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segunda-feira, junho 30, 2014

Compartilham Cama de Dormir - Cachorros.


Compartilham Cama de Dormir - Cachorros:  Os cachorros são criaturas adoráveis, leais e capazes de grandes desmonstrações de emoção e sentimentos. Porem, apesar de toda está lealdade, cumplicidade e interatividade para com as pessoas com quem ele convive, especialmente os seus responsaveis. Não é recomendavel se compartilhar camas ou sofas com eles, principalmente dormir na mesma cama Entretanto está pratica tem se tornando bastante comum e habitual atualmente, pois mais de 50% dos responsaveis compartilham a cama de dormir com os seus cachorros. Porem, segundo pesquisas feitas por especialistas em zoonoses, os cachorros e tambem os gatos podem transmitir mais de 100 tipos diferentes de doenças para os seres humanos.



Pois muitas pessoas estão tratando os seus cachorros com todo mimo e carinho como se fossem verdadeiros filhos, dividindo o mesmo espaço e tendo uma contato fisico muito proximo e de forma constante. Não que não se deva tratar os cachorros e outros animais de estimação com todo amor e carinho, e tambem não se ter contato fisico com os mesmos, muito pelo contrario. Porem é recomendavel, se tomar certas precauções higienicas, e se evitar compartilhar certos espaços como sofas e camas com os mesmos. Não que seja por culpa deles, porem ha um risco real de transmissão de doênças graves e serias classificadas como zoonoses por parte dos cachorros para as pessoas. E mesmo que estas contaminações não ocorram com grande frequência, não vale a pena arriscar, pois com saude não se brinca. Entretanto estas doenças podem ser facilmente evitadas, se forem tomadas certas precauções e cuidados.



Por exemplo, alem de não ser recomendavel, não se deve deixar que os cachorros não só não compartilhem sofas e camas. Como não frequentarem tambem certos cômodos da casa, como os quartos, e principalmente se forem quartos de bebês. Pois entre as doenças que podem ser transmitidas, principalmente, pelos cachorros que dividem a cama com seus responsaveis, estão graves enfermidades infecçiosas e verminoses. E geralmente os cachorros, que compartilham a mesma cama com seus responsaveis e familiares, são cachorros de raça. E a grande maioria são os de raças pequenas, como yorkshire, poodle e shi tzu. Mas tambem é comum entre os responsaveis de alguns cachorros de raça de grande porte principalmente de labradores, de habituarem os seus cachorros a este comportamento.



No entanto, não ha necessidade de alarde ou aprenssão, porem amar e cuidar dos cachorros com carinho e atenção, não significa necessariamente mimalos em excesso, e um pouco de disciplina e limites faz muito bem a personalidade do cachorro. Basta apenas se tomar certos cuidados e precauções basicos, e ter um pouco de bom senso, e principalmente manter sempre atualizadas as vacinas e a vermifugação dos cachorros. E as vantagens e benefícios de se ter um cachorro ou qualquer outro animal de estimação são muito maiores do que os riscos. Pois esta comprovado clinica e estatisticamente que quem os possui, têm a pressão arterial mais baixa, um menor indice de depressão. Ou seja desfrutam de uma otima saude fisica e mental, em grande parte decorrentes de sua relação afetiva e emocional com os cachorros ou outros animais de estimação.



domingo, junho 29, 2014

Bilirrubina no Sangue - Cachorros.


Bilirrubina no Sangue - Cachorros:  A Icterícia Canina é causada em decorrência de um acúmulo de bilirrubina no sangue dos cachorros, e cachorros com icterícia têm uma descoloração amarela dos tecidos do corpo como os olhos, gengivas e pele. A condição resulta de aumento dos níveis de bilirrubina no organismo, que é um dos subprodutos do heme, uma proteína de glóbulos vermelhos. Inclusive qualquer cachorro pode vir a desenvolver a icterícia, porem é muito raro, no entanto, observar-se a ocorrência de icterícia em filhotes. Entretanto a Icterícia geralmente não é exatamente uma doença, mas sim, um conjunto de sintoma de uma série de doenças caninas. E as suas causas podem ser desencadeadas por diversos fatores, que que podem vir a ser:

Icterícia pré-hepática - Que é causada pela hemólise dos glóbulos vermelhos, levando consequentemente o cachorro à anemia, e que pode ser originada pela presença de  toxinas, da dirofilariose, e infecções diversas, entretanto muitas outras determinantes podem vir a desencadear esta condição. Exposição a determinadas toxinas e drogas pode causar necrose das células hepáticas e disfunção hepática. Anti-apreensão de drogas, tais como fenobarbital e fenitoína acetaminofeno, sulfa tipo antibióticos e mebendazol, medicamento anti-parasitários, são alguns dos medicamentos comumente prescritos para os cachorros que podem vir a desencadear a icterícia hepática. Vários cânceres de fígado, bem como a sua metástase e sua respectiva disseminação podem tambem causar obstrução intra-hepática e consequentemente causar icterícia. Doenças inflamatórias, tais como hepatite crônica ativa e colangite, e doenças infecciosas do fígado de origem bacteriana, viral ou fúngica, muitas vezes desencadeiam a icterícia nos estágios iniciais do processo da doença. Cirrose, doença onde o tecido funcional do fígado transforma-se cicatrizes nodulares devido a uma série de graves transtornos, tambem causa icterícia hepática. Doenças congênitas de determinadas raças como Bedlington Terrier, Doberman, Pinschers e algumas outras raças relacionadas com problemas genéticos relativos a seus fígados, também podem estar associadas com icterícia hepática.

Icterícia hepática - A Icterícia hepática, ocorre quando o fígado é afetado por uma doença ou infecção que interferem com a sua capacidade e função normal, sendo que as doenças hepáticas primárias e tumores são as causas mais comuns.

Icterícia pós-hepática - A Icterícia pós-hepática, ocorre quando o duto biliar ou da vesícula biliar é obstruído ou não está funcionando corretamente, que pode ser em decorrência de um câncer, de cálculos biliares, pancreatite ou algum trauma.

Sendo que os sintomas caracteristicos da presença da icterícia nos cachorros, se manifestam com a presença de um aparente tom amarelo para o branco em seus olhos, em suas gengivas e dentro de suas orelhas, e tambem a sua urina passa a ter uma aparência escura, com uma cor amarelada quase marrom ou desbotada, devido à presença de bilirrubina na mesma, inclusive a bilirrubinúria pode aparecer antes dos demais sintomas se manifestarem, como nas membranas das mucosas da boca, nos olhos, na pele, no focinho, nas gengivas e outras partes dos tecidos do corpo do cachorro ficarem amarelados, pálidos e descoloridos, que são sinais caracteristicos da presença da icterícia.

Em geral, sinais não específicos tais como letargia, fraqueza e diminuição do apetite podem vir há ocorrer em muitos cachorros, embora alguns cachorros acometidos pela icterícia podem vir a manifesta-la de forma assintomática. E o diagnóstico da presença da icterícia é geralmente baseada na coloração amarela da pele ou membranas mucosas observado pelo veterinário no próprio exame físico. Sendo que após este diagnóstico inicial e parcial, o veterinário deverá fazer a solicitação de um hemograma completo, e exame de urina, para verificar se há presença de anemia, e tambem para uma avaliação das funções hepáticas e dos níveis de bilirrubina.

Poderá também solicitar radiografias ou uma ultra-sonografia, para poder verificar se há presença de tumores ou pedras no trato biliar. E quanto ao seu tratamento, inclusive não há um tratamento específico para a icterícia, sendo que o objetivo principal é identificar a causa da icterícia e tratá-la o mais especificamente possível. Se a icterícia é devida a hemólise excessiva, a causa da hemólise é que deve ditar o seu tratamento. E qualquer potênciais toxinas que podem vir a estar causando hemólise, devem ser identificados e imediatamente removidos, e novas exposições aos mesmos devem ser evitadas. E tambem antibióticos ou agentes anti-parasitários, podem ser necessário para causas infecciosas ou parasitárias de hemólise.

Sistema imune-suprimindo as drogas como os corticosteróides são usados para tratar imune mediada por hemólise. Transfusões de sangue podem ser necessários para tratar a anemia sintomaticamente até a sua causa seja identificada, ou para dar tempo para que outros tratamentos médicos sejam providênciados e atuem. E o tratamento, será baseado nas causas subjacentes e pode incluir antibióticos ou transfusões de sangue caso haja ocorrência de anemia, a uma terapia de apoio para doença hepática, ou se necessário realização de cirurgia para remoção de eventuais pedras no duto biliar. E a realização da biópsia hepática fornece tecidos para detecção de anormalidades microscópicas de tecidos do fígado.

