levou os humanos a colocar outros humanos – cativos, inimigos, estrangeiros, e aqueles que eram diferentes ou desagradáveis – do outro lado da divisão onde eles eram difamados como “bestas”, “porcos”, “cães”, “macacos”, “ratos” e “vermes”. Designar outras pessoas como animais sempre foi um desenvolvimento perigoso, porque as define para humilhação, exploração e assassinato. Como Leo Kuper escreveu em Genocide: its political use in the Twentieth Century, “o mundo animal foi uma fonte particularmente fértil de metáforas de desumanização”.

Do matadouro ao campo de concentração

A relação entre a exploração animal e o holocausto é menos aparente do que no caso da escravidão, mas há uma conexão, no entanto. Tome o caso de Henry Ford, cujo impacto no século XX começa, falando metaforicamente, no matadouro americano e termina em Auschwitz.

“Acabaste de jantar, e, por mais que o matadouro esteja escrupulosamente escondido a uma agradável distância de milhas, existe cumplicidade.” (Ralph Waldo Emerson)

Em sua autobiografia, My Life and Work (1922), Ford revelou que sua inspiração para a linha de produção veio de uma visita que ele fez quando jovem a um matadouro em Chicago: “Eu acredito que essa foi a primeira linha móvel jamais instalada. A ideia [da linha de montagem] veio de forma geral do carrinho de carga que os frigoríficos de Chicago usavam para processar carne”. Uma publicação da Swift and Company daquela época descreveu o princípio de divisão do trabalho que tanto impressionou Ford: “Os animais abatidos, suspensos de cabeça para baixo por uma corrente móvel, ou transportadora, passam de trabalhador para trabalhador, cada um dos quais desempenha um passo particular no processo”. Foi um passo desde o assassinato industrializado de animais para a linha de produção do assassinato em massa de pessoas. Na novela de J.M. Coetzee, The lives of animals, a protagonista Elizabeth Costello diz a sua audiência: “Chicago nos mostrou o caminho; foi a partir dos currais de Chicago que os nazistas aprenderam como processar corpos”.

A maioria das pessoas não está consciente do papel central dos matadouros na história da indústria americana. “Historiadores privaram aos frigoríficos seu título de direito de pioneiros da produção em massa”, escreve James Barret em seu estudo sobre os trabalhadores de frigoríficos no começo do século XX, “por isso, não foi Henry Ford mas Gustavus Swift e Philip Armour que desenvolveram a linha de produção técnica que continua a simbolizar a organização racionalizada do trabalho”.

Henry Ford, que foi tão impressionado pelo modo eficiente com que os frigoríficos abatiam e desmantelavam animais em Chicago, deu sua própria contribuição para a matança de pessoas na Europa. Não apenas desenvolveu o método da linha de produção que os alemães usaram para matar judeus, mas lançou uma feroz campanha antissemita que ajudou a fazer o Holocausto acontecer.

No começo dos anos 1920 o jornal semanal de Ford, o Dearborn Independent, publicou uma série de artigos baseados no texto dos Protocolos dos Sábios de Sião, um tratado antissemita que circulava na Europa. Ford publicou uma compilação da extensão de um livro de artigos entitulada The International Jew, que foi traduzida em várias línguas europeias e foi amplamente disseminado por antissemitas, notadamente entre eles o editor alemão Theodor Fritsch, um antigo apoiador de Hitler. Graças a uma campanha publicitária bem financiada e o prestígio do nome Ford, The International Jew foi um enorme sucesso tanto nacional quanto internacionalmente.

The International Jew encontra sua audiência mais receptiva na Alemanha, onde foi conhecido como The Eternal Jew. Ford foi enormemente popular na Alemanha. Quando sua autobiografia veio a ser vendida lá, ela imediatamente se tornou o best seller número um do país. No começo dos anos 1920, The Eternal Jew rapidamente se tornou a bíblia do antissemitismo alemão, com a editora de Fritsch imprimindo seis edições entre 1920 e 1922.

Depois de o livro de Ford ter chamado a atenção de Hitler em Munique, ele usou uma versão resumida da obra na propaganda nazista de guerra contra os judeus da Alemanha. Em 1923 um correspondente do Chicago Tribune na Alemanha relatou que a organização de Hitler em Munique “enviou para fora os livros do Sr. Ford às carradas”. Baldur von Schirach, o líder da Juventude Hitlerista e o filho de um pai aristocrata alemão e de uma mãe americana, disse no julgamento pós-guerra em Nuremberg  que ele se tornou um antissemita convencido aos dezessete anos depois de ler The Eternal Jew. “Você não tem ideia de que grande influência esse livro teve sobre o pensamento da juventude alemã. A jovem geração alemã olhava com inveja símbolos de sucesso e prosperidade como Henry Ford, e se ele disse que os judeus eram culpados, nós naturalmente acreditamos nele”.

