No Império Persa (aprox. 550–330 a.C.), os cachorros ocupavam uma posição de altíssima estima, sendo considerados criaturas sagradas, puras e protegidas por lei, intrinsecamente ligadas à religião zoroatrista.
Eles não eram vistos apenas como animais de estimação, mas como seres espirituais com poderes sobrenaturais, capazes de proteger contra demônios e guiar as almas dos mortos.
Aqui estão os principais aspectos dos cachorros no contexto persa antigo:
1. Importância Religiosa e Espiritual (Zoroastrismo)
Criaturas de Ahura Mazda: Eram considerados criações diretas da divindade suprema, Ahura Mazda, e eram reverenciados por sua lealdade e pureza.
Sagdid ("Olhar do Cão"): Ritual funerário essencial onde um cachorro era levado para ver o corpo do recém-falecido. Acreditava-se que o olhar do cão afugentava maus espíritos e purificava a alma.
Guardiões da Ponte Chinvat: Na crença zoroatrista, os cães guardavam a ponte que as almas atravessavam para o céu.
2. Papel Social e Proteção Legal
Direitos dos Cães: O Vendidad (texto sagrado persa) prescrevia punições severas para quem ferisse um cão. Machucar um cachorro era considerado um pecado grave.
Responsabilidade: Os persas eram instruídos a cuidar de cães de rua e domésticos da mesma forma que cuidavam de membros da família.
O "Cão de Quatro Olhos": Cães com manchas acima dos olhos eram considerados os mais sagrados e respeitados.
3. Funções Práticas e Raças
Os persas mantinham cães para diversas finalidades, com raças específicas associadas a cada função:
Caça: O Saluki (ou galgo persa) era altamente valorizado pela nobreza para caçar gazelas e lebres. O Afghan Hound também era usado para essa finalidade.
Guarda: O Mastim Persa (Sarabi) e o Mastim Curdo eram usados para proteger rebanhos e casas, sendo conhecidos por seu tamanho enorme e força.
Pastoreio: O Alabai (pastor da Ásia Central) era comum para cuidar de gado.
4. Comparações e Mitos
A "Trindade" do Cão: Acreditava-se que a alma de um cão era constituída de um terço de fera selvagem, um terço de humano e um terço de divino.
Cães de Guarda vs. Hades: Embora frequentemente confundidos com referências mitológicas gregas como Cérbero, os cães na Pérsia tinham um foco mais prático e protetor da vida e da alma no cotidiano.
Em resumo, a cultura persa antiga tratava os cachorros com um nível de respeito e cuidado que superava o de muitas outras civilizações contemporâneas, tratando-os como guardiões da saúde, da ordem cósmica e da purificação.
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