Isto é tipicamente providenciado se anemia não estiver presente, e tambem não há evidências no exame de ultra-som de obstrução do ducto biliar ou doença da vesícula biliar. Porem quando o resultado do ultra-som revela obstrução, como foi dito anteriormente a cirurgia exploratória é muitas vezes necessário para identificar e corrigir a causa da obstrução. Inclusive está cirurgia também é realizada, quando a causa para a icterícia ainda permanece incerta, mesmo após os testes e procedimentos necessários para o diagnóstico já terem sido realizados. E quanto ao prognóstico, como com todos os sinais da doença, o resultado em um cachorro com icterícia depende principalmente da causa subjacente da icterícia e da resposta do cachorro ao tratamento.

Muitos veterinários costumavam pensar que a presença de icterícia em um cachorro, invariavelmente, sinalizavam a manifestação de uma doença fatal. Hoje, porém, o resultado pode ser bem mais favorável para os cachorros eventualmente acometidos, principalmente quando o tratamento é feito à tempo, e de uma forma correta e adequada. Cachorros com pré-hepática icterícia devido à hemólise pode se recuperar completamente de suas respectivas doenças, se as mesmas forem devidamente identificadas e tratados com sucesso. No entanto, a taxa de mortalidade para cachorros com insuficiência hepática pré-icterícia também pode ser bastante elevado, com muitos cachorros podendo vir a sucumbir à sua doença de base. Quando a icterícia é causada por uma doença hepática primária ou secundária, o tratamento é dirigido para o distúrbio subjacente.

Algumas doenças do fígado respondem a tratamentos específicos, enquanto a maioria só pode ser tratada de forma sintomaticamente e embasada. Tratamento da doença hepática em cachorros pode incluir a administração de fluidos, antibióticos, antiácidos, anti-inflamatórios, vitamina K, drogas para suprimir a formação de tecido cicatricial ou para influenciar o fluxo biliar e vitamina E e os suplementos de ácidos graxos. Inclusive algumas doenças do fígado se resolvem com o próprio tempo, mas muitas, como hepatite crônica e cirrose, se não forem devidamente tratadas, pode inclusive evoluir gravemente com o tempo.  E quanto a prevenção da ocorrência da icterícia, inclusive não há meios específicos de prevenção para a maioria das doenças que causam icterícia em cachorros. porem a vacinação preventiva  pode proteger contra a hepatite infecciosa causada por adenovírus, e tambem contra determinadas espécies de bactérias leptospira.











sábado, junho 28, 2014

Tecido Subcutâneo do Cachorro.


Tecido Subcutâneo do Cachorro:  Berne é como se denomina a larva da mosca da espécie Dermotobia Homanis que parasita o cachorro fixando-se e fazendo inicialmente um pequeno orifício em sua pele na qual depois penetra ate 2 cm, causando edemas localizados com postula e também muita dor e irritação ao cachorro, principalmente quando se movimentam no orifício pois possuem micro espinhos em volta do corpo. E este orifício no qual se abrigam-se  e  se nutrem no tecido subcutâneo,  permanece aberto durante todo o ciclo de vida da larva, permitindo assim a sua respiração através do mesmo, enquanto a esta larva se desenvolve alimentando-se do tecido subcutâneo do cachorro.  A mosca da espécie Dermatobia Homanis que e responsável por esta enfermidade o Berne geralmente habita regiões rurais, sendo raramente encontrada nos grandes centros urbanos. 

A mosca  Dermotobia Homanis causadora do berne tem entre 120 a 160 mm de comprimento, e seu  abdome tem  cor caracteristica de azul metálico. Outra caracteristica própria da mosca Dermotobia Homanis que a difere de outras espécies, e que ela não deposita seus ovos diretamente sobre a pele dos potenciais hospedeiros de suas larvas, que no caso especifico são os cachorros, e sem predileção por qualquer tipo de raça, com suas larvas vitimando igualmente a todas. A mosca Dermotobia Homanis caça primeiramente outras espécies de moscas, mosquitos e ate alguns tipos de bezouros hematofagos,  e ao captura-los deposita seus próprios ovos nos seus abdomens. E serão estas moscas ou besouros hamatofagos, que após esta captura e operação efetuadas pela mosca Dermotobia Homanis que irão disseminar esses mesmos ovos em seus hospedeiros definitivos, ao parasita-los sugando-lhes o sangue.  E no caso especifico as vitimas e os hospedeiros definitivos são os cachorros.  

Após fixarem-se sobre a pele do cachorro, as larvas fazem um pequeno orifício e penetram no tecido subcutâneo, onde se abrigam, se alimentam e se desenvolvem, período este  que leva em media de 37 a 52 dias. E a medida que se desenvolvem e crescem, vão alargando e aprofundando este orifício que toma a forma de uma cápsula, mas sempre mantendo uma abertura para que possam respirar, podendo atingir este orifício capsular uma profundidade de ate 2 cm. e com 0.7 a 1,1 cm. de largura. E durante este processo de desenvolvimento continuo da larva da mosca Dermotobia Hominis e seu consequente crescimento, o cachorro e acometido por  fortes dores e uma grande inflamação pustulenta no local do orifício. E após a conclusão deste estagio larval ( 37 a 52 dias), a larva sai da cápsula e vai para o ambiente, transformando-se em pupa e abriga-se criando um casulo protetor. O estagio de pupa leva em torno de 31 a 44 dias para finalizar-se, quando então a pupa deixa o casulo protetor e transforma-se na mosca  berneira Dermatobia Hominis.  E neste estagio o ciclo de vida da mosca da espécie Dermotobia Hominis e de somente 24 horas. 

A melhor forma de prevenção do parasitismo da larva da mosca Dermotobia Hominis, com seus respectivos sintomas e enfermidades, e evitar o contato do cachorro com as moscas e mosquitos  hematofagos e os respectivos ambientes propícios aos mesmos. Assim que identificados os sintomas caracteristicos do berne deve-se imediatamente procurar auxilio e orientação de um veterinário, para um diagnóstico, tratamento e medicação adequadas,  inclusive evitando  riscos a saúde e também maiores sofrimentos ao cachorro. A extração da larva deve ser feito por um veterinário, pois caso seja feita de maneira inadequada pode-se deixar resíduos da larva no orifício, que depois calcificam  formando nódulos, podendo causar infecções e ate tumores. E quanto aos medicamentos o veterinário deve também prescrever e acompanhar a sua administração, pois certos medicamentos como ivermectina que se usa na forma injetavel, podem causar  lesões neurológicas, convulsões, inflamação nas meninges e inclusive com o risco de levar o cachorro ao óbito. E também os medicamentos como os repelentes sistémicos a base de fention, piretroides sinteticos ou diclorvos devem ser administrados somente com orientação e supervisão de um veterinário.

sexta-feira, junho 27, 2014

Jogados em Cruzamentos ( Encruzilhadas ) - Cachorros.


Jogados em Cruzamentos ( Encruzilhadas ) - Cachorros:  Na semana que passou, a população rio-grandina teve notícias de mais um caso de maus-tratos a animais, que levou a questionamentos e dilemas, visto envolver o assunto religião. Um pobre animal, assim como muitos dos que vemos por aí jogados em cruzamentos (encruzilhadas) de ruas ou em áreas verdes menos habitadas (vegetação do Jardim Sol, beira de estradas etc.) e mortos, foi encontrado com vida por transeuntes que se sensibilizaram com o sofrimento alheio e de espécie que não a humana.

Buscaram ajuda com as professoras da escola pública Getúlio Vargas, estas, em exemplo de solidariedade, colocaram a mão no feitiço, resgataram o animal com as duas asas e patas quebradas, abandonado para morrer de dor, de inanição, sede, atropelado etc. Essas professoras passaram grande parte de seu sábado de folga procurando soluções a fim de que a ave tivesse destino diferente do almejado pelos seres cruéis que o torturaram e depois o “arrumaram” em uma encruzilhada, com pacotes vermelhos e alguns charutos. Eu pude presenciar no dia posterior o sofrimento do animal, aos cuidados de pessoa humilde, de situação financeira limitada e de coração nobre.

Acompanhei o desenrolar dos comentários à matéria publicada no jornal e, inclusive, a denúncia feita na Câmara de Vereadores. Fiquei feliz em ver a unanimidade de opiniões em condenar o ato. Aprendi que a Umbanda não usa animais em seus rituais (mas não entendo por que o título da matéria do dia 28/10 do Jornal Agora fala em líder umbandista e este afirma o uso de animais).

Usam-nos as religiões de matriz africana que, segundo sustentaram seus representantes, não aprovam animais quebrados jogados nas ruas. Afirmou o sr. Nilo: “Nós não queremos sofrimento em nossas vidas, então, por que fazer um animal sofrer? Não tem lógica. Nós sacrificamos animais em nossas festas, mas sempre para nos servir de alimento”.

Ou seja, sempre que a discussão sobre morte de animais em ritos religiosos vem à tona, a justificativa “nobre” é a de que esses animais, depois de manipulado nos ritos (e sinceramente não consigo entender como um ser que não quer morrer e sente dor não sofra), servem de alimento. Assim também os povos antropófagos comiam seus inimigos, a fim de absorverem suas qualidades.