Hitler considerava Ford um camarada de armas e mantinha um retrato dele em tamanho real na parede ao lado de sua mesa em seu escritório em Munique. Em 1923, quando Hitler ouviu que Ford poderia concorrer à presidência dos Estados Unidos, ele disse a um repórter americano: “Eu queria poder enviar algumas das minhas tropas de choque para Chicago e outras grandes cidades americanas para ajudar nas eleições. Nós vemos Heinrich Ford como o líder do crescente movimento fascista na América. Nós tivemos apenas seus artigos antijudaicos traduzidos e publicados. O livro está circulando aos milhões por toda a Alemanha”. Hitler elogiou Ford em Mein Kampf, o único americano a ser destacado. Em 1931, quando um repórter do Detroit News perguntou a Hitler o que o retrato de Ford na parede significava para ele, Hitler disse: “Eu vejo Henry Ford como minha inspiração”.

Apesar de Ford ter parado de publicar o Dearborn Independent no fim de 1927 e concordado em retirar The International Jew do mercado, cópias de The International Jew continuavam a circular em larga escala na Europa e na América Latina. Na Alemanha Nazista a influência de The Eternal Jew continuou forte e duradoura, com antissemitas alemães propagandeando e distribuindo-o através dos anos 1930, frequentemente colocando os nomes de Henry Ford e Adolf Hitler juntos na capa. No fim do ano de 1933, Fitsch havia publicado vinte e uma edições, cada uma com um prefácio elogiando Ford por seu “grande serviço” à América e ao mundo por seus ataques aos judeus.

Em 1938, na ocasião de seu septuagésimo quinto aniversário, Henry Ford, o grande admirador do eficiente modo de abater e destrinçar animais na América, aceitou a Grande Cruz da Suprema Ordem da Águia Alemã, a mais alta honra que a Alemanha Nazista poderia outorgar a um estrangeiro (Mussolini foi um dos três outros estrangeiros a serem homenageados).

Em 7 de janeiro de 1942 – exatamente um mês após o ataque japonês sobre Pearl Harbor que levou os Estados Unidos a entrarem na guerra – Ford escreveu uma carta a Sigmundo Livingston, presidente nacional da Liga Antidifamação [Anti-Defamation League], em que expressou sua desaprovação do ódio “contra os judeus ou qualquer outro grupo racial ou religioso”. Naquela época, Einsatzgruppen (esquadrões móveis assassinos alemães) no Leste tinham já assassinado centenas de milhares de homens, mulheres e crianças judeus, e o primeiro campo de extermínio alemão em Kulmhof (Chelmno) já estava em operação.

Da criação de animais ao genocídio

Outra contribuição americana à solução final da alemanha nazista– a eugenia – estava enraizada na exploração animal. A criação de animais domésticos – criando os mais desejáveis e castrando e matando o resto – se tornou o modelo para os esforços eugênicos americanos e alemães para melhorar suas populações. A América liderou o caminho das esterilizações forçadas, mas a Alemanha Nazista rapidamente foi arrebatada e começou seus assassinatos por eutanásia e genocídio.

O desejo de melhorar as qualidades hereditárias da população humana teve seus inícios nos anos 1860, quando Francis Galton, um cientista inglês e primo de Charles Darwin, mudou da meteorologia para o estudo da hereditariedade (ele cunhou o termo “eugenia” [eugenics] em 1881). No fim do século XIX, teorias genéticas, fundadas sobre a assunção de que a hereditariedade era baseada em rígidos padrões genéticos pouco influenciados pelo ambiente social, dominavam o pensamento científico.

O movimento eugenista na América começou com a criação da Associação Americana dos Criadores [American Breeders’ Association – ABA] em 1903. No segundo encontro da associação, em 1905, uma série de relatórios sobre o grande sucesso atingido na criação seletiva de animais e plantas levou os delegados do evento a perguntarem por que tais técnicas não poderiam ser aplicadas a seres humanos. A criação de um comitê de hereditariedade humana, ou eugenia, no terceiro encontro da associação em 1906 lançou o movimento eugenista na América.