Como disse a doutora em filosofia Sonia Felipe quando palestrou em Rio Grande, há cerca de dois anos, o ser humano cultua a “religião do prato”, “meu prato é sagrado, não ponham as mãos nele. Eu ‘preciso’ de pedaços de animais em meu prato para viver. Aprendi a ser assim, não tirem a minha comida! Vou morrer sem ela.”

Ao longo da história, o uso de animais humanos passou a ser abominado pela espécie (embora às vezes surjam notícias de que tais atos continuem acontecendo), infelizmente os animais de outras espécies ainda o continuam sendo. Ao longo da história, muitas vozes também têm se levantado contra o hábito alimentar humano de servir-se de outras espécies (Anna Kingsford, Helena Blavatsky, Gandi, Henry Salt, Schopenhauer, Plutarco e tantos outros nomes) e muitos humanos entenderam que o sagrado do seu prato é justamente não se alimentar de seres sencientes, aprenderam que “não devem e não precisam” se alimentar dos corpos dos animais não-humanos.

Assim como muitos seres humanos trocaram e trocam seus hábitos a cada dia, substituindo os animais do seu prato por uma infinidade de alimentos sem precisar da morte de seres sencientes, as religiões que ainda os usam poderiam fazer o mesmo.

Riobaldo, o personagem de Guimarães Rosa, nos diz “Eu quase que nada não sei. Mas desconfio de muita coisa.” Esse número expressivo de pessoas que discordam do uso de animais em ritos religiosos, embora ainda não seja de vegetarianos, tem no seu íntimo a desconfiança de que alguma coisa está errada… Tom Regan (filósofo da libertação animal) chama-os de “relutantes”. Todos os humanos pertencem à mesma espécie animal e ninguém é superior a ninguém, mas todos podemos fazer diferença, a cada dia, para milhões e milhões de seres indefesos escravizados, torturados, explorados, comidos, somente pelo fato de não pertencerem à nossa espécie.

quinta-feira, junho 26, 2014

Os Ossos ainda Espetam o Couro - Cachorros.


Os Ossos ainda Espetam o Couro - Cachorros:  Antes de decidir se deita na sacadinha ou se se enrosca nos meus pés, a cachorrinha me olha à espera de um sinal que convide para a proximidade ou que aprove a escolha da nesga de sol que ainda bate fora. Como não respondo, dá quatro voltas sobre um eixo imaginário e se deixa cair na almofada que é antes propriedade dos gatos. Não a conheço muito ainda, e ela tampouco sabe como sou e das manias da casa. Recolhi-a há menos de uma semana e, como o estado fosse muito deplorável, levei-a ao veterinário, onde ficou por alguns dias até ter alguma coisa parecida com alta. Os ossos ainda espetam o couro, e o pelo é malhado pelas falhas. Tem todos os pendores para concorrer em algum macabro concurso de cão mais feio ou cão mais debilitado ou cão mais assustador ou, por fim, o que me comoveu, cão mais necessitado. Não há parte desse corpo que não precise de algum cuidado. A parte da orelha que estava pendurada, resultado da bicheira que comeu-lhe alguns pedaços, foi amputada. Olhos e nariz secretam coisas misteirosas. Alheia à sua estética e talvez a suas dores, ela agora se esparramou na almofada e puxou o suspiro mais longo que essas paredes já ouviram.

Os gatos não são assim: se chegam a um estado tão horripilante, se escondem. Não sabemos deles, voltam às penumbras, misturam-se aos seres das sombras nos bueiros até morrerem de vergonha ou de fome.

A cachorrinha exibia sua feiúra e sua moribundice entre muitas pernas na rua mais movimentada da cidade. Ser chutada não era motivo para não insistir em mostrar-se, em querer disputar um resto de comida, em tentar encarar os algozes na esperança de que algum mudasse de ideia.

Depois de examinar na sua volta se não teria por tutor algum humano tão maldito quanto ela – e também porque precisasse fazer hora até a consulta-, passei a segui-la. Fora os momentos em que precisava desesperadamente se coçar, andava muito rápido, parecendo ter certeza de para onde deveria ir. Mas não havia esta certeza, ela já dera voltas, entrara em becos, voltara pelo mesmo beco depois de cheirar à direita e à esquerda. Não, ela não tinha tutor, não tinha certezas, não tinha para onde ir. Mas eu tinha. Nem tutor nem certezas, apenas aonde ir.

Foi, porém, a primeira vez em que faltei à consulta. Não sou do tipo de desmarcar, nem deixar esperando, nem mesmo me atrasar.

Não era exatamente receptiva a companhia na sala de espera do veterinário. As senhoras boas, bem vestidas e aflitas não estavam acostumadas ao espetáculo que oferecemos eu e a cachorrinha. Apesar de ser a mais desafortunada, só ela parecia feliz contra a parede em que, ornando nossas cabeças, um grande pôster continha imagens de mais de 50 exemplares de animais de raça, seus nomes estrangeiros, e por isso importantes, abaixo das fotos. De vez em quando se mexia no meu colo e me olhava. Ao me reconhecer, Maurício abriu um sorriso que logo desmanchou ao ver as marcas de sangue na minha blusa e, mais abaixo, a coisa feia. Nesse momento, quis desesperadamente lembrar um nome para poder me referir à cachorrinha superando sua condição de ser genérico. Em seguida, lá estava ela furando a fila das schnauzers e das poodles, escarrapachada na mesa gelada do meu senhorio de tempos passados. Ela já não estava muito feliz, embora nos olhasse sempre com muito agradecimento. Rabo para enfiar no meio das pernas já não tinha, mas ficava curva como se ele, o fantasma do rabo, estivesse ali grudado na barriga. Quando me despedi dela, ficaria internada para as cirurgias mais emergentes, saiu um espontâneo tchau, Paloma.

Mas foi só um momento de inspiração não confirmada. Não há nada de Paloma na mancha marrom cuja respiração relaxada sobe e desce na almofada dos gatos na sacada. Não posso gastar o tempo que gostaria vendo seu sono, nem buscar na memória afetiva um nome que combine com ela. Tenho coisas a fazer, e são tantas que uma súbita confusão mental se apossa da minha razão. Deito um instante para pôr ordem nas ideias e caio no sono.

Vou acordar apenas quando as batidas na porta me pareceram exageradas para uma ocasião normal. Na hora não me ocorre que as batidas que ouvi não eram as primeiras, nem as segundas, talvez fossem as últimas vigésimas. (a história continua, só que em outra mídia). Aqui fica um apelo a quem teve a generosidade de chegar a este fim: adote um animal de rua. Não compre animais, não seja racista, não deixe morrer e não faça parte da morte de animais, sejam cães, gatos ou de qualquer espécie.

quarta-feira, junho 25, 2014

Remover Energia Negativa - Gatos.


Remover Energia Negativa - Gatos:  A maioria das pessoas acha que os gatos não fazem nada, são preguiçosos e tudo que fazem é comer e dormir. Não é bem assim!

Você sabia que os gatos têm uma missão na nossa vida?

Você já parou para pensar porque tantas pessoas hoje em dia têm gatos? Mais do que o número de pessoas que tem cães?

Aqui está uma série de informações sobre a vida secreta dos gatos. Todos os gatos têm o poder de, diariamente, remover energia negativa acumulada no nosso corpo. Enquanto nós dormimos, eles absorvem essa energia. Se há mais do que uma pessoa na família, e apenas um gato, ele pode acumular uma quantidade excessiva de negatividade ao absorver energia de tantas pessoas. Quando eles dormem, o corpo do gato libera a negatividade que ele removeu de nós. Se estivermos excessivamente estressados, eles podem não ter tempo suficiente para liberar tamanha quantidade de energia negativa, e consequentemente ela se acumula como gordura até que eles possam liberá-la. Portanto, eles se tornarão obesos e você achava que era a comida com que você os alimentava!

É bom ter mais do que um gato em casa para que a carga seja dividida entre eles. Eles também nos protegem durante a noite para que nenhum espírito indesejável entre em nossa casa ou quarto enquanto dormimos. Por isso eles gostam de dormir na nossa cama. Se eles verificarem que estamos bem, eles não dormirão conosco. Se houver algo estranho acontecendo ao nosso redor, eles todos pularão na nossa cama e nos protegerão.

Se uma pessoa vier a nossa casa e os gatos sentirem que essas pessoas estão ali para nos prejudicar ou que essas pessoas são do mal, os gatos nos circundarão para nos proteger. Quando meus gatos começaram a fazer isso comigo, eu não entendia porque eles ficavam em cima de mim ou aos meus pés. Eu soube depois que eles estavam me protegendo. Então, meus ouvidos e meus olhos buscam imediatamente ver a reação dos meus gatos para ver o que eles farão quando alguém entra em minha casa. Se eles correm para a pessoa, cheiram-na e querem ser acariciadas por essa peça, eu sei que posso relaxar.

Dívida a resgatar

Se você não tem um gato, e um gato vira-latas entra em sua casa adotando-a como lar, é porque você precisa de um gato em casa nessa época em particular. O gato vira-latas voluntariou-se para ajudar e escolheu você. Agradeça ao gato por escolher sua casa para esse trabalho. Se você tem outros gatos e não pode ficar com o vira-lata, encontre um lar para ele. O gato veio a você por um motivo, desconhecido para você a nível físico, mas em sonhos você pode ver a razão para o aparecimento do gato nessa época, se você quiser saber. Pode acontecer de haver um débito cármico que ele tem que pagar a você. O espírito que o acompanha pode ter feito algum mal a você em outra vida e deve resgatar essa dívida protegendo você nesta vida. Portanto, não afugente o gato. Ele vai ter que voltar de um modo ou de outro para realizar esta obrigação.

Os Gatos Nos Curam

Na época de Atlântida, os curandeiros usavam cristais em seus trabalhos. Os cristais eram usados como um canal de cura. Quando os curandeiros visitavam vilas distantes, eles não podiam usar os cristais pois o povo desconfiava deles achando que eles usavam magia negra. Como eles não podiam usar cristais, os curandeiros levavam gatos que exerciam exatamente a mesma função dos cristais. O povo não tinha medo dos gatos e permitiam que eles entrassem em suas casas. Desse modo, os gatos têm sido usados inúmeras vezes na arte da cura.

terça-feira, junho 24, 2014

Testados em Animais - Cachorros.


Testados em Animais - Cachorros:  Experimentação animal é a prática cruenta de utilização de animais vivos ou recém-mortos com propósitos experimentais ou didáticos. Essa prática tornou-se padrão na medicina experimental desde que o fisiologista Claude Bernard assim o estabeleceu, em 1865. Desde então, houve poucos questionamentos quanto à validade desses métodos, os quais seguiram como referência na pesquisa acadêmica.

Tanto é assim que a definição do termo “pesquisa científica”, constante na Lei nº 11.794/2008, envolve o conceito de experimentação animal, supondo não poderem ambos ser dissociados. De acordo com a Lei nº 11.794/2008, Art. 1º, § 2º: “São consideradas como atividades de pesquisa científica todas aquelas relacionadas com ciência básica, ciência aplicada, desenvolvimento tecnológico, produção e controle da qualidade de drogas, medicamentos, alimentos, imunobiológicos, instrumentos, ou quaisquer outros testados em animais, conforme definido em regulamento próprio”.

As leis referentes à experimentação animal são, a saber, a Lei Federal nº 6.638/79, a Lei Federal nº 9.605/98, a Lei Estadual nº 11.977/05 e a já citada, recém-aprovada, Lei Federal nº 11.794/08 (Lei Arouca).

Todas essas leis partilham entre si o reconhecimento de que animais não são indivíduos nem sujeitos de direito, posto que autorizam sua utilização sob determinados critérios. Não são, portanto, leis de proteção animal, mas regulamentadoras de seu uso, sendo pouco aplicáveis em seu favor.

A história mostra que leis e ética nem sempre caminham juntas, e nem todas as leis são justas ou visam ao bem comum. Leis podem favorecer determinadas classes, determinadas etnias, determinados grupos econômicos, mas elas em si não expressam o estado de direito natural. As leis reconhecerem ou não direitos individuais não revela o real status do indivíduo.

Nesse sentido, faremos a seguir uma breve revisão sobre as leis relativas à experimentação animal.



Lei Federal nº 6.638/79

A referida lei, revogada pela Lei Federal nº 11.794/08, proibia a vivissecção em animais não devidamente anestesiados, ou que os procedimentos ocorressem em locais não apropriados, sem a supervisão de técnicos especializados, ou em presença de menores de idade. Obrigava também que animais que seriam vitimas de procedimentos permanecessem em biotério pelo tempo mínimo de 15 dias.

Apesar disso, a Lei 6.638 não era uma lei proibitiva, mas permissiva, visto que o texto do Artigo 1º deixava claro: “Fica permitida, em todo o território nacional, a vivissecção de animais, nos termos desta lei”. E se por um lado a lei valorizava a vivissecção, tornando-a “necessária”, por outro a total falta de fiscalização tornava-a ineficaz.

Com efeito, pergunte-se informalmente a qualquer grupo de estudantes universitários se estes presenciaram procedimentos realizados em animais sem anestesia, e a resposta invariavelmente seria positiva (assim como se encontrará grande número de respostas positivas quando se questionar sobre a prática de dissecções no ensino médio, antes de os estudantes completarem a maioridade).

Há, porém, a defesa pouco provável, mas bastante recorrente, de que a utilização de anestesias pode prejudicar a finalidade do experimento, sendo esta, pelo menos nesses casos, dispensável. Embora tal afirmação não encontre respaldo legal (e, na maioria das vezes, tampouco técnico), ela abre precedente para o não-cumprimento da lei. Também quanto às condições em que tais procedimentos ocorrem, ou seja, em ambientes de acesso restrito, estando o pesquisador/professor em condição hierárquica superior, não há significativo registro de denúncias referentes ao não uso de anestésicos, apesar do expressivo histórico informal. De toda maneira, o uso ou não de anestésicos pouco influencia a vivissecção pelo ponto de vista moral.

Por fim, a lei em questão não trazia definição do que seria um “local apropriado” para a realização de vivissecção e qual a formação necessária para o técnico especializado. Portanto, a aplicação também dessas exigências nunca pôde ser realizada.


Lei Federal nº 9.605/98

A Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/98) estabelece no artigo 32 detenção e multa para quem “Praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos” e continua em seu parágrafo primeiro: “Incorre nas mesmas penas quem realiza experiência dolorosa ou cruel em animal vivo, ainda que para fins didáticos ou científicos, quando existirem recursos alternativos”.

Embora esta lei venha sendo interpretada como supostamente proibitiva no que se refere ao uso prejudicial de animais na ciência e no ensino, sendo fato agravante a ocorrência de morte do animal (parágrafo segundo), a lei condiciona a proibição à existência de recursos alternativos, faltando, porém, definir em que circunstâncias determinado método será aceito como um recurso alternativo.

Por convenção internacional, a aceitação de determinado método como recurso alternativo depende da “validação” desse método, ou seja, esse método necessita ser reprodutível e os resultados obtidos devem ser não apenas agrupados, como comparáveis a um método considerado padrão. O método considerado padrão é, por convenção, mas sem nenhuma justificativa técnica, a experimentação animal.

Ou seja, todo método alternativo, para ser considerado válido, deve produzir resultados comparáveis aos que seriam obtidos com animais, mesmo que freqüentemente os resultados obtidos em animais não sejam comparáveis aos que seriam obtidos em seres humanos. Para validar métodos alternativos faz-se necessário equipará-los a métodos que jamais foram validados, condenando-os aos mesmos erros a que está sujeita a experimentação animal.

Por outro lado, um método inegavelmente lógico corre o risco de ser considerado não científico por não fazer seus resultados coincidirem com os obtidos em animais, o que ironicamente também se aplica a dados obtidos diretamente de seres humanos.

Mas, se desvencilhamos o pensamento científico da necessidade de uso de animais, um exercício mais epistemológico do que técnico, vemos que o objetivo da ciência médica é a busca da saúde humana e não a busca de status do cientista/pesquisador, o que pode ser medido pelo maior número de publicações científicas, de títulos acadêmicos, de prêmios da classe, de patentes etc.

De toda maneira, quando a lei proíbe a experimentação animal apenas no contexto da já existência de métodos alternativos, ela desobriga o cientista da necessidade de se empenhar no desenvolvimento de seus próprios métodos alternativos, delegando essa função a terceiros. Ora, o vivissector não pode utilizar a inexistência de recursos alternativos como desculpa, porque o fator limitante para a elaboração de métodos é principalmente o volume e a variedade de linhas de pesquisa existentes e possíveis. Não é possível a nenhum ser humano familiarizar-se com toda a produção científica de determinada instituição, quanto mais elaborar métodos substitutivos para o uso de animais em cada uma delas.

Cabe ao cientista interessado no desenvolvimento de determinada linha de pesquisa desenvolver um método que não utilize animais, e não esperar que outros os descubram. Se animais não fossem vistos como recursos, a ciência certamente não pararia, assim como não parou quando se criaram leis para regulamentar a pesquisa com seres humanos. O desenvolvimento de metodologias que não utilizem animais deve ser parte do trabalho do cientista.



Lei Estadual nº 11.799/05

Essa lei estadual, elaborada pelo deputado Ricardo Tripoli, é intitulada Código de Proteção aos Animais em SP, embora na leitura do legislador “proteger animais” não seja o sentido de proteção que conferimos, por exemplo, às crianças, aos idosos, etc. Animais, sob a “proteção” dessa lei seguem sendo recursos e podem ser explorados, só não podendo ser “abusados”. O código procura estabelecer quais as regras do que seja considerado abuso, por uma perspectiva do legislador e de seu sistema particular de crenças.