Seu líder era o pesquisador de aves Charles B. Davenport, que serviu como diretor do Eugenics Record Office (ERO) em Cold Spring Harbor em Long Island em Nova Iorque. Davenport, que descreveu a eugenia como “a ciência do melhoramento da raça humana por meio de uma melhor reprodução”, ansiava pelo momento em que uma mulher não mais aceitaria um homem “sem conhecer seu histórico biológico-genealógico” como um pecuarista que levaria “um reprodutor para seus potros e bezerros que estavam sem pedigree”.  Ele acreditava que “a revolução mais progressista na história” poderia ser atingida se “acasalamentos humanos pudessem ser colocado sobre o mesmo plano que a reprodução de cavalos”. Esterilização começou na América em 1887, quando o superintendente do Escritório Sanitário de Cincinatti publicou a primeira recomendação pública para a esterilização de criminosos, tanto como punição quanto como forma de prevenir mais crimes. Autoridades usaram o mesmo método que fazendeiros usavam para esterilizar animais machos não selecionados para reprodução, para esterilizar criminosos – castração. Castração foi o método preferido usado para esterilizar criminosos homens até 1899, quando a vasectomia foi adotada porque era mais prática.

Indiana passou a primeira lei de esterilização em 1907. Em 1930 mais da metade dos estados americanos aprovaram leis que autorizavam a esterilização de criminosos e doentes mentais, com a Califórnia liderando com mais de sessenta por cento das esterilizações forçadas do país. Nos anos 1930 a esterilização compulsória tinha apoio difundido nos Estados Unidos, com reitores de universidades, clérigos, trabalhadores em saúde mental e diretores de escolas entre seus maiores defensores. Os Estados Unidos rapidamente se tornaram o modelo para outros países que queriam esterilizar seus “defeituosos”. Dinamarca foi o primeiro país europeu a aprovar como lei em 1929, seguida rapidamente por outras nações européias.

Na Alemanha, que passou sua lei de esterilização seis meses depois que os Nazistas chegaram ao poder, a eugenia estabeleceu raízes profundas nos círculos médicos e científicos depois da Primeira Guerra Mundial. Em 1920 dois acadêmicos respeitados – Karl Binding, um estudioso de direito amplamente publicado, e Alfred Hoche, um professor de psiquiatria com especialidade em neuropatologia – publicaram Die Freigabe der Vernichtung lebensunwerten Lebens (Autorização para a destruição da vida indigna de viver). Nele, eles argumentaram que o direito alemão deveria permitir o assassinato piedoso de pacientes institucionalizados que eram lebensunwert (“indignos de viver”) e cujas vidas eram “sem propósito” e um fardo para os seus familiares e para a sociedade. No começo da década de 1920, a Rockfeller Foundation e outras fundações americanas proveram extensivo suporte financeiro para pesquisa eugênica na Alemanha. Na época em que os Nazistas chegaram ao poder, mais de vinte institutos para “higiene racial” já tinham sido estabelecidos em universidades alemãs.

A lei de prevenção à progênie hereditariamente doente [Law on Preventing Hereditarily Ill Progeny], que o governo Nazista emitiu em 14 de Julho de 1933, exigia a esterilização de pacientes sofrendo de transtornos físicos e mentais em hospitais do estado e asilos. Até então, os Estados Unidos já haviam esterilizado mais de 15000 pessoas, muitas destas enquanto estavam encarceradas em prisões ou albergues para doentes mentais. As leis de esterilização da América causaram uma impressão tão favorável em Hitler e seus seguidores que a Alemanha Nazista olhou para os Estados unidos como uma liderança racial. Hitler teve interesse especial no progresso da eugenia nos Estados Unidos. “Eu estudei com grande interesse as leis de muitos estados americanos tratando da prevenção da reprodução de pessoas cuja progênie seria, com toda probabilidade, de nenhum valor ou prejudicial ao patrimônio racial”. Contudo, os esforços de esterilização da Alemanha Nazista rapidamente ultrapassaram aqueles dos Estados Unidos. As estimativas do número total de alemães esterilizados sob os nazistas variam entre 300000 e 400000.

Os alemães também ficaram impressionados com as leis de imigração da América, que barravam pessoas com doenças hereditárias e limitou pessoas vindas de países não nórdicos. Em 1934, o antropólogo racial alemão Hans F. K. Gunther disse a uma platéia na Universidade de Munique que as leis americanas de imigração deveriam servir como guia e inspiração para a Alemanha Nazista. Cientistas raciais alemães também admiraram as leis de segregação e miscigenação. De ato, os teóricos nazistas se queixavam que as políticas raciais alemãs ficaram para trás das da América, observando que em alguns estados sulistas uma pessoa com 1/32 de ancestralidade negra era legalmente negra, enquanto na Alemanha, se alguém fosse 1/8 judia ou, em muitos casos, ¼ judia, aquela pessoa era considerada legalmente ariana.