Em seu Capítulo IV, o código trata Da Experimentação Animal, estabelecendo na seção II as condições para a criação e uso de animais de laboratório, sendo elas a obrigatoriedade de registro dos estabelecimentos vivisseccionistas em órgão competente e sob supervisão de profissionais de nível superior e a necessidade de constituição de uma Comissão de Ética no Uso de Animais – CEUA, voltada para examinar previamente os procedimentos de pesquisa a serem realizados na instituição.

O código estabelece que animais a serem utilizados nas atividades de pesquisa e ensino devem ser criados em centros de criação ou biotérios, mas cria a brecha para que se utilizem animais não criados dessa forma, dependendo da espécie ou quando o objetivo do estudo assim o exigir. A lei proíbe a utilização de animais oriundos dos centros de controle de zoonoses ou canis municipais.

A lei estabelece, também, em seu artigo 32: “É vedada a realização de procedimento para fins de experimentação animal que possa vir a causar dor, estresse, ou desconforto de média ou alta intensidade sem a adoção de procedimento técnico prévio de anestesia adequada para a espécie animal”. Porém, o código não estabelece critérios que possam ser utilizados para sua aplicação, ou seja, de que forma mensurar os níveis de dor, estresse e desconforto de maneira quantitativa? Que índices adotar?

O código também estabelece, em seu artigo 36, que a experimentação animal “fica condicionada ao compromisso moral do pesquisador ou professor, firmado por escrito, responsabilizando-se por evitar sofrimento físico e mental ao animal, bem como a realização de experimentos cujos resultados já sejam conhecidos e demonstrados cientificamente”, ou seja, cabe ao algoz o “compromisso moral” de evitar o sofrimento excessivo de sua vítima, não havendo forma de fiscalizar ou contestar, por uma perspectiva externa, os procedimentos adotados e o cumprimento da lei.

A lei também cria a possibilidade de o cidadão declarar objeção de consciência referente ao ato da vivissecção, um direito em verdade já exercido com base na Constituição.



Lei Federal nº 11.794/08 (Lei Arouca)

A Lei Federal nº 11.794/08, recentemente sancionada, revoga a Lei nº 6.638/79, agora permitindo a utilização de animais em estabelecimentos de educação profissional técnica de nível médio da área biomédica. A lei também cria o Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (CONCEA), com competências relacionadas à valorização da experimentação animal e não o contrário.

A própria composição do conselho torna clara a posição tendenciosa do CONCEA, fazendo dele parte, entre outros, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, a Federação das Sociedades de Biologia Experimental, o Colégio Brasileiro de Experimentação Animal e a Federação Nacional da Indústria Farmacêutica, ou seja, as entidades que promovem ativamente a propaganda em favor da experimentação animal e que particularmente constituíram lobby para forçar a aprovação da referida lei.

A previsão de participação de dois representantes das sociedades protetoras de animais também se constitui em uma forma de favorecer a experimentação animal, por não terem esses membros número suficiente ou conhecimentos técnicos para argumentar contra os procedimentos propostos. No entanto, sua presença no conselho simboliza aprovação das pesquisas propostas também pela fatia da sociedade que pretensamente essas pessoas representam, o que é lamentável.

A lei também prevê obrigatoriedade de constituição de CEUAs institucionais. CEUAs, ou Comissões de Ética no Uso de Animais, são estruturas criadas dentro das instituições para validar seus procedimentos de modo a torná-los mais aceitáveis perante a sociedade. Trazem o nome da “ética” como mero argumento de retórica, porque, sem dúvida, não é esse o objetivo.

Para efeito de comparação, poder-se-ia crer em um “Comitê de Ética” criado, mantido e composto por policiais da prisão de Abu Ghraib, ou por soldados nazistas em um Campo de Concentrações? Poderia seu testemunho sobre as boas condições de seus prisioneiros valer alguma coisa? E de que forma apropriar-se da “ética” para tornar correta, de alguma forma, crimes completamente injustificáveis?

Parece óbvio dizer que os Comitês de Ética no Uso de Animais não visam ao benefício do animal, mas ao benefício do pesquisador, visto que validam pesquisas e permitem a publicação de dados em revistas de renome, tornando a pesquisa acima de qualquer questionamento.

Igualmente, essa lei proíbe utilizações sucessivas de um mesmo animal para mais de uma pesquisa, obriga o uso de anestesia e analgesia e proíbe o sofrimento excessivo do animal, sendo todos esses procedimentos, porém, difíceis de se verificar por uma pessoa externa ao contexto do laboratório. É, portanto, letra morta, criada para dar satisfação aos crescentes anseios da sociedade. No interior do laboratório trabalham o pesquisador e o pessoal diretamente relacionado à pesquisa, não há como saber se o que está na lei é cumprido, pois todas as testemunhas têm interesse em resultados de pesquisa e não no bem do animal.


Considerações finais

A promulgação de leis que regulamentam o uso de animais configura, em si, flagrante reconhecimento de que animais não são sujeitos de direito. Caso assim o fossem, seu uso não seria regulamentado, mas proibido. De uma maneira antagônica, leis que sustentam “defender” os animais em verdade servem para demonstrar que animais não possuem, realmente, direitos.

Por outro lado, propor projetos de leis que simplesmente clamem pela abolição da experimentação animal, nesse momento em que o pensamento da população não esta voltado para uma causa abolicionista ou para a compreensão de que a saúde humana não depende da pesquisa realizada com animais, não é uma alternativa viável, visto que as leis devem refletir o pensamento da população. Impor uma lei positiva por meio de negociações e lobbies, mas que esteja em desacordo com o pensamento popular, é fragilizar o conceito, imunizar a sociedade para uma futura ação que em outras condições seria mais efetiva.

O fim da experimentação animal virá com a educação da população. A população precisa ser conscientizada de que não depende da experimentação animal e de que a indústria farmacêutica precisa da população mais do que a população dela. Quando a experimentação animal deixar de ser vista como necessidade, leis realmente abolicionistas serão naturalmente propostas.'''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''

Papel Afetivo - Cachorros.


Papel Afetivo - Cachorros:  Não há nada mais digno de ser apreciado a cada dia que passa, com todo o avanço tecnológico que vivemos, do que o olhar de um cão para seu tutor. É verdade que muitos ainda não tiveram a oportunidade de conviver com um animal, ou definitivamente não gostam do convívio – o que não lhes dá o direito de maltratá-los. Mas, mergulhado nesse universo dos dias de hoje, no avanço das comunicações, das informações, do consumo desenfreado, é incrível como nada é capaz de substituir essa antiga relação entre os animais e os seres humanos.

Neste último mês, fiquei muito sensível às notícias sobre o comportamento dos cães, na atualidade, hoje por demais humanizados; talvez pelo fato de ter recentemente perdido meu cão, chamado Brutus, um fila-brasileiro que durante 13 anos esteve ao meu lado. Tive de me conformar buscando compreensão sobre o papel afetivo dessa nossa relação com os animais. Fiquei comovido com a notícia sobre um cachorro em uma aldeia na província de Shandong, na China, que ficou guardando o túmulo de seu tutor. O animal pertencia a Lao Pan, que morreu no início de novembro, aos 68 anos, de acordo com reportagem da emissora de TV Sky News. Por sete dias o cão foi visto ao lado da sepultura, e, como o animal estivesse sem comer, moradores o levaram de volta à aldeia e lhe deram comida. No entanto, o cachorro voltou para o cemitério – mais de uma vez. Incrível…

Nesse esteio de fatos, foi revelado também que cada vez mais cães militares sofrem de estresse pós-traumático. Segundo o médico veterinário Dr. Burghardt, chefe do departamento de medicina comportamental no Hospital Militar de Cães estadunidense com base na Holanda, estimativas mostram que mais de 5% dos 650 cães militares enviados pelo governo americano às regiões de combate desenvolveram estresse pós-traumático, o que os tornou mais agressivos, ou mais dependentes e inseguros.

Num mundo em que há tantos valores deteriorados, tantos conflitos que geram guerras, desentendimentos, egoísmo e falta de solidariedade, temos muito o que aprender com os animais, que desde as épocas mais remotas estiveram ao nosso lado, oferecendo sua lealdade, sua força, e nos instigando a refletir sobre a nossa incapacidade como seres humanos de administrar nossos conflitos de forma pacífica. Com efeito, desde a antiguidade usamos a resignação equina para promovermos guerras, levando conosco os cavalos a participar dos massacres da nossa espécie. Costumo dizer que história da humanidade foi construída com a figura equina sempre posta, leal, mesmo diante de nossas contradições.

A grande verdade é que a humanidade, quer por conscientização ou através de legislação, enxerga os animais como nossos companheiros nesta jornada por esta vida. É um alívio ver que violências institucionais, ou individuais, como a praticada com o cão da raça rottweiler, chamado Lobo, que foi arrastado por ruas de Piracicaba (interior de São Paulo) pelo próprio tutor, sejam punidas com penas mais severas. Soube que esse cão, o Lobo, também morreu, mas, com certeza, seu tutor não foi visitá-lo nem deixou uma rosa no seu túmulo. Essa é a diferença entre um lobo e um ser humano…

O autor, Fernando Rizzolo, é advogado, jornalista, professor universitário, membro efetivo da Comissão de Direitos Humanos da OAB-SP

Fon

segunda-feira, junho 23, 2014

Respeito pela Vida - Cachorros.




Respeito pela Vida - Cachorros: Depois de alguns anos de prática na clínica de pequenos animais, foi-se desenvolvendo em mim uma crescente inquietude acerca deste tema. Sempre achei necessário ter uma posição, uma atitude coerente e sobretudo honesta frente a esta situação onde tantas vezes me vi envolvido. Em muitas destas vezes, o resultado mecanicamente escolhido estava de acordo com os “usos e costumes” social e profissionalmente aceitos.

Passaram-se uns tantos anos: acumulei experiência, observei com cuidado e atenção, incorporei informação e atualmente creio poder expressar uma opinião.

Antes de tudo, devemos esclarecer o significado da palavra eutanásia, com o propósito de que todos saibam a que nos referimos quando a mencionamos. Pessoalmente acho que é empregada de forma incorreta uma vez que, segundo sua etimologia, significa “boa morte” ou “bem morrer” e o dicionário a define como “morte sem sofrimento”. Raramente aquele que a pratica se detém para pensar se está provocando algum tipo de sofrimento em sua vítima. Recordemos, como exemplo, o tristemente difundido uso de miorrelaxantes que, simplesmente, matam por asfixia.

Vou tratar apenas da situação limite que ocorre na relação entre paciente, tutor e médico veterinário, na prática diária da clínica de pequenos animais, excluindo aqui todas as outras circunstâncias, razões e meios pelos quais chega-se a decidir que um ou vários animais devem morrer. A análise das motivações culturais, sociais, sanitárias e econômicas implica em um conhecimento técnico amplo e profundo de cada um desses campos e não me parece prudente tratá-los superficialmente. De todo modo, qualquer que seja o ponto de partida, a meta é a reivindicação de um princípio ético fundamental: o respeito pela vida em todas as suas formas.

Da mencionada relação entre paciente, tutor e médico veterinário, tentarei analisar, primeiro, as diversas atitudes de dois de seus membros. Deste modo, sigo o costume estabelecido em nosso meio: prescindir da opinião do terceiro. Deixarei para o final a observação da situação e a atitude deste terceiro personagem que é, obviamente, o paciente.

É imprescindível que o médico veterinário e o tutor coincidam em sentido afirmativo para que o fato aconteça.

Por que o tutor decide que seu animal deve morrer?

1-Porque está muito velho, surdo, quase cego e caminha com dificuldade e “ele não pode suportar” vê-lo nestas condições, recordando os momentos felizes que passou vendo-o brincar quando era jovem.

2-Porque, ainda que seja jovem, “ele não tolera” vê-lo com esse aspecto horrível da enfermidade da pele, crônica e tão rebelde aos tratamentos e que, por outro lado, produz um cheiro tão desagradável, “pobrezinho”(?).

3-Porque a enfermidade é grave, com poucas possibilidades de ser superada e “ele sofre muito” pensando que, após tanta luta e dor, de qualquer forma seu animalzinho pode morrer.

4-Porque a situação familiar derivada da preocupação pela enfermidade do animal, “tornou-se insustentável”.

5-Porque, sinceramente, crê que existe uma possibilidade de poupar sofrimentos supostamente inúteis em um animal que ama de verdade.

6-Porque aceita o conselho do médico veterinário.

Os quatro primeiros casos – cujos argumentos tenho ouvido, quase textualmente, com muita frequência – são o resultado de uma atitude absolutamente egoísta, referindo-se à preocupação que o tutor tem pelo seu próprio bem-estar e esquecendo de considerar quem de fato necessita.

Quem nos deu tantos momentos felizes durante muitos anos, merece que dediquemos alguns meses de esforço e alguma preocupação para ajudá-lo a transitar sem dor pelos últimos momentos de sua vida.

O ser que nos orgulhou com sua beleza não merece ser condenado à morte porque momentaneamente não satisfaz às necessidades estéticas de nossa vaidade.

Nossa própria dor pelo enfermo que sofre não pode ser contemplada antes da dor do enfermo, porque é ele quem necessita de ajuda.

E a situação familiar? Muitas vezes se invoca a presença das crianças, para as quais a situação resultaria uma experiência desagradável. Por que não aproveitar para brindá-las com um exemplo de solidariedade para com aquele que sofre e de amor pela vida?

Os motivos expressados nos casos 5 e 6 merecem ser incluídos nas considerações gerais. Seria bom pensar se por trás desse “poupar sofrimento” não se oculta a intenção de livrar-se de um verdadeiro peso ou se o conselho do profissional não é apropriado e oportuno para aliviar um sentimento de culpa pela consumação de um ato que não se poderia levar a cabo sem a presença de um cúmplice.

Por que o médico veterinário decide que seu paciente deve morrer?

1- Porque o considera incurável.

2- Porque as escassas possibilidades de cura não justificam os esforços de todo tipo que deveriam ser realizados.

3- Para poupar seu paciente de sofrimentos “ supostamente inúteis”.

4- Porque o tutor pede.

O prognóstico de incurabilidade é pronunciado com frequência de forma muito chamativa, a tal ponto que caberia questionar a utilidade de tantos anos de estudos realizados por veterinários, uma vez que, aparentemente, só são “atendíveis” as enfermidades que não apresentam verdadeira gravidade.

Como médico veterinário, devo confessar que o prognóstico de incurabilidade, sobretudo se o diagnóstico vem acompanhado de alguns exames complementares e a sentença é pronunciada em tom acadêmico, é uma saída elegante cheia de vantagens. A saber:

1- Libera da responsabilidade de enfrentar um tratamento com probabilidades de fracassar. Os fracassos, ainda que em casos gravíssimos, sempre provocam certa perda de prestígio.

2- Alivia o esforço de trabalho e dedicação que significa um enfermo grave.

3- No caso da morte induzida ser aceita pelo tutor (coisa muito provável ), acaba-se prontamente com um “caso problema”, dispondo-se de mais tempo para as vacinações e casos sem gravidade, que são a fonte mais importante de ingressos fáceis.

Pessoalmente, quando, diante de um caso muito grave, me requerem um prognóstico definitivo, costumo responder que só podemos estar seguros daquilo que conhecemos com certeza, porém este tipo de conhecimento certeiro é muito escasso entre os homens. O que conhecemos é ínfimo em relação ao que não conhecemos. Deste modo, ninguém, ninguém em absoluto, pode ter a certeza, a segurança de que um paciente indefectivelmente morrerá. Dito de outra maneira, só poderemos assegurar a incurabilidade de um paciente quando este estiver morto.

Todos os milagres são simples evidências de nossa ignorância. Continuo assombrado cada vez que presencio a cura de um caso que, de acordo com o diagnóstico da entidade clínica, perfeitamente realizado, deveria ser considerado como perdido. Da mesma forma, me assombro diante do fatal desenlace de casos que aparentemente estavam bem controlados.

Sendo assim, podemos nos perguntar: devemos condenar um animalzinho à morte simplesmente porque ignoramos a forma de curá-lo?

Nossa missão como médicos é lutar pela vida do enfermo, tratando sempre de curá-lo ou ao menos aliviá-lo, com todos os meios disponíveis, colocando-nos ao seu lado e não ao lado da enfermidade e da morte. Todo ser vivo tem o direito de ser favorecido pelo “milagre” e não podemos negar-lhe esta oportunidade.

Com frequência, esquece-se de consultar outros profissionais e especialmente evita-se recorrer a outro tipo de medicina não convencional ou a métodos considerados mágicos ou curandeiros, como se o dogma científico fosse mais importante que a vida do paciente.

Como podemos trair aquele que nos pede ajuda e confia em nós? O orgulho pessoal, a necessidade de prestígio, consideração e, inclusive, o interesse material, valem mais que a vida e o bem-estar de nosso paciente?

Aprofundando um pouco mais, afirmo que os homens, qualquer que seja o grau de autoridade científica, social ou cultural alcançado, não temos o direito de destruir aquilo que somos incapazes de criar e cujo profundo mistério desconhecemos: a vida.

Na situação analisada, quando falo de vida, refiro-me especificamente à vida do paciente.

Tratarei agora da condição do “terceiro personagem”, a quem considero o mais importante.

Se ele pudesse falar e lhe perguntássemos sua opinião, o que diria?