Os americanos foram os mais fortes apoiadores estrangeiros das políticas raciais nazistas. Em 1934, Eugenic News proclamou que em “nenhum país do mundo a eugenia é mais ativa como uma ciência aplicada do que na Alemanha” e elogiou a lei nazista de esterilização como um avanço histórico. Dezenas de antropólogos, psicólogos, psiquiatras e geneticistas americanos visitaram a Alemanha Nazista onde eles tiveram encontros de alto escalão com os líderes e cientistas nazistas e visitaram os institutos de higiene racial, departamentos de saúde pública e os tribunais de saúde hereditária. Quando os americanos retornaram e relataram suas visitas em revistas profissionais e de divulgação, elogiaram o programa de esterilização alemão.

Como o americano Charles Davenport, Heinrich Himmler, cabeça da organização nazista SS e principal arquiteto da Solução Final, começou sua educação eugênica com reprodução animal. Seus estudos agrícolas e sua experiência em criação de galinhas convenceram-no de que, desde que todas as características comportamentais são hereditárias, a maneira mais efetiva para moldar o futuro de uma população – humana ou não – era instituir projetos de reprodução que favorecessem o desejável e eliminassem o indesejável. Himmler logo estava em posição de aplicar os princípios e métodos eugênicos em seres humanos de uma maneira que nenhum eugenista americano nunca foi capaz de fazer.

Rudolf Höss, o comandante de Auschwitz e outro forte defensor da eugenia com experiência agrícola, escreveu em sua autobiografia após a guerra que o plano original para Auschwitz era fazer dali uma importante estação de pesquisa agrícola. “Todo tipo de pecuária era para ser realizada ali”. No entanto, no verão de 1941 Himmler convocou-o a ir para Berlim para informá-lo da ordem fatídica para a exterminação em massa dos judeus da Europa, uma ordem que logo transformou Auschwitz no “maior matadouro humano que a história jamais conheceu”. No verão de 1942 Auschwitz era enorme, um centro completo de serviços de eugenia para melhoria das populações animais e humanas, com centros de criação de animais e o campo de extermínio de Birkenau para o abate de judeus, ciganos e outros “sub-humanos”. A campanha eugênica da Alemanha entrou em uma nova fase, mortífera, em 1939, quando Hitler emitiu uma ordem secreta para o assassinato sistemático de alemães retardados mentais, emocionalmente transtornados e fisicamente enfermos que eram um embaraço para o mito da supremacia ariana.

Uma vez que crianças “defeituosas” foram identificadas e institucionalizadas, médicos e enfermeiras ou os deixavam passar fome até a morte, ou davam a eles doses letais de luminal (um sedativo), veronal (comprimidos para dormir), morfina ou escopolamina. O programa de “eutanásia” – chamado Operação T4, ou simplesmente T4 – transportou adultos para centros especiais de matança equipados com câmaras de gás. T4 matou entre 70000 e 90000 alemães antes de ser oficialmente interrompido em agosto de 1941. Em 1942, não muito depois de os psiquiatras alemães terem enviado o último de seus pacientes às câmaras de gás, o Journal of the American Psychiatric Association publicou um artigo que pedia o assassinato de crianças retardadas (“erros da natureza”).

A criação e abate de animais que estavam no centro na eugenia americana e alemã produziram um número de pessoal-chave para a T4, incluindo aqueles enviados à Polônia para operar os campos de morte. Victor Brack, gerente chefe da T4, recebeu um diploma em agricultura da Universidade Técnica de Munique, enquanto Hans Hefelmann, que liderou o escritório que coordenou o assassinato das crianças deficientes, tinha um doutorado em economia agrícola. Antes de passar mais de dois anos no centro de eutanásia Hartheim, na Áustria, Bruno Bruckner trabalhou como porteiro em um matadouro em Linz. Willi Menz, um guarda especialmente sádico de Treblinka, havia sido encarregado de vacas e porcos em dois centros de matança, Grafeneck e Hadamar. O último comandante de Treblinka, Kurt Franz, treinou com um mestre açougueiro antes de se juntar à SS. Karl Frenzel, que trabalhou como foguista em Hadamar antes de ser posicionado no campo de morte de Sobibor, também havia sido açougueiro. Para o pessoal alemão enviado à Polônia para exterminar judeus, a experiência na exploração e abate de animais provou ser um excelente treinamento.

A exploração e abate de animais oferece o precedente para o assassinato em massa de pessoas e o torna mais provável porque nos condiciona a abafar a empatia, compaixão e respeito por outros que são diferentes. Isaac Bashevis Singer escreveu, “Há apenas um pequeno passo de matar animais até criar câmaras de gás à la Hitler”. De fato há. Por volta da mesma época o filósofo judeu alemão Theodor Adorno fez uma afirmação semelhante: “Auschwitz começa toda vez que alguém olha para um matadouro e pensa: eles são apenas animais”.

Realmente.

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