Se ele pudesse… porém… não pode? Quantos de nós e, quantas vezes, nos detivemos a escutar sua voz?

Todos os animais são capazes de fazer-nos saber o que querem, o que sentem, especialmente se convivemos com eles. No caso de animais doentes, esta expressividade conserva-se e até exalta-se em alguns, resultando quase óbvio que, além da expressão e da atitude, cada sintoma é um pedido de ajuda.

Além disso, foi observado que os animais são capazes de certo “voluntarismo” com relação a sua vida, tal é o caso de cães que, por terem morrido seus tutores, “decidem” morrer também” (cada leitor deve conhecer uma história semelhante).

Apresento a seguir um episódio arrepiante de sobrevivência voluntária, a mim relatado por uma pessoa próxima dos protagonistas da história, da qual foi testemunha ocular. Tratarei de resumi-lo.

Um homem, por razões de trabalho, deve viajar e ausentar-se por um período bastante longo. Seu cão, já velho, permanece em sua casa em companhia da família. Na ausência do tutor, o cachorro adoece gravemente e o médico veterinário que o atende prognostica um desenlace fatal em curto prazo, chegando, inclusive, a propor a morte induzida para evitar o que considerava uma agonia inútil.

Os familiares preferem não tomar nenhuma decisão sem o consentimento do tutor que, ao ser comunicado do fato, decide regressar para casa.

Enquanto isso, passam os dias e o cachorro permanece em um estado de estupor comatoso, não come nem bebe, apenas respira. Ninguém, nem mesmo o médico veterinário, consegue explicar como é possível que continue vivendo. Já deveria estar morto.

Permanece nessas condições por quase uma semana. Finalmente o tutor regressa e o cachorro, que tinha permanecido “inconsciente” todo esse tempo, ao entrar o tutor, levanta a cabeça e olha para ele. O tutor aproxima-se e, chorando, o acaricia.

No momento em que recebe a carícia, o cachorro morre.

Como é possível que tutor e veterinário decidam, às vezes tão superficialmente, o destino de uma vida como esta?

Alguém poderia dizer e, de fato tenho ouvido isso muitas vezes, que é “desumano” permitir a dor “inútil” de um cão que nem tem esperanças de salvação.

Tenho mencionado a relatividade e subjetividade do conceito de incurabilidade, de modo que agregarei outra afirmação: creio que não existe nenhuma dor física que supere aquela que produz a certeza da morte artificial iminente produzida com a cumplicidade de quem se tem amado tanto.

Poucas pessoas ignoram que os cães percebem nossa atitude, ainda que não façamos absolutamente nada, de maneira que é evidente que “sabem” o que vamos fazer e quando começamos a fazê-lo. Quando chamamos nosso cachorro para sair para passear, ele vem imediatamente, porém quando o chamamos para tomar banho (quando não gosta de banho) ele se esconde, ainda que nosso tom de voz possa ser igual. Quando o levamos ao consultório do veterinário, resiste a passar por este lugar, ainda que o caminho seja o mesmo que fazemos para levá-lo à praça. Há ainda muitos outros exemplos.
Como podemos pensar, então, que ele não sabe que vamos matá-lo?

Ele sabe disso e nenhum sofrimento físico é comparável com a angústia que este fato lhe produz.

Quem já olhou nos olhos de um cão neste momento, não esquecerá jamais este olhar. Eu nunca o esquecerei. Como também não esquecerei nunca o último caso de “eutanásia” que cheguei a praticar.

Tratava-se de uma cadela com uma encefalite em período depressivo, que encontrava-se em coma havia quarenta e oito horas. Quando, em cumplicidade com o dono, convencidos de que era o melhor, tomamos a nefasta decisão, preparei a seringa e, ao inclinar-me sobre meu paciente para injetá-la, começou a sacudir-se tentando, ainda inconsciente, levantar-se como para escapar.

Estou absolutamente convencido de que ela sabia o que eu ia fazer.

E, se eles conhecem as nossas intenções, como vamos abandoná-los justamente quando mais necessitam de nós? Não somos capazes de dedicar-lhes alguns dias, horas ou semanas, enquanto eles foram capazes de dedicar-nos toda sua vida?

Estou me referindo principalmente aos cães porque é uma das espécies que têm maior contato com o ser humano e, portanto, nos sentimos familiarizados com eles. Todos, absolutamente todos os seres vivos, sofrem a morte e digo “a morte” e não exclusivamente sua própria morte. Como exemplo disso bastaria remeter-se às extraordinárias experiências relatadas no famoso livro A vida secreta das plantas.

O único que conhecemos da vida são suas manifestações: uma das principais características observadas na substância viva é sua luta constante pela conservação da vida. Cada célula, cada ser unicelular, cada partícula do protoplasma está lutando para conservar-se viva, para dispor do maior tempo possível para alcançar suas “metas biológicas”.

Então, este animalzinho que estamos planejando matar, não se sentiria feliz, apesar das dores de uma enfermidade que o está derrotando, em saber que estamos ao seu lado, lutando pela sua vida até o último momento?

Cada ser vivo tem seu tempo. Seu tempo para nascer e seu tempo para morrer.

Não conhecemos as leis que regem a infinidade de circunstâncias que conduzem ao nascimento de um novo ser, de um ser único, inédito, irreproduzível, e a infinidade de circunstâncias que determinam o final desta vida única e inédita.

Matar é apenas isso: matar, destruir a vida. Jamais devemos admitir que a morte artificial, provocada, possa produzir algum benefício.

Todo ser vivo tem o direito de viver até seu último instante, de dispor de todo seu tempo e de alcançar “seu próprio fim”, sua morte natural e esta é a única, a verdadeira eutanásia. Todo o resto é assassinato.

“Não matarás”, nos diz um dos Mandamentos, e isto quer dizer também “ não matarás em teu coração”, que significa a profunda e verdadeira atitude vital de respeito pela maravilhosa Criação na qual estamos incluídos. Em outras palavras, só o amor pode salvar-nos.




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domingo, junho 22, 2014

"Dono" e "Posse" - Cachorros.


"Dono" e "Posse" - Cachorros:  Dois vícios infelizmente ainda comuns entre defensores de animais e legisladores, sem falar da população como um todo, são considerar a tutela e responsabilidade de uma pessoa sobre seu bicho de estimação uma “posse” e chamar humanos que cuidam e tutelam animais domésticos de “donos”. Quem nunca falou ou ouviu expressões como “o dono desse cão…” ou “…em prol da posse responsável de animais”? É esse uso extremamente inadequado e vicioso, senão especista, dessas palavras que todos precisam repensar e abolir da relação entre os humanos e os animais não-humanos.

Há de se responder às perguntas: por que é inadequado dizer que um tutor de bichos de estimação é dono deles? Por que não é bom falar “o dono do bicho”? Por que não falar de posse de animais domésticos?

Em primeiro lugar, evoco a semântica denotativa, a que não tem sentido figurado (conotativo). As palavras “dono” e “posse” denotam propriedade. O dono de algo é proprietário desse mesmo algo. Quem tem posse tem propriedade sobre o objeto possuído. Seria ético dizer que temos propriedade sobre nossos bichos de estimação?

Para aumentar a minha objeção sobre o uso dessas palavras sobre a relação humano-bicho, invoco suas definições nos dicionários “Priberam/Texto Editores” e “Aurélio”. Mesmo que você contrarie dizendo que a língua portuguesa é flexível e não se prende às definições contidas em um dicionário, eu mostro-as com o propósito de apontar o sentido original dos vocábulos referidos.

Segundo o Priberam/Texto Editores:
DONO (do Lat. domnu por dominu, senhor): s. m., senhor de alguma coisa; proprietário; possuidor.
POSSE (do Lat. posse): s. f., retenção ou fruição de uma coisa ou direito; estado de quem possui ou frui uma coisa em seu poder; 
Jur., ação ou direito de possuir um título de propriedade; ato pelo qual alguém é investido ou investe outrem num direito, num cargo ou dignidade; (no pl.) haveres, bens, riqueza; (no pl.) aptidão, capacidade.

Segundo o Aurélio:
DONO: s.m. 1. Proprietário, senhor. 2. Chefe (de uma casa).
POSSE: s.f. 1. Detenção duma coisa com o fim de tirar dela qualquer utilidade econômica. 2. Investidura em cargo público, ou posto honorífico, etc., ou a respectiva solenidade.

Note que não há nessas atribuições originais as posições de guarda ou tutela, tutor ou responsável de animais. Isso dá razão aos argumentos que consideram posse de animais sendo sua relegação a bens, objetos de valor e de usufruto de seu proprietário, e dono sendo de fato um proprietário. E ambas as palavras convergem num sentido semântico: propriedade.

Pergunto então: é ético dizer-se proprietário de animais domésticos? É válido ter como propriedade, como meros bens de valor, seres dotados de sentimentos, personalidade, senciência, passibilidade ao sofrimento?

Você, possivelmente um defensor animal, dirá que fala “posse” no sentido de tutela, de criação paternal dos bichos, sem intencionar reduzi-los a propriedades. Mas então eu digo: você, que não tolera o especismo, iria se referir à guarda de uma criança órfã adotada como posse também? Você diria “Vamos garantir a posse responsável de crianças abandonadas”? Ou acha essa frase absurda? Se disser que opta pela segunda alternativa, está admitindo que ainda comete deslizes especistas apesar de sua filosofia de zelo ético pelos animais.

E, quanto à palavra “dono”, que infelizmente muitos defensores ainda usam, pergunto algo parecido: você chamaria o tutor, ou pai adotivo, de um jovem deficiente mental adotado em alguma casa de cuidados para deficientes mentais, sendo este incapaz de semear uma vida independente, de dono dele? Ué, esse jovem, independente de ter sentimentos, dor e protopersonalidade, tem prejudicada ou não tem a maioria das capacidades estritamente humanas de raciocínio pleno e cognição complexa, está num status similar ao de um animal não-humano como um gorila ou um cão.

Por que então os animais podem ter “dono” enquanto pessoas com capacidades parecidas com a de bichos não podem de jeito nenhum? Por que apenas humanos têm direito à dignidade de não poder ter dono ou ser posse?

Já sei: é a força do hábito, ou, em outras palavras, um vício de expressão habitual. É comum isso. Muitos ex-cristãos ou ex-teístas também são pegos no flagra lançando mão de palavras de uso vicioso. Vemos muitos ateus ainda proferindo interjeições religiosas como “Deus me livre!”, “Nossa!”, “Ave Maria!”, ou “Pelo amor de Deus!”. Estes sabem que essas expressões pegam mal, porque subvertem sua descrença e frequentemente são vistas por crentes, que as pegam no flagra, como demonstrações de que o ex-cristão não esqueceu seu antigo deus (ou santo), e isso é péssimo para quem as profere. Do mesmo jeito que essas pessoas tentam se livrar de seus vícios de expressão religiosa, os protetores dos animais devem também se policiar para evitar proferir essas palavras que não condizem com a dignidade dos animais.

Antes do próximo parágrafo, lanço aqui um comentário subjetivo: sabe que, quando falam de “posse responsável”, só consigo remeter minha imaginação à posse de armas? Armas sim são objetos passíveis de uma posse responsável. O usufruto irresponsável da propriedade delas gera muitos acidentes graves ou fatais e facilita seu roubo para uso em crimes, portanto, é necessária sua posse responsável. Sem falar que é impensável falar de posse de armas como sendo tutela, guarda ou criação paternal delas. Penso nessas horas: poxa, realmente soa muito mal falar de “posse” de animais, ainda que a palavra, acompanhada do adjetivo “responsável”, esteja se referindo a uma tutela bem-conduzida de bichos.

Voltando ao fluxo objetivo do artigo, vamos pensar em um assunto de certa forma pouco pensado: as crianças selvagens, abandonadas na selva e criadas por animais não-humanos. O site FeralChildren.com dá muitos exemplos sobre essas crianças e mostra que a maioria delas foi cuidada ao longo de sua infância (e juventude, em muitos casos) por lobos e primatas. Analisando as histórias, vemos que esses animais são mais éticos – mesmo que não tenham nenhuma noção de Ética – que o humano no tratamento da espécie “antagônica”. Ao menos no que se refere à não-arrogância do atributo de dono ou posseiro do ente adotado.

Nota-se que os lobos que adotaram meninos(as) como Kamala, Amala ou Djuma de forma alguma os(as) tratavam como se fossem donos seus ou como se estivessem em posse deles(as). Pergunto: você chamaria os cuidados quase paternais dados pelos bichos da selva às crianças de “posse responsável”? Note que a relação interespecífica lobos-meninos selvagens é quase a mesma que a relação humanos-bichos domésticos, com o diferencial de que o apego dos animais aos humaninhos adotados era muito mais próximo de um afeto paternal/maternal/familiar do que o daqueles que se dizem “donos” dos seus bichinhos a estes.

Epa, mas essa diferença não acontece sempre! Existem muitos casos em que os humanos se apegam numa relação também quase familiar com seus “meninos não-humanos”. Pergunto então, já para mostrar a invalidade da condição do uso dos dois termos: onde há um relacionamento de “posse responsável”? Nos cuidados “animais selvagens => crianças adotadas”? Na relação “humanos civilizados não-especistas => animais domésticos”? Nos dois? Ou em nenhum? A sua conclusão mostrará que não há lógica ético-filosófica na arrogância da posse ou do atributo de dono em nenhum sentido direcional da relação entre espécies de diferente condicionamento racional/proto-racional.

Isso, no entanto, não é respeitado por muitas pessoas, ora ignorantes ora realmente mal-encaradas na sua visão acerca dos animais não-humanos. Enquanto amantes verdadeiros destes últimos falam de “dono” ou “posse” apenas no costume/vício de expressão, gente como pecuaristas, vaqueiros, peões e comerciantes de pet-shops tratam, de fato, os bichos sob seus cuidados aplicando o sentido mais denotativo possível dessas duas palavras.

Levando ao pé da letra a arrogância de serem “donos” e terem “posse” de cães, gatos e pássaros engaiolados à venda ou cavalos, bois, porcos e outros animais explorados no meio rural, usam-nos para fins perniciosos, desde o acúmulo de propriedade e extração de matéria-prima — vide execução em massa nos matadouros para obtenção de produtos como carne e couro — até seu aproveitamento comercial e “cultural” pela sua coisificação e redução a brinquedos e mercadorias, como em rodeios, vaquejadas, exposições e leilões(!) de animais e pet-shops, violando gravemente a dignidade existencial dos não-humanos e repetindo os mesmos procedimentos abomináveis que foram muito praticados na época da livre escravidão humana.

Isso não é de fato uma consequência do uso zoo-específico das duas palavras, mas uma amostra do que se é capaz de fazer quando se tenta transplantar a aplicação delas, que deveria ser restrita a objetos e bens imóveis, à relação com os animais. Visto isso, a intolerância à sua aplicação nos bichos implicará a inadmissão dos meios de exploração animal. Isso não seria uma zoo-panaceia, mas um passo na evolução ética do tratamento de nossos irmãos de vida.

A esse ponto, você pode dizer: “Tudo bem, não é nada bom falar normalmente de dono ou posse de animais. E quanto a ser um criador  deles”? A palavra “criador” ainda parece menos intolerável que as outras duas, visto que há a criação (paternal) do bicho doméstico do mesmo jeito que a da criança/do adolescente humano, para seu sustento e sobrevivência pela tutela dos pais ou tutores. Acaba aí a semelhança, com o levantamento da diferença de que, para o humano, sua criação visa garantir que ele cresça e se torne um adulto íntegro e auto-sustentável, enquanto o animal será perpetuamente tutelado – o que desperta severas interrogações éticas por parte de adeptos da Libertação Animal, com as quais eu concordo.

Outro fator é que a “criação de animais” é freqüentemente vista como um equivalente zootécnico ao cultivo de vegetais. Ambos, muitas vezes, têm fins comerciais e produtivos de matéria-prima e isso, no caso animal, é uma severa transgressão de sua dignidade e de seu direito de viver, na linha da mercantilização da vida e do corpo do bicho com o rebaixamento de suas características espirituais (não falo no sentido de religião, mas no da presença de atributos psicológicos ou protopsicológicos). Sem falar que jamais dizemos “o criador de crianças”, nem que seja o dono de um orfanato ou o benfeitor de uma casa de crianças desamparadas. Daí, torna-se não-recomendável o uso da palavra “criador” para se referir a um responsável/tutor de animais. Já a palavra “criação” eu recomendo que seja usada junto a “paternal”: “criação paternal”, expressão já presente neste artigo.

Todos os fatores e evidências expostos mostram que é realmente inadequado chamar tutores de bichos de “donos” e sua tutela/guarda/criação paternal de “posse”. Caso seja um vício de expressão habitual, recomendo que você policie sua fala para que evite proferir essas palavras no tratamento de animais, do mesmo jeito que ex-cristãos tentam evitar expressões características de sua antiga religião. Pequenas mudanças na aplicação do vocabulário conseguem moldar detalhes importantes da própria visão da pessoa sobre o assunto da dignidade animal e tornam sua atitude mais racionalizada e coerente.

É com passos simples como essa substituição vocabular que, aos poucos, os próprios defensores dos bichos vão se livrando de antigos vícios e resquícios de especismo e de tratamento desigual entre o ser humano e o bicho e otimizando sua própria visão do valor natural e espiritual que os animais não-humanos, assim como os humanos, possuem plenamente. Jamais vai se alcançar um mundo de animais libertos e plenamente respeitados quando ainda há apologias, intencionais ou não, ao antigo status arrogado de “donos” e à posse/propriedade de bichos.

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